Eleições 2018: Mulheres vice-candidatas à presidência da República: oportunismo ou avanço?

Kátia Regina de Abreu (PDT) é candidata a vice-presidente na chapa liderada por Ciro Gomes (PDT).
Kátia Regina de Abreu (PDT) é candidata a vice-presidente na chapa liderada por Ciro Gomes (PDT).
Kátia Regina de Abreu (PDT) é candidata a vice-presidente na chapa liderada por Ciro Gomes (PDT).
Kátia Regina de Abreu (PDT) é candidata a vice-presidente na chapa liderada por Ciro Gomes (PDT).

Nunca houve tantas mulheres participando da disputa presidencial no Brasil. Além de Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU), que encabeçam a disputa em suas chapas, há cinco candidatas à vice-presidência entre as 13 coligações. Em um cenário de pífia representatividade feminina no Legislativo, qual é o significado desse fato?

Para especialistas consultados, ao mesmo tempo em que a cifra reflete um maior debate público por mais participação das mulheres, ela tem um viés de oportunismo político, numa campanha que até agora abordou muito pouco das questões de gênero.

“Por um lado, indica que os partidos começam a perceber que não dá para continuar fazendo política sem mulheres. Por outro, a decisão representa uma estratégia eleitoral para captar o eleitorado feminino, que compõe uma parcela substantiva entre os indecisos”, avalia a cientista política Malu Gatto, pesquisadora da Universidade de Zurique, na Suíça.

As mulheres compõem maioria do eleitorado (52,5%) e a maior parcela de indecisas: segundo a última pesquisa Datafolha, de junho passado, 80% afirmam ainda não ter candidato — 54% indecisas e 26% com a intenção de votar branco ou anular.

O cientista político Pedro dos Santos, professor na Universidade de Saint John, nos Estados Unidos, entende que o aumento do número de mulheres postulantes a vice reflete as limitações dos partidos ao tentarem se apresentar como progressistas ao eleitorado.

“Com as duas vitórias de Dilma Rousseff, os partidos viram que uma mulher pode ser eleita, mas não querem ter mulheres nas cabeças de chapa. Não só no Brasil, mas no mundo todo, o sistema político foi criado por homens e para homens. A entrada de uma mulher significa que um homem vai perder seu lugar”, comenta.

A abertura dos partidos para a presença de mulheres nas chapas presidenciais contrasta com a busca de subterfúgios para driblar a reserva de 30% das candidaturas prevista na Lei das Eleições de 1997. Quando a redação da lei foi alterada e passou a prever a obrigatoriedade dessa garantia, observou-se o surgimento de candidaturas-laranjas – mulheres registradas pelos partidos, muitas vezes sem saberem direito do que se trata, só para que a cota seja atingida.

“Essa lógica de proteção de poder permeia todo o processo eleitoral, da nomeação de candidatos ao apoio às candidaturas. Como as mulheres não fazem parte dos grupos de políticos tradicionais, ficam excluídas. Mesmo quando são selecionadas para cumprir as cotas, não têm apoio para a campanha”, critica Gatto.

No ranking mundial da União Interparlamentar, órgão parceiro da ONU que compila dados sobre parlamentos de 190 países, o Brasil ocupa a 152ª posição em relação ao percentual de parlamentares homens e mulheres na Câmara dos Deputados. É o pior resultado entre os países sul-americanos, e 52 posições abaixo da Arábia Saudita, onde as mulheres só obtiveram o direito de dirigir em junho deste ano.

Em nova tentativa de assegurar uma maior representatividade feminina e restringir as manobras dos partidos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, em maio deste ano, que a cota de 30% prevista em lei também deve valer para a divisão do Fundo Partidário e do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

*Com informações de Deutsche Welle Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
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