Políticos e personalidades lamentam morte de Mãe Stella de Oxóssi; Religiosa era Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá e faleceu em Santo Antônio de Jesus

Maria Stella de Azevedo dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi), ao centro da imagem, atuou como Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá.Maria Stella de Azevedo dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi), ao centro da imagem, atuou como Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá.
Maria Stella de Azevedo dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi), ao centro da imagem, atuou como Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá.

Maria Stella de Azevedo dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi), ao centro da imagem, atuou como Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá.

O governador Rui Costa usou as redes sociais para manifestar pesar pela morte da Ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá, Stella de Oxóssi, nesta quinta-feira (27/12/2018). Mãe Stella, como era conhecida, tinha 93 anos e estava internada num hospital da cidade de Santo Antônio de Jesus desde o dia 14 de dezembro.

— Acabo de receber a notícia da morte de Mãe Stella de Oxóssi, fato que deixa todos nós imensamente entristecidos. Referência de respeito e sabedoria, a yalorixá sempre nos orgulhou pela atuação firme contra a intolerância religiosa e o racismo. À frente do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, manteve as portas abertas para aqueles que buscaram orientação espiritual e intelectual. Mulher forte e de resistência, Mãe Stella também deixou sua marca como escritora. Se tornou a primeira sacerdotisa da religião de matriz africana a ocupar uma cadeira na Academia de Letras da Bahia. Imortal na literatura desde 2013, hoje nos deixa cravando seu nome entre as maiores personalidades da história da Bahia. Que seus ensinamentos e a paz que tanto pregou continuem sempre conosco. Meus sentimentos aos familiares, amigos e filhas e filhos de santo de Mãe Stella. Sem nenhuma dúvida, vai fazer muita falta à Bahia”, postou o governador Rui Costa nas redes sociais.

Deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) registra pesar

— Mãe Estella mudou a forma de se perceber o candomblé e transformou o seu terreiro, o Ilê Axé Opô Afonjá, num polo cultural e social. Influenciou diversas gerações na luta pela igualdade e diversidade, transcendendo o seu papel de líder religiosa. Lutou pelos mais necessitado, pelo empoderamento das mulheres. Dialogou com todos os segmentos. Era uma liderança respeitada. Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual da Bahia, Mãe Stella foi um marco para a religião africana no Brasil. Toda a minha solidariedade aos familiares e filhos da grande mãe da Bahia”.

Dr. Juarez Duarte Bomfim comenta convívio com Mãe Stella de Oxóssi

— O amigo Fernando Coelho , Ogã Aladeí do Ilê Axé Opô Afonjá e Fernanda Coelho, ebomi de Nanã , Fernanda de Nanã foram quem me apresentaram o Ilê Axé Opó Afonjá e sua sacerdotisa , Mãe Stella de Oxossi .

— Eu e minha consorte, a muito amada Cecília Maringoni , nos tornamos frequentadores deste sagrado Ilê. Do ritual de Amalá de Xangô das quartas-feiras, e das festas de Santo do calendário litúrgico desta honorável casa.

— A origem dos 3 terreiros nagô mais tradicionais da Bahia remonta a 350 anos – do antigo Terreiro da Barroquinha.

— Esta Sagrada Casa é exímia no Culto aos Mortos, os Egunguns. Os filhos de Santo da Mãe Stella esperam seu corpo chegar para realizarem os exímios rituais mágicos, misteriosos, desta tradição religiosa.

— Que a justiça de Xangô prevaleça sobre as iniquidades humanas.

ACM Neto (DEM), prefeito de Salvador, lamenta

— A Bahia e o Brasil perdem uma venerável sacerdotisa. Ialorixá de um dos mais tradicionais terreiros de Candomblé do país, Mãe Stella ultrapassou as fronteiras da religião. Sob a sua liderança, o Ilê Axé Opó Afonjá ganhou dimensão cultural, como um importante centro de preservação da religiosidade afro-brasileira,  desenvolvendo ainda um grande e inestimável trabalho social em Salvador. Profunda estudiosa do universo dos orixás e intelectual ativa, Mãe Stella nos lega ainda uma prolífica obra, expressa em livros e artigos, sobre a nossa herança africana. É uma estrela que nos guiou na terra e agora sobe para brilhar no céu. Que Deus conforte os familiares e amigos de Mãe Stella neste momento de profunda dor.

Perfil biográfico de Maria Stella (Mãe Stella de Oxóssi)

Maria Stella, filha de Thomazia de Azevedo e Esmeraldino Antigno dos Santos, nasceu no dia 2 de maio de 1925, na Ladeira do Ferrão, no Pelourinho, na cidade do Salvador. Graduada em enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, com especialização em Saúde Pública, exerceu a profissão durante 30 anos. É também autora de diversos livros, como “E daí aconteceu o encanto”, “Meu tempo é agora”, “Oxossi – o caçador de alegrias”, “Owé – Provérbios”. Sacerdotisa de vanguarda, é respeitada por suas ideias ao longo do território nacional e em muitos outros países.

Em 2009, Mãe Stella foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual de Bahia (Uneb) e, em 2001, ganhou o prêmio jornalístico “Estadão” na condição de fomentadora de cultura.

O Ilê Axé Opó Afonjá

Ilê Axé Opó Afonjá (Casa sob o comando e o sustento do cajado de Afonjá) ou Centro Cruz Santa do Axé do Opó Afonjá é um terreiro de candomblé fundado por Eugênia Ana dos Santos e Tio Joaquim, Obá Sanyá, em 1910, na Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, 557, no bairro do Cabula, em Salvador, na Bahia, no Brasil. O seu tombamento ocorreu em 28 de julho de 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O seu livro histórico possui inscrição 559. Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Inscrição 124, número do processo 1432-T-98.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).