Com usurpação democrática do Governo Temer, aposentados não conseguem pagar contas de energia, água, saneamento e gás

Usurpação democrática do Governo Temer faz aumentar inadimplência entre idosos.
Usurpação democrática do Governo Temer faz aumentar inadimplência entre idosos.
Usurpação democrática do Governo Temer faz aumentar inadimplência entre idosos.
Usurpação democrática do Governo Temer faz aumentar inadimplência entre idosos.

Com a estagnação econômica e a restrição orçamentária de milhares de famílias que sofrem com o desemprego, aumentou a taxa de inadimplência entre os brasileiros com mais de 61 anos. Ao menos três milhões de idosos não conseguiram pagar as contas de luz, água e gás em julho deste ano, revela pesquisa da Serasa Experian.

O atraso no pagamento de contas básicas representa 34,3% do total de dívidas de 8,8 milhões de idosos, em julho, mês em que o Brasil registrou um total de 61,6 milhões de inadimplentes. Os idosos estão 14,9 pontos percentuais mais endividados com contas básicas do que a média nacional, que é de 19,4%.

O estudo da Serasa sobre endividamento de idosos revela, ainda, que o total de inadimplentes a partir dos 61 anos cresceu 10% na comparação com julho de 2017, quando o País tinha oito milhões de consumidores endividados nessa faixa etária.

Depois das contas básicas, as dívidas em atraso estão ligadas aos bancos e cartões (27,8%), telefonia (10,7%), financeiras (9%), varejo (7,4%) e serviços (6%). As altas taxas de desemprego e o comprometimento da renda dos aposentados para pagar as dívidas das famílias são o que explicam as dificuldades em pagar contas básicas.

Arrimos de família

De acordo com a técnica da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino, em períodos de crise como a que o País enfrenta, com a queda por dois anos consecutivos do PIB, a dificuldade de recuperação econômica no curto prazo e os recordes nas taxas de desemprego, o aposentado se torna o “arrimo da família”. Ou seja, a garantia de renda fixa ao fim do mês, seja com o benefício que recebe de aposentadoria, seja via empréstimo.

“E os empréstimos consignados contraídos por ele para pagamento de dívidas familiares é descontado direito da aposentadoria. Ele não tem escolha e as contas básicas como a luz, que aumentou muito acima da inflação no último período, não são pagas, porque o orçamento já está comprometido”, explica Adriana.

A economista da Fundação Perseu Abramo, Ana Luiza, reforça a análise feita pela técnica do Dieese. Ela ressalta que muitos desempregados não têm outra alternativa a não ser morar com parentes que têm renda fixa, como é o caso dos aposentados, e isso pode refletir no aumento do endividamento do idoso acima de 61 anos, que passa a responder praticamente sozinho pelas despesas da família.

“Esse dado demonstra a importância da renda proveniente da Previdência Social, sobretudo nesse momento em que há tentativas de justamente restringir ou acabar com o benefício”, diz a economista.

Segundo Ana Luiza, se não fosse a transferência de renda das aposentadorias, 60% dos idosos com 75 anos estariam na pobreza e 40% dos idosos com mais de 65 anos viveriam na extrema pobreza.

BPC

Outro fator que pode prejudicar e causar ainda mais endividamentos entre os idosos é o decreto do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP) que pretende agilizar o corte do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago a pessoas com deficiência ou com mais de 65 anos que tenham renda familiar per capita de até 25% (R$ 238,50) do salário mínimo (R$ 954).

Com o pretexto de acabar com as fraudes, o governo está exigindo de todos os beneficiários o recadastramento até 31 de dezembro de 2018 e reduziu drasticamente o prazo para que os idosos ou pessoas com deficiência apresentem suas defesas em caso de corte do benefício por falta de informações.

O decreto determina que o valor do benefício será bloqueado mesmo que o INSS, responsável pelo pagamento do BPC, não consiga notificar o beneficiário. Só após o bloqueio, se entrar em contato com o INSS, o beneficiário entenderá o motivo pelo qual teve o benefício bloqueado. Além disso, terá apenas dez dias para apresentar a defesa.

Redação do Jornal Grande Bahia
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