Copa do Mundo 2018: Bélgica será primeira prova de fogo do Brasil

Defesa brasileira faz Copa impecável e tem em Thiago Silva, autor de um gol contra a Sérvia, sua maior redenção.Defesa brasileira faz Copa impecável e tem em Thiago Silva, autor de um gol contra a Sérvia, sua maior redenção.
Defesa brasileira faz Copa impecável e tem em Thiago Silva, autor de um gol contra a Sérvia, sua maior redenção.

Defesa brasileira faz Copa impecável e tem em Thiago Silva, autor de um gol contra a Sérvia, sua maior redenção.

Talentosa geração belga e reformulada seleção brasileira fazem o duelo do melhor ataque contra a melhor defesa. Em jogo estão também os projetos táticos iniciados quase simultaneamente por Tite e Roberto Martínez.

O duelo entre Brasil e Bélgica, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, será a primeira verdadeira prova de fogo no torneio para duas seleções recheadas de talentos, mas que têm se destacado por qualidades bem distintas. A partida desta sexta-feira (06/07), em Kazan, reserva o confronto do melhor ataque contra a melhor defesa do Mundial na Rússia.

O encontro da talentosa geração belga e da reformulada seleção brasileira coloca frente a frente jogadores que se conhecem muito bem, que são protagonistas dos principais clubes da Europa e, em muitos casos, colegas de equipe ou adversários em ligas nacionais. Ambos os lados possuem informações sobre qualidades e fraquezas – não há segredos nem surpresas.

A seleção brasileira conta com a volta de Marcelo na lateral-esquerda. O suspenso Casemiro será substituído por Fernandinho. A ausência de Casemiro é importante, porque o volante do Real Madrid é peça fundamental no sistema defensivo – seu posicionamento à frente de Thiago Silva e Miranda permite uma constante superioridade numérica no setor. Com a entrada de Fernandinho, o Brasil perde em poder de marcação, mas ganha em qualidade na saída de jogo. A Bélgica não tem desfalques.

A base dos Diabos Vermelhos é formada por atletas que atuam na liga inglesa, onde também jogam Willian, Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Danilo e Ederson. Os meias Philippe Coutinho, que até outrora defendia o Liverpool, e Paulinho são companheiros do defensor Thomas Vermaelen no Barcelona. Miranda, Douglas Costa e Alisson enfrentam Dries Mertens no Campeonato Italiano. Além disso, Neymar, Thiago Silva e Marquinhos são colegas do lateral Thomas Meunier. De quebra, Renato Augusto enfrenta Axel Witsel e Yannick Ferreira Carrasco na liga chinesa.

Os êxitos de Tite e Martínez

O duelo de talentos é também o tira-teima de dois projetos que foram iniciados quase simultaneamente. Os treinadores Tite e Roberto Martínez assumiram as seleções de Brasil e Bélgica em meados de 2016 e, curiosamente, estrearam no mesmo 1º de setembro – Tite venceu o Equador, enquanto Martínez perdeu para a Espanha, a única derrota do treinador espanhol no comando dos Diabos Vermelhos.

Ambos tiveram como objetivo recuperar a credibilidade de suas seleções. Enquanto Tite assumiu uma seleção brasileira desacreditada, sob a sombra da vexatória derrota por 7 a 1 no Mundial de 2014, Martínez buscou recuperar a autoconfiança da elogiada geração belga depois da campanha frustrante na Eurocopa de 2016, quando foram eliminados pelo País de Gales.

Os trabalhos de Tite e Martínez mostraram resultados, ainda que distintos. A Seleção ostenta a fama de possuir o melhor sistema defensivo do mundo: em 25 partidas sob o comando de Tite, o Brasil sofreu somente seis gols – na Copa, apenas um. Tite deu à seleção brasileira uma estrutura tática que permite variações estratégicas durante uma partida e conseguiu recuperar atletas, como Thiago Silva, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto e, num sentido coletivo, até Neymar.

Thierry Henry como mentor

Com 54 gols em 25 partidas, o ataque brasileiro ostenta uma estatística respeitável, mas visivelmente inferior aos 76 gols em 24 jogos assinalados pela Bélgica – média de 3,1 por jogo. O poderio ofensivo dos belgas certamente se deve à presença do francês Thierry Henry na comissão técnica. O carrasco do Brasil em 2006 e principal jogador do avassalador Arsenal campeão inglês invicto em 2004 exerce a função de ajudar na evolução mental e técnica da equipe.

Coincidência ou não, os números mostram que a seleção belga aprendeu a vencer e a marcar gols. Desde que a dupla Martínez-Henry assumiu os Diabos Vermelhos, o atacante Romelu Lukaku marcou 24 dos 40 gols que anotou pela seleção.

“Quando éramos crianças não tínhamos condição de ver o Henry em dias de jogo. E agora aprendo com ele todos os dias na seleção. Estou ao lado de uma lenda que me diz como correr em espaços do campo como ele costumava fazer”, disse Lukaku, em carta publicada pelo The Players Tribune. Eden Hazard, por exemplo, marcou em dez meses 10 dos 24 gols que tem pela Bélgica em dez anos. Com 12 gols, os belgas têm o melhor ataque da Copa – cinco a mais que o Brasil.

Por outro lado, a defesa belga não é das mais seguras. Nestes mesmos 24 jogos, a Bélgica sofreu 21 gols – na Copa são quatro. A Bélgica atua geralmente com uma linha de três defensores e apenas um volante: Axel Witsel. Os alas Carrasco e Meunier avançam bastante. Mas, certamente, Martínez deve efetuar mudanças para proteger mais a defesa – a expectativa é que Marouane Fellaini entre no lugar de Mertens, o que, em contrapartida, deve dar mais liberdade ofensiva para Kevin De Bruyne.

De forma resumida, Brasil e Bélgica representam o duelo do talento com uma estruturação mais sólida e organizada contra o talento mais letal e mais versátil. O jogo em Kazan coloca frente a frente o melhor contra-ataque do mundo e a defesa mais intransponível da Copa – a Seleção sofreu apenas quatro finalizações na Copa, uma média de um chute à meta defendida por Alisson por jogo.

Gol de Wilmots não foi esquecido

O histórico entre Brasil e Bélgica é curto – são apenas quatro confrontos. Em três amistosos, a Bélgica venceu o primeiro (5 a 1, em 1963), enquanto a Seleção venceu os outros dois (5 a 0, em 1965, e 2 a 1, em 1988).

O único confronto em Copas ocorreu nas oitavas de final em 2002. A partida, considerada por muitos, inclusive pelo então treinador Luiz Felipe Scolari, como a mais complicada da campanha do pentacampeonato mundial, poderia ter tido um desfecho diferente. Quando o jogo estava 0 a 0, Marc Wilmots marcou de cabeça, mas o árbitro viu uma falta do atacante belga em Roque Júnior – um erro que teria sido corrigido caso já existisse a assistência do vídeo árbitro (VAR).

“A primeira lembrança é o nome do árbitro: Peter Prendergast. Para que eu lembre o nome de um árbitro, só pode ser um momento memorável”, disse o zagueiro Vincent Kompany. “A única coisa que todos os belgas lembram é da cabeçada de Wilmots e o que aconteceria se o gol não fosse anulado.” Bem humorado, o zagueiro do Manchester City desmentiu um sentimento de revanche, mas admitiu que o duelo com o Brasil pode marcá-los.

“Geração dourada é uma coisa que nós, jogadores, não damos muita importância. Mas o jogo com o Brasil definirá nossa geração, com certeza”, disse. “Num mundo ideal, com certeza nós adoraríamos poder impor nosso jogo. Mas o Brasil não é uma equipe que ataca o tempo todo neste torneio. É uma equipe sólida e bem organizada. Nós também temos que ser pragmáticos.”

A (ainda) verdadeira geração de ouro

Caso elimine o Brasil, a Bélgica igualará sua melhor campanha em Copas do Mundo. Em 1986, os Diabos Vermelhos alcançaram as semifinais – na ocasião perderam para a futura campeã mundial Argentina por 2 a 0. Até hoje, aquela geração é considerada a verdadeira geração de ouro do futebol belga.

Com jogadores renomados como o goleiro Jean Marie Pfaff, os defensores Eric Gerets, Michel Renquin e Franky van der Elst, os meias Frank Vercauteren, Jan Ceulemans, Enzo Scifo e René Vandereycken, a Bélgica teve resultados expressivos na década de 1980. Os Diabos Vermelhos foram vice-campeões da Eurocopa de 1980, venceram a atual campeã mundial Argentina na estreia da Copa de 1982 e ficaram em quarto lugar no Mundial de 1986.

*Com informações do Deutsche Welle.

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