Projeto valoriza a identidade negra na Escola Manuel Cundes, em Feira de Santana

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Projeto ‘Respeite a Minha Cor’ celebra o Dia da Consciência Negra.
Projeto ‘Respeite a Minha Cor’ celebra o Dia da Consciência Negra.
Projeto ‘Respeite a Minha Cor’ celebra o Dia da Consciência Negra.
Projeto ‘Respeite a Minha Cor’ celebra o Dia da Consciência Negra.

Redução do número de ofensas relacionadas à cor da pele, reconhecimento da identidade negra e valorização do cabelo. Estes foram os principais pontos positivos destacados pelas professoras da Escola Nucleada Municipal Manoel Cundes Ferreira, localizada no Distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana, com a realização do projeto ‘Respeite a Minha Cor’.

O projeto vem sendo realizado desde o início do ano letivo como uma forma de valorização das identidades negra e campesina dos estudantes, aspectos que vêm sendo explorados na escola há três anos. Na manhã da última sexta-feira (23/11/2018), os alunos das três escolas que integram o Núcleo – além da Manuel Cundes estão as escolas Vitoriano Tomás Bispo e Belmiro Moreira Daltro – participaram da culminância do projeto, que celebrou o Dia da Consciência Negra, transcorrido no último dia 20.

Estudantes da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos participaram do projeto; apresentações musicais, capoeira e a palestra de Cassiano Quilombola, figura célebre da comunidade de Maria Quitéria, integraram a programação do evento.

Aspectos que precisam ser reforçados todos os dias

A professora de artes e educação física do 5º ano, Cleidiane Santos Pereira, comentou que as mudanças no viés racial são processuais. Relatando um caso específico, ela conta que os alunos não queriam aprender algumas letras de músicas por preconceitos velados, mas, após entenderem o conteúdo, fizeram questão de participar das atividades; por outro lado, há também os aspectos que precisam ser reforçados todos os dias.

“Eles dizem que não têm preconceito, mas o racismo é algo interiorizado, às vezes imperceptível. Hoje, mesmo depois de tudo que vimos, algumas estudantes chegaram aqui com o cabelo preso. Eu tive que conversar com elas e orientá-las, mostrar que o cabelo afro é lindo. E elas soltaram ‘as madeixas’ e perceberam o quão lindas são”, destacou a professora.

Atingir também os familiares dos alunos foi um dos objetivos do ‘Respeite a Minha Cor’, segundo a coordenadora pedagógica da escola, Márcia Oliveira. “Essa é, inclusive, uma meta do nosso plano político pedagógico, por que entendemos que a desconstrução do racismo dentro das famílias é um elemento fundamental no processo de valorização das identidades negras”, afirmou.

Destaque dado pela escola é significante

Ana Rosa de Lima Ferreira, tia de Guilherme Ferreira (aluno do 5º ano), foi uma das familiares que participaram da oficina de tranças nagô, realizada na quinta-feira, 22. “Achei muito legal. Nós, enquanto negros, somos sempre excluídos. O destaque dado pela escola nesse momento é muito significante”, avaliou a tia.

Foram parceiros do evento o posto de saúde da comunidade, Centro de Referência em Assistência Social, equipe de vigilância epidemiológica, Cassiano Quilombola, Zé Coruja e o grupo de samba de roda Flor de Quixaba, membros da comunidade, entre outros.

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