Salvador: espetáculo Mágico Mar é apresentado na Sala do Coro do TCA

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Cena do espetáculo 'Mágico Mar'.
Cena do espetáculo 'Mágico Mar'.
Cena do espetáculo 'Mágico Mar'.
Cena do espetáculo ‘Mágico Mar’.

Açolina (Simone de Araújo) vive em uma antítese utópica em meio a um ambiente marítimo dominado pelo lixo e ironicamente faz pedidos de S.O.S jogando garrafas em alto-mar. Espiga (Fernando Lopes), um catador de garrafas a encontra e mostra a possibilidade de ter um mar limpo e azul. Este é tempo-espaço de Mágico Mar, espetáculo vencedor do Prêmio Braskem de Teatro de 2016 nas categorias melhor diretor, cenário e atriz, que volta a cartaz para curta temporada na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, de 12 a 14 de outubro de 2018, às 20 horas.

A peça traz uma linguagem em ‘gramêlo’ e embola palavras em português para falar sobre a preservação do meio-ambiente e reutilização de resíduos. Com tom artístico-educativo, Mágico Mar utiliza a poética do clown, efeitos especiais e números de mágica para a construção de sua narrativa. A encenação dirigida por Rino Carvalho criada a partir de um roteiro dramatúrgico de Joice Aglae tem reverberações performáticas e poéticas-gestuais.

O projeto nasceu em 2009 quando Fernando Lopes pesca um Xaréu magro com o estômago preenchido por uma garrafa pet. Lopes, que é palhaço e mágico, declara que o intuito de Mágico Mar é estabelecer uma reflexão sobre as ações humanas e suas consequências na natureza, especialmente no mar. “É sobre como essas ações interferem diretamente na atividade pesqueira e consequentemente nas nossas vidas”, acrescenta.

A mágica é o fio condutor da ação e o humor do palhaço é a linha desta trama que fala de solidão, amor e meio ambiente. “Mágico Mar tem uma estética monocromática – futurista – decadente, onde o lixo predomina o espaço e todos convivem nele normalmente. Tudo isso, dentro de uma língua inventada, em um lugar de um futuro qualquer, ilhado pelo lixo, numa situação de relação entre pessoas solitárias onde o amor e o lixo se transformam”, define Rino Carvalho, artista que já tem mais de 20 anos de carreira.

Direcionado a todos os tipos de público: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos – utiliza o Teatro, Circo, Fotografia e Cinema para abordar o assunto de forma lúdica e poética, provocando a consciência e a responsabilidade de cada cidadão sobre um dos temas mais preocupantes da atualidade: o meio ambiente.

O discurso, os gramêlos, as emboladas palavras em português, a mágica, os efeitos especiais e a palhaçaria somam-se à trilha sonora instrumental elaborada exclusivamente para o espetáculo. Ao todo, foram criadas 10 composições. As músicas de Deco Simões têm colaboração do multi-instrumentista Elinaldo Nascimento e Jelber Oliveira.

Tocando em assuntos como preservação ambiental e reciclagem, a montagem tem o cenário construídos a partir de material recolhido do mar por Fernando Lopes – 70%. Assinada por Maurício Pedrosa, o cenário foi um dos vencedores do Prêmio Braskem de Teatro de 2016. O figurino criado por Rino Carvalho também reaproveitou objetos recolhidos no mar – 30%.

“É desse material descartado que nasce o barco que navega em mar limpo e leva Açolina e Espiga para longe do ambiente dominado pelo lixo. É importante falar que, nossa iluminação, som, efeitos especiais e parte técnica de montagem não utiliza energia do local que nos recebe. Utilizamos baterias recarregáveis, economizando assim, cerca de 90% de energia, se comparado a qualquer outro espetáculo dentro de um teatro” pontua Fernando Lopes.

Projeto

Fernando Lopes, idealizador do projeto Mágico Mar e o Lixo sem Fim, é também praticante de pesca submarina, de onde nasce as primeiras ideias do espetáculo. O projeto traz ainda uma exposição fotográfica chamada ‘29 de junho é Dia do Pescador’, que homenageia esses trabalhadores e tem 60 registros do fotógrafo Darcílio Gajé e estará disponível na Esplanada em frente a Sala do Coro.

Em meio às suas pescas, Fernando Lopes em parceria com Gastão Netto roteirizaram um curta-metragem com nome homônimo ao projeto que é exibido antes de todas as apresentações do espetáculo Mágico Mar. A película traz o personagem Espiga e tem a participação de Renée Codsi, interpretando a mulher. O curta revela o lixo jogado nas praias que consequentemente vai parar no mar.

Agenda

O quê: Mágico Mar e o Lixo sem Fim – espetáculo, curta-metragem e exposição fotográfica

Quando: 12 a 14 de outubro, às 20 horas

Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves – Campo Grande – Salvador

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