Apesar dos alertas de que será preso, deputado Juan Guaidó confirma retorno à Venezuela

Juan Gerardo Guaidó Márquez é um engenheiro e político venezuelano. Deputado Nacional pelo estado de Vargas, é o atual presidente interino da Assembleia Nacional da Venezuela, sendo a pessoa mais jovem a ocupar o cargo.Deputado Juan Guaidó busca atalho para o poder e repete formula de outros déspotas ao contar com apoio dos EUA e governantes antidemocráticos.
Juan Gerardo Guaidó Márquez é um engenheiro e político venezuelano. Deputado Nacional pelo estado de Vargas, é o atual presidente interino da Assembleia Nacional da Venezuela, sendo a pessoa mais jovem a ocupar o cargo.

Deputado Juan Guaidó busca atalho para o poder e repete formula de outros déspotas ao contar com apoio dos EUA e governantes antidemocráticos.

Apesar das ameaças de prisão por parte do governo de Nicolás Maduro, o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou que retornará para a Venezuela até a próxima segunda-feira (04/02/2019). Em entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Jair Bolsonaro, ele confirmou que de Brasília seguirá para Assunção, no Paraguai.

“Claro que há um risco, inclusive de vida, o exercício da política na Venezuela, mas também temos um dever, resolvemos entregar nossa vida ao serviço de um país”, disse. “Como sabem, eu recebi ameaças pessoais e familiares e também ameaças de encarceramento por parte do regime de [Nicolás] Maduro. Nosso retorno a Venezuela será neste fim-de-semana, ou, no mais tardar, na segunda-feira.”

Antes da entrevista coletiva, Guaidó sintetizou seu sentimento e determinação por levar adiante a luta pelo resgate de “valores democráticos” no seu país. “Não vamos permitir nunca mais que um grupo se apodere da verdade ou dos recursos de um povo. Não se pode utilizar da palavra ‘povo’ para se aproveitar, mas para criar prosperidade, liberdade e bem-estar.”

Ameaças

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, fala durante encontro com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto. – Antonio Cruz/Agência Brasil
“Nós temos um dever, entregamos nossa vida a serviço da Venezuela. (…) Minha geração cresceu nessa ditadura, não vimos outra coisa, mas estamos sentido o futuro na Venezuela, mantemos a esperança de que apesar da perseguição, do atropelo, resistimos. […] Não vai ser através da perseguição que vão nos deter.”

O venezuelano reiterou que sua determinação é resgatar a democracia, a liberdade e os direitos do povo da Venezuela. “Vamos seguir insistindo porque estamos cada vez mais perto desse triunfo da democracia na Venezuela e na região.”

Suspeitas

Segundo Guaidó, o governo Maduro é o principal suspeito de promover o sequestro e a prisão de três de seus assessores, em Sán Cristóbal, município próximo da fronteira entre Venezuela e Colômbia. Para ele, esse tipo de comportamento atrasa o processo de redemocratização do país.

“A fórmula da perseguição só está atrasando o inevitável, uma transição democrática ou em direção à democracia”, disse.

O interino afirmou que há aproximadamente mil presos políticos e o mesmo número de exilados que defendem a transição democrática no país.

Prisão

No mês passado, o Tribunal Supremo de Justiça proibiu Guaidó de deixar a Venezuela, além de determinar o congelamento das suas contas. A Corte atendeu a um pedido do procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, aliado do presidente Nicolás Maduro.

Apesar da decisão judicial, o presidente interino foi à Colômbia para articular a entrega de ajuda humanitária na fronteira. Depois, ele participou do encontro do Grupo de Lima , em Bogotá, que defendeu a busca de uma saída alternativa para a paz e a democratização da Venezuela, sem intervenção externa.

Guaidó diz que não aceita “falso diálogo” com Maduro; Ele detalhou o fracasso de três mesas de diálogo

Após o encontro privado e a declaração pública ao lado do presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (28), em Brasília, o presidente autodeclarado interino da Venezuela, Juan Guaidó, rejeitou qualquer diálogo com Nicolás Maduro que não esteja vinculado à realização de eleições livres no país.

“Não se pode, neste momento, falar de um falso diálogo sem condições para poder produzir uma eleição realmente livre na Venezuela”, afirmou Guaidó, informando que todas tentativas de diálogo em torno de uma transição democrática falharam nos últimos anos e que não tem havido processos eleitorais democráticos no país.

O interino lembrou que houve uma sequência de mesas de diálogo em busca de acordo, sem sucesso.

“Há um elemento importante, nos últimos anos anos houve três mesas de diálogo e negociação. Nas três, a exigência do povo da Venezula era uma eleição livre, ou seja, um árbitro imparcial, o direito a eleger e ser eleito, o que não ocorreu. Inabilitações, presos políticos, ilegalização de partidos políticos, prisões, não podem ser parte do processo eleitoral”, afirmou.

Transição

Guaidó defendeu um processo de transição que garanta governabilidade e estabilidade no país e acenou com possibilidade de garantir anistia a civis e militares que atualmente dão suporte ao governo de Maduro, apesar de, segundo ele, existirem mais de 1.100 presos políticos no país.

“Tudo o que não podemos fazer é nos dividir em ressentimentos”, disse. Ele afirmou que mantém diálogo secreto com setores das Forças Armadas e do governo de Maduro em torno de uma eventual mudança de regime.

De acordo com o líder opositor, o custo social da crise política na Venezuela é elevado.

“Houve contração de 53% do PIB em cinco anos, dois milhões por centro de inflação no último ano, destruição do aparato produtivo, quatro milhões de imigrantes, crise na fronteira. Os custos sociais existem hoje, morrem crianças de forma, é a maior taxa de mortalidade infantil da América Latina”, afirmou.

Guaidó lembrou que Caracas, capital do país, e Valencia, são cidades que estão entre as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes do planeta e que o trabalhador venezuelano recebe, em média, um salario de seis dólares por mês. “Ele não vive, sobrevive”, acrescentou.

Aliados

Questionado sobre o apoio dos governos de Rússia e China a Nicolás Maduro, o autoproclamado presidente da Venezuela reiterou que o processo de transição democrática inclui novas eleições com apoio internacional. “Todos os países que que puderem colaborar para cessar a usurpação, o governo de transição e eleições livres, incluindo, claro, Rússia e China, que tem muitos interesses hoje na Venezuela.”

Guaidó também acenou para países e empresas que têm investimentos no país, garantindo a preservação de acordos e contratos vigentes, caso venha a assumir o poder no país de forma transitória.

“Todos os acordos, todos os convênios assinados legalmente em Venezuela serão respeitados, certamente. Hoje, Maduro não protege a ninguém. Nem da insegurança, nem da fome, nem os investidores. Como um país ou uma empresa que investiu milhões de dólares na Venezuela recupera seu investimento com uma inflação de um ou dois milhões por cento? Como recupera seu investimento se o PIB [Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços] se contrai 50 pontos em cinco anos?”, argumentou.

Retórica

Sobre as acusações, por parte do governo Maduro, de defender interesses dos Estados Unidos em relação ao petróleo venezuelano – o país está entre os que detém as maiores reservas do planeta – Guaidó rebateu dizendo que não passa de discurso retórico.

“A retórica de que um país ou outro quer acesso a o recurso venezuelano é retórica, porque esse país em referência tem sido nosso principal cliente há anos”, afirmou. O autoproclamado presidente afirmou que o atual governo destruiu a indústria petrolífera do país, que baixou sua produção diária de 3 milhões para menos de um 1 milhão de barris de petróleo.

*Com informações da Agência Brasil.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).