Pesquisa e produções em fotografia em “close” foi debatida na FACOM da UFBA

'Varal de fotografia' foi exposto durante Congresso 2018 da UFBA.
'Varal de fotografia' foi exposto durante Congresso 2018 da UFBA.
'Varal de fotografia' foi exposto durante Congresso 2018 da UFBA.
‘Varal de fotografia’ foi exposto durante Congresso 2018 da UFBA.

“Nas redes sociais, o que circulam são afetos, são emoções. Essa é a moeda concreta nesses espaços”. A fala é do professor da Universidade de São Paulo Wagner Souza e Silva, palestrante convidado para abrir as atividades da semana de fotografia da Faculdade de Comunicação da UFBA, que aconteceu de 22 a 26 de outubro de 2018.

Para o pesquisador, quando se observa o excesso de informações que as redes são capazes de circular, na verdade, o que está em jogo é toda uma dimensão afetiva. “E quando eu falo afeto, estou me referindo às emoções em geral, amor e ódio. Eu estou pensando junto com o filósofo Espinoza (1632-1677), que vai colocar a alegria e a tristeza como balizes de nossos estados de ânimos”, fala o professor. Essa circulação de imagens, em sua opinião, diz também sobre povos e comunidades, espaços atravessados por esses afetos, e que são capazes de animar ou desanimar grupos de indivíduos.

As condições históricas do surgimento e desenvolvimento da fotografia desde 1826, com o francês Joseph Nicéphore Niépce – autor da imagem fotográfica mais antiga que se conhece, no qual uma imagem se fixa a uma placa de estanho coberta com betume branco da Judeia – até a inauguração da fotografia comercial com o daguerreótipo em 1839, cujo aparelho obtinha imagens a partir de uma câmara escura numa folha prata sobre uma placa de cobre, também foram mencionadas na cronologia tecnológica apresentada pelo pesquisador da Escola de Comunicação e Artes da USP, num passeio que pelas câmeras Kodak em 1888, e Leica, em 1924, até chegar ao iphone, em 2007, e o instagram, em 2010.“O instagram é um fenômeno fotográfico. Ele extrai dos grandes veículos a  responsabilidade de fazer circular fotografia, o que antes presumia uma certa hierarquia e controle”, observou Silva.A palestra baseou-se em cinco pilares: fotografia, arte e comunicação, interfaceamento digital, a fotografia como tecnoimagem, rede de imagens e estética da afetividade.

“O título que dei a minha palestra [Da reprodutibilidade técnica à autonomia midiática] – faz uma alusão ao filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), em seu texto clássico, a respeito não só da fotografia, mas da arte: A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, conta. No texto de 1936, Benjamin afirmou que a fotografia possibilita a politização e a democratização da arte, à medida que ela permite reproduzir tecnicamente a arte e retirá-la de seus rituais, fazendo-a circular de outras maneiras, assumindo assim mais peso político do que meramente estético e contemplativo.

“No meu paralelo, a fotografia, para exercer esse papel de reprodutibilidade técnica que Benjamin disse ser importante para a arte, de certa forma, também cria seus próprios rituais, sua própria tradição, se pauta em torno de uma certa autenticidade, que são aspectos que justamente Benjamin dizia que a fotografia seria capaz de derrubar em relação à obra de arte. Quando eu digo autonomia midiática da fotografia, estou querendo derrubar toda essa autoridade, toda essa ritualidade que, de alguma maneira, a fotografia construiu para si. É um movimento emancipador da fotografia que está emancipando a arte”, argumenta.

Ao considerar esse duplo movimento e a circulação de fotos não somente pelos grandes veículos, Silva entende que a fotografia garante para si uma certa autonomia. “Vivemos uma possibilidade muito mais concreta hoje de politização da arte, de fazer circular a arte. Talvez estejamos lidando de uma forma apressada, e não tenhamos entendido ainda a dimensão disso tudo que temos em mão, por isso que vivemos aflitos atualmente em relação a esse universo”, observa.Para o coordenador do evento, professor Rodrigo Rossoni, da Faculdade de Comunicação, a semana buscou discutir a fotografia pelos seus múltiplos processos de pesquisa, produção e exibição. “Eu acredito que a universidade tem um papel importante no fomento das discussões, de elevar o pensamento e responder demandas de diferentes públicos”, afirma.

Redação do Jornal Grande Bahia
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