Colômbia responsabiliza ELN por atentado em Bogotá

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Forças de segurança protegem entrada do perímetro da escola de cadetes de Bogota, alvo de um ataque terrorista.
Forças de segurança protegem entrada do perímetro da escola de cadetes de Bogota, alvo de um ataque terrorista.
Forças de segurança protegem entrada do perímetro da escola de cadetes de Bogota, alvo de um ataque terrorista.
Forças de segurança protegem entrada do perímetro da escola de cadetes de Bogota, alvo de um ataque terrorista.

O governo da Colômbia atribuiu à guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) a autoria do atentado à Escola de Cadetes de Polícia General Francisco de Paula Santander, em Bogotá, que matou nesta quinta-feira (17/01/2019) ao menos 21 pessoas, incluindo o autor do ataque, e deixou 68 feridos.

“De uma só vez, um ato terrorista cometido pelo ELN custou essas vidas”, disse o ministro da Defesa da Colômbia, Guillermo Botero, nesta sexta-feira.

Segundo o governo colombiano, o motorista do carro-bomba era membro do grupo guerrilheiro ELN e foi identificado como José Aldemar Rojas Rodríguez, de 56 anos, que era conhecido como “Mocho” ou “Kiko”, porque entre 2008 e 2010 perdeu sua mão direita ao manipular explosivos.

“Trata-se de um especialista em explosivos que perdeu sua mão direita e que atuava desde 1994 como miliciano do ELN em Puerto Nuevo, no departamento de Arauva, na fronteira com a Venezuela”, disse Botero. Rodríguez não tinha ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que assinaram um acordo de paz com o governo do então presidente, Juan Manuel Santos, em 2016.

O motorista conduziu uma SUV cinza Nissan Patrol modelo 1993 carregada com 80 quilos de explosivos, invadiu o perímetro da academia policial de Bogotá e, segundos depois, o veículo explodiu ao bater contra um alojamento feminino. As autoridades não explicaram como foi possível invadir a academia. Trata-se de uma das instituições mais vigiadas do país.

Todas as 20 vítimas fatais eram cadetes da polícia “com idades entre 17 e talvez 22 anos”, segundo Botero.

Também nesta sexta-feira, o promotor-chefe Nestor Humberto Martínez comunicou a detenção de um homem suspeito de ter participado da elaboração do ataque. Ricardo Andrés Carvajal Salgar foi preso numa operação policial antes do amanhecer depois de conversas telefônicas interceptadas terem apontado sua participação no ataque.

As autoridades colombianas apreenderam uniformes militares e um manual de combatente rebelde na residência de Carvajal Salgar. Ele foi acusado de terrorismo e assassinato. Martínez não detalhou qual seria o papel de Carvajal Salgar, mas afirmou que câmeras de vigilância na área mostram que um homem saiu do veículo usado no ataque menos de 10 minutos antes da explosão.

“Se eles querem falar sobre paz, que libertem os reféns”

Em entrevista dada à DW um dia antes do atentado, o presidente da Colômbia, Iván Duque, indicou ser improvável um acordo de paz com a guerrilha ELN. “Durante 17 meses de conversa, houve mais de 400 atos de terrorismo e mais de 115 pessoas foram mortas. Isso mostra que não há vontade pela paz”, disse.

O presidente colombiano afirmou que, durante seu primeiro mês no cargo, fez uma análise sobre o trabalho do governo anterior em relação ao ELN. “Se eles querem falar sobre paz, eles têm que começar libertando todos os reféns.”

O governo e o ELN iniciaram diálogos em fevereiro de 2017, mas estes estão suspensos e sua continuidade ficou ainda mais improvável depois do atentado. Duque assumiu a presidência da Colômbia em agosto de 2018. O ataque em Bogotá é o pior em mais de uma década e levou o presidente da Colômbia a decretar três dias de luto oficial.

“Os cadetes que o terrorismo atacou […] representam o melhor da Colômbia: sua diversidade, já que vêm de distintas regiões, inclusive de países vizinhos, como Equador e Panamá”, disse o presidente. Diante disso, Duque afirmou que “os terroristas buscam intimidar” a Colômbia como sociedade “e amedrontar o Estado” colombiano.

*Com informações do DW.

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