Salvador: Encontro promovido pelo Instituto Pensar debateu cenário de expansão da economia da China

O encontro 'China, Socialismo Criativo?' foi promovido pelo Instituto Pensar. Evento foi coordenado pelo ex-deputado Domingos Leonelli e contou com a presença da senadora Lídice da Mata.
O encontro 'China, Socialismo Criativo?' foi promovido pelo Instituto Pensar. Evento foi coordenado pelo ex-deputado Domingos Leonelli e contou com a presença da senadora Lídice da Mata.
O encontro 'China, Socialismo Criativo?' foi promovido pelo Instituto Pensar. Evento foi coordenado pelo ex-deputado Domingos Leonelli e contou com a presença da senadora Lídice da Mata.
O encontro ‘China, Socialismo Criativo?’ foi promovido pelo Instituto Pensar. Evento foi coordenado pelo ex-deputado Domingos Leonelli e contou com a presença da senadora Lídice da Mata.

Uma sessão de provocações às reflexões quanto ao cenário político brasileiro aqueceu as discussões durante o encontro “China, Socialismo Criativo?”, que falou sobre o sistema político-econômico da China, considerada um dos gigantes da economia mundial. O evento, realizado na última quinta-feira (22/11/2018), foi promovido pelo pelo Instituto Pensar e trouxe à Bahia o professor Elias Jabbour, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em assuntos relacionados à realidade política e econômica chinesa.

Que economia é essa que cresce expansivamente e, hoje, enfrenta os Estados Unidos, exemplo maior que se tem quando o assunto é capitalismo? “A China é ou não é socialista? Socialismo de mercado quer dizer exatamente o quê? Dois sistemas num só país? E, também, o Socialismo de Mercado pode ser considerado um novo tipo de Socialismo, um Socialismo Criativo? Essas são algumas indagações que pessoas de esquerda e outras interessadas no assunto fazem sobre a China. O debate com Elias Jabbour veio aprofundar essas questões”, explicou o presidente do Instituto Pensar, Domingos Leonelli.

Se ainda existissem dúvidas acerca dos direcionamentos dos chineses nas suas políticas de gestão do país, Jabbour, especialista no assunto, tratou de posicionar-se nos momentos iniciais de sua fala durante o encontro: “A China é um país socialista”. E, nesse lugar de população que perpassa um bilhão de pessoas e tem um PIB de mais de 10 trilhões de dólares, uma nova formação econômico-social ganha o estatuto do desenvolvimento na nação: o socialismo de mercado não é mais uma abstração. “Não estamos falando de qualquer sociedade. Estamos falando, inclusive, de uma sociedade que fez a maior revolução social do século XX. Foi a Revolução Chinesa. É uma revolução que continua até hoje, porque o processo revolucionário chinês está em andamento”, sinalizou o professor.

Elias Jabbour considera o socialismo de mercado como uma nova formação econômica e social que merece atenção e sinalizou para o crescimento do setor estatal, na China, a partir de 2009. “A reação chinesa à crise de 2008 converteu seu próprio setor produtivo em indústria-chave, fazendo desaparecer 59 estatais e surgir 149 conglomerados com a participação do Estado”, disse. O professor lembrou, ainda, que a presença de dezenas de bancos de desenvolvimento é fundamental para o sucesso da economia chinesa.

Ao situar a relação do país em pauta com o Brasil, uma das debatedoras convidadas à mesa, a economista e professora Elsa Kraychete, da Universidade Federal da Bahia, lembrou que, ao resultado das Eleições 2018, a China logo se manifestou para contato com o presidente eleito para o próximo quadriênio de gestão, já que, entre outras coisas, a soja brasileira tem, como um de seus principais mercados, o chinês. Kraychete sinalizou que a China tem um projeto de Nação e caminha para ser uma superpotência mundial. Sobre a política externa adotada pelos chineses, ela descartou a possibilidade de embates bélicos com outras nações. “Não interessa ao governo chinês entrar em conflitos agora. Isso é normal nas potências que estão se constituindo. Eles escolheram o caminho da diplomacia, pelo menos, neste primeiro momento”, explicou.

Nos investimentos que os chineses fazem, há um direcionamento em prol desse socialismo de mercado que desenvolvem, inclusive considerando novos modelos de produção, em que uma identidade esteja impressa, saindo do caminho reconhecido pelo senso-comum como “made in China”, lembrando a nação que reúne experiências milenares e agrega o novo. Enquanto, lá, os caminhos diversos voltam-se a uma mesma direção, no Brasil, um desalinho parece ter enfraquecido alguns discursos da Esquerda. “Falamos pouco em produção do trabalho e mais em inclusão e outras pautas”, afirmou Jabbour, que considera que a Esquerda brasileira possui um déficit de pensamento estratégico e que isso contribuiu para a derrota na última eleição e para o avanço de uma onda conservadora no país. Para ele, a eleição do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, é um tiro de morte no projeto brasileiro de Nação: “É uma derrota estratégica”.

Durante o encontro – que contou com a presença de parlamentares e dirigentes do PSB, PSOL e PC do B como a senadora Lidice da Mata, o deputado federal constituinte Haroldo Lima e os estaduais Angelo Almeida, Fabíola Mansur, Olivia Santana, bem como o presidente estadual do PSOL, Fábio Nogueira -, Elias Jabbour criticou, ainda, a Operação Lava-Jato e disse que a proibição de empresas brasileiras de participarem de licitações é um crime de lesa-pátria. Domingos Leonelli deu nova leitura à fala do professor ao considerar que a corrupção criou uma super mais-valia nas relações entre empresas e Poder Público.

O ex-deputado Haroldo Lima, do PC do B, um dos debatedores do encontro, traçou uma linha do tempo da evolução das posições do PC Chinês em seus congressos e declarou que a China “é algo de extraordinário”. A senadora Lídice da Mata, que também compôs a mesa como debatedora, defendeu que os brasileiros têm que pensar nos próprios desafios, aprendendo com os chineses, bem como manter os laços culturais com o povo e fazer isso de forma estratégica. Sobre a questão que norteou a realização do encontro, Elias Jabbour declarou: “A Economia Criativa é a quarta Revolução Industrial”.

O encontro ‘China, Socialismo Criativo?’ foi realizado no Portobello Ondina Praia Hotel, em Salvador.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).