Adalardo Nogueira, o general civil | Por Baltazar Miranda Saraiva

TJBA aprova ‘Moção de Pesar’, de autoria do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, em memória do ex-prefeito de Nazaré Adalardo Menezes Nogueira.

TJBA aprova ‘Moção de Pesar’, de autoria do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, em memória do ex-prefeito de Nazaré Adalardo Menezes Nogueira.

Faleceu em Salvador, dia 14 de dezembro (2018), às vésperas de um natal que ele sempre festejou com os amigos, o extraordinário homem público e dedicado amigo Adalardo Menezes Nogueira, baiano de Nazaré, onde nasceu em 16/11/1925. Seus conterrâneos o fizeram prefeito, por dois mandatos, sendo um dos melhores.

Dotado de excepcionais qualidades humanas, Adalardo foi uma das mais importantes figuras de sua terra natal, cuja biografia -plena de trabalhos e realizada em títulos-, registra sua importância para a Bahia e para o Brasil.

Adalardo possuía o raro dom de fazer amigos. Parte deles se encontra atualmente em Brasília, ocupando os mais altos postos da nação. Todos foram testemunhas de sua grandeza. Com ele não havia tristeza, e foi com alegria que enfrentou todos os momentos difíceis porque passou. Sua ida deixa um grande vazio entre os que tiveram o privilégio de com ele conviver. Mas, como diz o Eclesiastes, há tempo para tudo na vida: tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de colher. Tempo de rir e tempo de chorar.

É bem possível que o seu generoso coração já estivesse fraco, face os 93 anos vividos, intensamente e feliz. E só partiu porque foi morar no céu, junto de Deus, não sem antes ter cumprido o texto bíblico que sempre o guiou: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

Sua morte enluta não somente seus familiares e amigos, mas toda a cidade de Nazaré e a própria Bahia, que lamenta a perda de um cidadão exemplar na honestidade, no caráter e na honra.

Adalardo recebeu a seiva de sua extraordinária qualidade de fazer amigos no solo ubérrimo de sua terra natal, trazendo consigo todas as qualidades que ela emana. A tristeza deixada com a sua partida vai ser sempre lembrada quando os sinos badalarem as aves-marias, pois foram eles que anunciaram a sua morte.

O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, na sessão Plenária realizada em 19 de dezembro de 2018, expressando imensa e profunda tristeza pelo doloroso evento, aprovou, à unanimidade dos 60 desembargadores presentes, Moção de Pesar, ressaltando suas qualidades excepcionais, seu olhar doce e o seu sorriso sempre presente.

Em horas assim, consola-nos a linda mensagem do imortal escritor Antoine de Saint-Éxupery, quando afirmou que ‘O que dá sentido à vida, dá um sentido à morte’, querendo dizer que o ser humano não se suprime quando morre, mas reencontra-se com Deus ao passar de uma vida para outra.

Homem da ordem e do progresso, Adalardo angariou muitas amizades nos meios civil e militar. Muitos generais, almirantes e brigadeiros fizeram parte do seu ciclo de amizade. Admirador do caráter, da bravura, da decência e da dignidade dos oficiais e praças do seu país, agia como se militar fosse. No íntimo era um general, embora de natureza civil.

Como político –que jamais deixou de ser-, foi um paradigma. Sua carreira foi brilhante em todos os aspectos. Se hoje os filhos de Nazaré brilham pelo país afora, deve-se à sua operosidade, ao seu dinamismo e à sua clarividência. Nazaré, a partir de agora, viverá em função do seu nome.

Pacífico por natureza, a mansidão o caracterizava. A paz e a concórdia eram uma constante em sua vida. Nunca praticou violência; tampouco injustiça.

Não era de seu feitio advogar em causa própria. Sempre pedia para os amigos. Era o amigo certo das horas incertas. Jamais partiu para a represália. Era um general da paz, cujo tempo pretérito se tornará presente através da nossa memória.

Segundo Sófocles, “Um dia vem o fim comum a todos os mortais” Por isso, parafraseando Platão, para o homem de bem, nem a morte faz algum mal acontecer, pois os deuses não se descuidam do seu destino. Vá em paz, meu general civil, agradeço a Deus por sua amizade.

*Baltazar Miranda Saraiva é desembargador, presidente da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) e membro da Comissão de Igualdade do TJBA, do Conselho da Magistratura TJBA, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), da Sociedade Amigos da Marinha (SOAMAR) e Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES).

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).