Países do golfo Pérsico podem criar moeda comum e reduzir poder internacional do dólar estadunidense

Elevado endividamento do Governo dos Estados Unidos da América gera incerteza sobre o real valor do dólar, como moeda de troca internacional.
Elevado endividamento do Governo dos Estados Unidos da América gera incerteza sobre o real valor do dólar, como moeda de troca internacional.
Elevado endividamento do Governo dos Estados Unidos da América gera incerteza sobre o real valor do dólar, como moeda de troca internacional.
Elevado endividamento do Governo dos Estados Unidos da América gera incerteza sobre o real valor do dólar, como moeda de troca internacional.

Em meio às tensões com os EUA, a Turquia está se preparando para abandonar o dólar nas relações comerciais com seus parceiros principais. A China, a Índia, o Irã e a Rússia também pensam em desistir da moeda americana no comércio. Será que os países exportadores de petróleo do golfo Pérsico seguirão este exemplo?

Abdel Aziz al Arayar, membro do Comitê Consultivo do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo, explicou por que os países árabes não precisam abandonar o dólar.

Segundo Arayar, as moedas dos países do golfo Pérsico, seja o rial, o dinar ou o dirrã, são muito fortes e ligadas ao dólar. Ele sublinha que “o mais importante não é como se chama a moeda, mas que esta seja reconhecida e seja respaldada por uma economia potente”.

Neste sentido, sublinha, os Estados Unidos têm tudo isso.

“Os EUA têm uma economia forte e diversificada e sua moeda é reconhecida em todo o mundo. É o líder mundial na área de produção, agricultura e turismo. Mesmo a China utiliza o dólar no comércio com eles”, afirmou.

A crise atual na Turquia, segundo Arayar, deve-se ao fato de sua economia ser baseada em investimentos estrangeiros. “Logo que os investidores ficaram com dúvidas sobre a estabilidade turca, sacaram seu dinheiro do país”, comentou o especialista, comparando a situação na Turquia com a da Malásia nos anos 90. Para o interlocutor, Ancara á culpada pela sua própria desgraça, enquanto a política de seu líder fez com que o mundo desistisse da lira.

“Passando a realizar comércio em rublos ou em outra moeda, a Turquia não vai se salvar. É preciso restaurar a confiança na economia turca. É preciso diversificá-la, não se pode confiar apenas em investidores estrangeiros”, frisou.

A opinião de Arayar sobre os países do golfo Pérsico é compartilhada pelo economista egípcio Muhammed Abdel Jawad. Como estes países mantêm fortes laços com os Estados Unidos, mesmo que queiram, não podem mudar a situação.

“Para um país sozinho é muito difícil se distanciar do dólar. Mas, se os países do golfo Pérsico decidirem fazer isso em conjunto e introduzirem uma moeda comum, o efeito seria enorme”, ressaltou Jawad.Como exemplo, o economista citou a União Europeia, onde existem 42 línguas, várias religiões, diferentes correntes políticas, monarquias e repúblicas. A sua moeda, o euro, está competindo com sucesso com o dólar e às vezes até o supera. Para o economista, unir os países do golfo Pérsico seria muito mais fácil e, neste caso, teriam uma economia até mais potente, dado que os países europeus dependem de seu petróleo.

“Se os países do golfo Pérsico criassem uma moeda comum, o dólar iria tremer”, concluiu o analista egípcio.

Especialistas do Banco Mundial apontaram ainda em junho para o processo de desdolarização no Irã. Em março, em meio à guerra comercial com Washington, Pequim lançou o comércio de futuros de petróleo em yuanes. Em abril, Teerã abandonou o dólar e optou pelo euro como moeda estrangeira de referência oficial. A Turquia também pensa há muito em abandonar a moeda norte-americana e agora, com a crise nas relações com os EUA, é muito provável que o país ponha os planos em prática.

*Com informação da Sputnik Brasil.

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