Defesa do ex-governador Berto Richa afirma que suspeitas foram esclarecidas; Força-tarefa do Caso Lava Jato rebate alegações

Polícias Federais prenderam ex-governador do Paraná, Carlos Alberto Richa (Beto Richa, PSDB) por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.
Polícias Federais prenderam ex-governador do Paraná, Carlos Alberto Richa (Beto Richa, PSDB) por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.
Polícias Federais prenderam ex-governador do Paraná, Carlos Alberto Richa (Beto Richa, PSDB) por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.
Polícias Federais prenderam ex-governador do Paraná, Carlos Alberto Richa (Beto Richa, PSDB) por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.

Em nota enviada à jornalistas, os advogados do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), questionaram a prisão em caráter preventiva do tucano. Richa foi detido na manhã de sexta-feira (25/01/2019), em Curitiba, por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.

Segundo a defesa de Richa, os fatos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) no pedido de prisão preventiva acolhido pelo juiz federal substituto Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba, são “antigos”.

Os advogados sustentam que os fatos apresentados pelos procuradores da República foram devidamente esclarecidos, “não restando qualquer dúvida quanto à regularidade de todas as condutas praticadas” pelo ex-governador, no exercício de suas funções.

“Mais que isso. Os fatos ora invocados já foram anteriormente utilizados, na decretação das medidas cautelares expedidas contra o ex-governador”, sustenta a defesa, referindo-se ao primeiro mandado de prisão preventiva cumprido contra Richa, em setembro de 2018, quando o ex-governador passou menos de três dias no Regimento da Polícia Montada, da Polícia Militar, em Curitiba.

“Cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar referidas medidas, reconheceu a flagrante ilegalidade na ordem prisão decretada [em setembro]”, acrescentam os advogados, argumentando que a nova prisão, hoje, “afronta o quanto decidido pelo STF com o evidente objetivo de desrespeitar os julgamentos proferidos pela Suprema Corte, sobre o tema”, tendo baseado-se em “ilações do MPF, exclusivamente suportadas em falsas e inverídicas informações prestadas em sede de colaboração premiada, por criminosos confessos”.

Também a pedido do MPF, o juiz Paulo Sérgio Ribeiro autorizou a prisão preventiva de Dirceu Pupo Ferreira, contador da empresa da ex-primeira dama Fernanda Richa. Ferreira é apontado como “homem de confiança da família e administrador das empresas Ocaporã e BFMAR, ambas da família Richa e alvos da Operação Integração – uma fase da Operação Lava Jato deflagrda em fevereiro de 2018 para apurar suspeitas de irregularidades nos contratos de concessões de rodovias.

Segundo o MPF, há indícios de que André Richa, um dos filhos do ex-governador, foi beneficiado com pelo menos R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo, usados para a aquisição de, pelo menos, três imóveis registrados em nome de uma empresa pertencente a Fernanda Richa.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Dirceu Pupo Ferreira. Já os advogados de Fernanda Richa seguem, em nota, a mesma linha apresentada pelos advogados do ex-governador.

“A operação federal desencadeada hoje baseia-se em fatos antigos e já esclarecidos na investigação estadual do GAECO. Há evidente conflito entre as duas investigações que versam sobre os mesmos fatos”, comentam os advogados, sustentando que a empresa Ocaporã nunca foi administrada formal ou informalmente por Carlos Alberto Richa.

“Não há qualquer fato que ligue a empresa ou seus sócios a qualquer fato ilícito sob investigação. Fernanda e André Richa estão, como sempre estiveram, à disposição da justiça, do Ministério Público e da polícia. É notório, inclusive, que ambos já prestaram depoimentos e responderam a todos os questionamentos que lhes foram feitos”, acrescentam os advogados.

A Polícia Federal realizará, esta tarde, uma coletiva de imprensa para fornecer detalhes sobre o cumprimento dos mandados.

Força-tarefa da Lava Jato rebate alegações da defesa de Beto Richa

A força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações da Operação Lava Jato afirmou nesta sexta-feira (25/01/2019) que a prisão do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) não descumpriu decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com nota divulgada à imprensa, a prisão está baseada em fatos novos.

Richa foi preso pela manhã por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais, na 58ª fase da Operação Lava Jato.

Em setembro do ano passado, o ministro do STF Gilmar Mendes concedeu liberdadeao ex-governador. No entendimento dos advogados, o novo decreto de prisão desrespeitou a decisão de Mendes.

Para os procuradores, o ministro não reconheceu a ilegalidade da primeira prisão.

“Ainda, diferentemente do alegado pela defesa, o STF jamais reconheceu a ilegalidade de ordem de prisão anterior decretada em face do ex-governador ou de pessoas a ele relacionadas. O que existiu foi uma decisão de soltura geral assinada pelo ministro Gilmar Mendes, atendendo a um pedido endereçado diretamente pela defesa, que passou por cima de todos os princípios constitucionais e legais do devido processo legal, que exigem sorteio e livre distribuição dos feitos judiciais, conforme prevê a legislação e a Constituição Federal”, argumenta a força-tarefa.

Os investigadores também rebateram a defesa de Richa e afirmaram que não foram apresentados ao Ministério Público Federal (MPF) esclarecimentos sobre a origem de R$ 2,5 milhões que teriam sido usados para compra de imóveis em Curitiba e Balneário Camboriú (SC).

Mais cedo, os advogados do ex-governador afirmaram que os fatos apresentados pelos procuradores da República foram devidamente esclarecidos, “não restando qualquer dúvida quanto à regularidade de todas as condutas praticadas.”.

*Com informações da Agência Brasil.

Sobre Carlos Augusto 9448 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).