Salvador: Audiência Pública O Vila Reage e se Reinventa é realizada próxima ao aniversário de 54 anos do Teatro Vila Velha

Fachada do Teatro Vila Velha, em Salvador.
Fachada do Teatro Vila Velha, em Salvador.
Fachada do Teatro Vila Velha, em Salvador.
Fachada do Teatro Vila Velha, em Salvador.

Inaugurado em 1964 pela Sociedade Teatro dos Novos, o Teatro Vila Velha completa 54 anos no dia 31 de Julho. Em mais de meio século de atividade, estabeleceu-se como um patrimônio da Cidade de Salvador e da cultura brasileira, sendo desde sempre um local de experimentação e convergência de diferentes criadores e linguagens artísticas. E também um palco que acolhe e amplifica demandas da sociedade civil organizada, seja na promoção de debates por direitos sociais, na crítica às estruturas do poder político ou no enfrentamento de preconceitos e injustiças históricas.

Em homenagem a essa trajetória de criação e questionamento constantes, acontece na quarta-feira (13/06/2018), a Audiência Pública O Vila Reage e se Reinventa, proposta pelos deputados estaduais Neusa Cadore (PT/BA) e Marcelino Galo (PT/BA), às 9 horas, no palco principal do teatro. Na ocasião, a coordenação e a direção artística da casa fazem um rápido diagnóstico da situação do Vila Velha que, como ocorre com outras instituições culturais no Brasil, trava uma batalha para manter-se atuante como espaço plural, num contexto de homogeneização de pensamento e do consumo de arte adestrado pela indústria cultural.

O Vila não é e não quer ser apenas um teatro de pautas, mas um teatro de ideias e de causas. Ainda em seus primeiros anos, durante a ditadura militar, acolheu artistas e estudantes perseguidos pelo regime de exceção, além de abrigar encontros do movimento estudantil. Já em seu primeiro ano de existência encenou o espetáculo Eles Não Usam Bleque-Tai, o texto-libelo de texto de Gianfrancesco Guarnieri denunciando as opressões contra a classe trabalhadora no país.

Também realizou espetáculos históricos para a Música Popular Brasileira, como o Nós, Por Exemplo, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Em seu palco foram julgadas e aprovadas as anistias políticas do cineasta Glauber Rocha e do guerrilheiro Carlos Marighella, quando o Estado Brasileiro pediu desculpas a suas famílias pelos atos criminosos durante o regime militar.

Hoje o Vila é um ponto de cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura (MINC), de quem já recebeu a medalha Ordem do Mérito Cultural do MINC. E permanece lar de importantes companhias teatrais brasileiras, como o Bando de Teatro Olodum e a histórica Companhia Teatro dos Novos. Também já diversos grupos da cena teatral baiana, como o Vilavox e a Companhia Novos Novos – hoje com sedes próprias – e o Viladança e o Vivadança Festival Internacional, que colocou a Bahia no circuito internacional de dança. Ainda apoia iniciativas de outros municípios como o grupo NATA (Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), a Cia Teatro da Queda (RJ).

Para continuar sendo um local de atração, diálogo e compartilhamento de ideias nos campos da arte e da cidadania o teatro lançou este ano o projeto O Vila se Reinventa. Uma estratégia inédita em sua organização, programando um calendário de novas montagens e reposições do seu repertório até o final do ano e a compra antecipada de ingressos. Essa ação beneficia tanto o expectador de Salvador quanto o de outras cidades, que queira planejar sua ida ao teatro, quanto o próprio teatro, que consegue antecipar recursos importantes para sua manutenção.

Ainda no escopo da iniciativa ampliou sua Universidade Livre, programa de formação profissionalizante que existe desde 2005, reestruturando sua metodologia e diversificando suaTC pedagogia, sempre atenta ao eixo estruturante da concepção de que a teoria vem da prática e o processo é o produto.

A estrutura do Teatro Vila Velha conta com um palco principal com capacidade para até 400 expectadores; um palco secundário, O Cabaré dos Novos, com capacidade para até 100; uma área de exposição de artes visuais, próxima ao foyer, salas de ensaio e uma oficina cenográfica O local recebe diariamente diversos públicos, desde os espectadores de seus espetáculos, ou dos espetáculos abrigados pelo Teatro, quanto artistas de diferentes linguagens, estudantes de seus curso e oficinas, pesquisadores de teatro e arte, além do público de artes visuais.

Confiante em sua história e capacidade de se recriar, o Teatro Vila Velha lançou O Vila se Reinventa como um desafio, tanto ao futuro incerto, quanto ao presente de condições precárias ao exercício dessa arte tão importante quanto antiga. Para seu diretor artístico, Márcio Meirelles, reside nessa esperança a beleza das artes do palco: “o teatro se reinventa sempre ou não é teatro, se recria para continuar a ser o que foi talhado para ser”, acredita Marcio.

Redação do Jornal Grande Bahia
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