Salvador: espetáculo Espelho para Cegos retorna com duas únicas apresentações no Teatro Vila Velha

Cena do espetáculo 'Espelho Para Cegos'.
Cena do espetáculo 'Espelho Para Cegos'.
Cena do espetáculo 'Espelho Para Cegos'.
Cena do espetáculo ‘Espelho Para Cegos’.

Na interseção entre a linguagem audiovisual, teatral e a música original de João Milet Meirelles, a segunda edição de ‘Espelho para Cegos’ (montado anteriormente pela universidade Livre de teatro vila velha em 2014) atualiza a investigação sobre os mecanismos de um sistema que faz a lavagem cerebral, manipula, silencia, corrói, isola, devora e tira vidas para combater quaisquer ameaças à sua perpetuação. No espetáculo do histórico grupo Teatro dos Novos, o encenador Márcio Meirelles traz à tona as discussões do texto ‘Teatro Decomposto ou O Homem-Lixo’, do dramaturgo romeno Matéi Visniec. “O que está no palco é o que vivemos: a cidade vazia, fechada em círculos, pessoas fugindo para outros lugares. Um sistema de forças em decomposição, que leva ao marasmo indolente e à permanência de tudo como está”, reflete Meirelles. As apresentações serão realizadas nos dias 29 e 30 de junho de 2018, às 20 horas. Ingressos à venda na bilheteria e no site www.teatrovilavelha.com.br

Os novos atores do Teatro dos Novos dão outra vida e novas aflições aos personagens de Matéi. De suas bocas escorrem narrativas de seres e máquinas irreais, como o animal-chuva, o homem-lixo, as borboletas carnívoras, os caracóis pestilentos, a louca lúcida. Todos metáforas de uma engrenagem que encontra representação numa humanidade oca, apática, entorpecida por seus hábitos, consumos e crenças. Trazer esse discurso em novos corpos e sujeitos reinstala outras possibilidades de leitura e reedita a encenação de Márcio Meirelles de múltiplas formas, através de um espetáculo que tem origem e continuidade no cruzamento entre diferentes gerações de artistas: Chica Carelli e o Teatro dos Novos (1959), os artistas egressos da universidade Livre (2013) e o ator Will Brandão formam agora um mesmo corpo de ideias, diálogos, signos e significados.

“A originalidade da montagem e a coragem de propor outra coisa, de propor um lado interessante que provoque a imaginação do espectador, que o faz embarcar na história. Porque nessa montagem o ator se sente quase ator, se sente implicado na história, ele é testemunha. Concordo plenamente com a abordagem de Márcio e acredito, como ele, que o teatro pode ser um meio de educação popular, uma terapia social, uma forma de entender o mundo, a complexidade da alma humana, as contradições da sociedade e também a nossa personalidade”, analisa o dramaturgo Matéi Visniec.

A relação dos textos de Visniec com a direção de Márcio Meirelles dilui fronteiras que possam haver no encontro de um artista brasileiro com um artista romeno (radicado na França). Há um compartilhamento de visões de mundo que convergem e se materializam nas muitas encenações de Meirelles para a obra do Matéi: além de ‘Espelho para Cegos’, já foram encenados ‘Por Que Hécuba’, ‘A História dos Ursos Pandas’, ‘A Mulher como Campo de Batalha’, ‘As Palavras de Jó’, ‘Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias’ e ‘O Último Godot’.

Agenda

O quê: espetáculo ‘Espelho Para Cegos’ – 2ª edição – Vila na Copa e Cozinha

Quando: 29 e 30 de junho, às 20 horas

Classificação etária: 14 anos

Duração: 1:30 hora

Ingressos à venda na bilheteria e no site: www.teatrovilavelha.com.br

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