Em editorial, Libération alerta para os perigos do projeto Escola Sem Partido no Brasil

Em editorial, Libération alerta para os perigos do projeto Escola Sem Partido no Brasil.
Em editorial, Libération alerta para os perigos do projeto Escola Sem Partido no Brasil.

O jornal Libération desta segunda-feira (19/11/2018) dedica seu editorial ao projeto Escola Sem Partido, uma das principais bandeiras para a educação do presidente eleito Jair Bolsonaro. “Brasil: quando eu ouço a palavra cultura” é o título do texto assinado pelo editor-chefe do diário.

No editorial, Joffrin escreve que a Câmara dos Deputados vai voltar a examinar o projeto de lei que prevê a neutralidade do ensino e o fim da chamada “doutrinação ideológica” nas escolas brasileiras.

O objetivo é erradicar o marxismo que, “infesta o corpo dos professores”, e a teoria do gênero, “que a escola estaria tentando impregnar na cabeça dos jovens alunos do país”, ironiza Libé. Mas o projeto de lei vai muito além disso, adverte o jornal.

Tem como meta, por exemplo, restabelecer a verdade sobre a história da ditadura militar que governou o Brasil a partir de 1964, para “apagar os aspectos negativos e celebrar os benefícios de um regime que garantia a ordem e defendia a tradição”, destaca. Outras lideranças do Escola Sem Partido anunciam sua vontade de introduzir nos programas de ensino o criacionismo, que defende que o mundo foi feito por Deus e que vai de encontro ao darwinismo e à teoria da evolução das espécies.

Outros ainda exigem que as Ciências Sociais e a Filosofia passem a ser matérias opcionais. Como se não bastasse, diz o editorial, o projeto de lei ainda prevê punir professores considerados culpados de dogmatismo ou proselitismo e diz que os pais têm direito de escolher a educação que os filhos recebem em relação à moral e as convicções dentro dos lares.

Caça às bruxas

“Muitos garantem que o projeto, se fosse aprovado, seria rejeitado pelos juízes do país pela não-conformidade com a Constituição”, afirma o texto. No entanto, Joffrin escreve que muitos professores temem que essas orientações sejam sobretudo o sinal de uma “caça às bruxas” lançada pelo novo governo para eliminar aqueles que “pensam errado”, ou seja, que estão em conformidade com as Ciências, a Filosofia e os direitos humanos.

“Os militantes do Escola Sem Partido já pedem que os alunos em desacordo com seus professores não hesitem em filmá-los durante as aulas” para denunciá-los, reitera Libération. Uma atitude defendida por Bolsonaro que declarou que os professores deveriam ficar orgulhosos de serem gravados enquanto trabalham.

Prova da inflexibilidade dos defensores do projeto é o comportamento do deputado Eder Mauro, durante reunião, na semana passada, da comissão especial da Câmara que discute o projeto. Pressionado por manifestantes que pediam respeito aos professores, Mauro exigiu que eles se calassem e fazendo gestos com as mãos em forma de armas, simulou o fuzilamento dos opositores.

Gafe?, pergunta Libé. “Parece que não: o gesto imitando um revólver foi um dos símbolos do candidato Bolsonaro durante sua campanha”, conclui o editorial do jornal.

*Com informações da Agência RFI.

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