Agroecologia é tema de debate entre pesquisadores da Bahia e de Cuba

Agroecologia é tema de debate entre pesquisadores da Bahia e de Cuba.
Agroecologia é tema de debate entre pesquisadores da Bahia e de Cuba.
Agroecologia é tema de debate entre pesquisadores da Bahia e de Cuba.
Agroecologia é tema de debate entre pesquisadores da Bahia e de Cuba.

A troca de experiências sobre Agroecologia, desde a estratégia de produção de alimentos saudáveis para a população de Cuba, ao consagrado método de assistência técnica e extensão rural (ATER) denominado Campesino a Campesino, foi o objetivo do encontro realizado nesta terça-feira (14/08/2018), no Centro de Formação da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em Salvador.

A Roda de Conversa, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia (SDR), contou com a presença de pesquisadores e ativistas da agroecologia cubana, a professora e doutora Leidy Casimiro Rodríguez, reconhecida pesquisadora e camponesa, e o professor Dr. Giraldo Jesús Martín-Martín, diretor da Estación Experimental de Pastos y Forrajes “Indio Hatuey”. Participaram também pesquisadores, técnicos e dirigentes da SDR e técnicos de diversos órgãos públicos do Estado da Bahia.

A reunião antecede o II Encontro Baiano de Educação do Campo: ataques do conservadorismo e experiências contra-hegemônicas, que acontece no período de 15 a 17 de agosto, no Teatro da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus I, em Salvador.

A filha de camponeses, agricultora familiar, professora e doutora, Leidy Rodríguez, salientou que a agroecologia é uma ciência, partindo do princípio de desenvolvimento de sistemas sustentáveis e resilientes, e uma prática que trabalha a recuperação e preservação dos recursos naturais, unindo conhecimentos ancestrais da produção de alimentos, além de ser uma causa para movimentos sociais que lutam pela soberania alimentar da população: “Com a transição agroecológica, os territórios podem recuperar tradições e culturas, em alguns contextos perdidas, e fortalecer a capacidade de gerar uma riqueza na produção de alimentos com recursos disponíveis localmente,  circuitos de comercialização, fomentando a agricultura familiar, como principal eixo para o desenvolvimento de uma realidade sustentável e resiliente”.

A pesquisadora afirmou que agroecologia pode multiplicar a força da agricultura familiar, pela sua história, cultura, tradição e pela produção de alimentos limpos e saudáveis: “A agricultura familiar deve ser apoiada não só por políticas públicas, mas também por consumidores que devem se sentir responsáveis, devem saber que a agricultura familiar é fundamental para uma sociedade mais justa e equilibrada, que protege os recursos naturais, com o compromisso de fomentar que a agricultura seja também favorável para quem vive no campo, para que possam ser prósperos, felizes, e com a agroecologia isso é possível.

Durante o evento, os professores ressaltaram ainda que a experiência de agroecologia no Brasil é positiva e apresentaram uma contextualização histórica das consequências revolução verde que ocorreu em Cuba, especialmente no ano de 1989, entre eles a perda da diversidade biológica, salinização do solo, e forte impacto na economia nacional. Daí buscaram novas formas orgânicas de fertilização, conservação do solo. Atualmente, cerca de 80% da produção dos alimentos consumidos em Cuba são de origem agroecológica e a maior parte desses produtos é da agricultura familiar.

Os participantes puderam esclarecer dúvidas e debater sobre temas como mecanização agrícola, contexto político e social, transgênicos, insumos químicos, processos de agroindustrialização, agricultura urbana, uso de tecnologias e uso de metodologias que gerem resultados na produção de alimentos agroecológicos.

O coordenador de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex/SDR), destacou que a Roda de Conversa promoveu um importante debate entre grupos que têm os mesmos objetivos, com relação à situação dos agricultores familiares e dos desafios da agroecologia. “Essa é mais uma oportunidade de unir conhecimentos experimentais e/ou tradicionais com conhecimentos técnico-científicos. Além das ricas experiências e dicas interessantes, os pesquisadores apresentaram também caminhos já superados e avanços conquistados por Cuba, como a Metodologia Campesino-Campesino, que consiste na promoção, organizada de um intercâmbio de conhecimentos dos agricultores familiares, com um estimulando o outro a pensar e a fazer ciência no cotidiano”.

Redação do Jornal Grande Bahia
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