Ranking aponta declínio da paz no mundo

Tanques em Duma, na Síria país aparece na última posição de ranking da paz.
Tanques em Duma, na Síria país aparece na última posição de ranking da paz.
Tanques em Duma, na Síria país aparece na última posição de ranking da paz.
Tanques em Duma, na Síria país aparece na última posição de ranking da paz.

Índice Global da Paz indica quarto ano de tendência negativa mundo afora. Mortes em conflitos aumentaram, e até Europa está menos pacífica. Apesar de salto no ranking, corrupção e instabilidade preocupam no Brasil.

O mundo ficou menos pacífico no ano passado, aponta o Índice Global da Paz (IGP) de 2018, divulgado nesta quarta-feira (06/06/2018) pelo Instituto para Economia e Paz (IEP). Este foi o quarto ano seguido de tendência negativa.

O índice de paz de 92 nações caiu em 2017, enquanto houve uma melhora em 71 países, aponta Steve Killelea, fundador e diretor do IEP. Segundo ele, em geral, a paz no mundo diminuiu nos últimos dez anos.

Para Killelea, isso ocorre principalmente por causa de conflitos no Oriente Médio. De acordo com o IGP, essa região e o norte da África são as menos pacíficas do mundo. Na última posição do ranking, que avaliou 163 países, está a Síria, precedida por Afeganistão, Sudão do Sul, Iraque e Somália.

América do Sul e Brasil

O estudo destaca que a América do Sul foi a quarta região mais pacífica do mundo pelo segundo ano consecutivo, apesar de uma leve deterioração de seu índice geral.

Houve melhoras nas categorias segurança e conflitos em andamento, mas, ao mesmo tempo, aumentou a militarização da região. O estudo aponta os problemas na Venezuela, assolada por uma crise econômica e política, como fatores prejudiciais à paz na América do Sul.

O IEP também destaca que a região tem um dos maiores índice de homicídios do mundo, ficando atrás apenas da América Central e do Caribe.

“Corrupção e criminalidade se tornaram profundamente desestabilizadoras na América do Sul, como se vê no escândalo da Lava Jato, no Brasil, ou nas propinas pagas pela gigante Odebrecht, que implicou políticos em sete nações sul-americanas”, diz o levantamento.

O país da região em que se registrou uma melhora mais significativa no índice da paz foi a Argentina, seguido por Colômbia e Brasil. O Brasil aparece no 106º lugar do ranking, tendo subido uma posição.

“Apesar de uma onda de escândalos de corrupção, sinais de recuperação da recessão de três anos no Brasil levantaram os ânimos no país”, diz o estudo. “No entanto, o nível de instabilidade política permanece elevado, e alegações de corrupção contra pessoas próximas ao presidente Michel Temer estão se acumulando.”

Europa Ocidental menos pacífica

A região apontada como a mais pacífica do mundo é a Europa. Entre os cinco países no topo do ranking, quatro estão na região: Islândia (1º lugar), Áustria (3º), Portugal (4º) e Dinamarca (5º). A Nova Zelândia aparece na 2ª posição. A Alemanha ocupa o 17° lugar na lista.

Ainda assim, segundo o IEP, o índice de paz na Europa está em declínio. De acordo com Killelea, desta vez foi a Europa Ocidental que caiu no ranking, enquanto a Europa Oriental melhorou. “Vinte e três dos 36 países da Europa pioraram [no ranking] ao longo do último ano”, disse.

O IGP é calculado com base em 23 indicadores em três áreas: “segurança na sociedade”, “conflitos em andamento” e “militarização”. Por exemplo, no campo da segurança na sociedade, os pesquisadores do IEP olham para os índices de homicídios, a quantidade de presos e policiais e a percepção a criminalidade, além do número de soldados, os gastos militares em relação ao PIB e eventuais exportações de armas.

Menos armamento, mais vítimas de terrorismo

Embora a Europa esteja sob pressão do governo americano para aumentar seus gastos com armamento, a tendência é de queda nos gastos com defesa, explica o fundador do IEP.

“Nos últimos dez anos, 104 países cortaram seus gastos de defesa em relação ao PIB e 115 países reduziram o número de militares”, disse.

Ao mesmo tempo, olhar para os últimos dez anos revela que a intensidade dos conflitos aumentou significativamente. Segundo Killelea, “o número de mortes nos campos de batalha do mundo aumentou 246%, e as vítimas fatais do terrorismo aumentaram 203% na última década”.

África subsaariana

As maiores mudanças positivas no IGP foram registradas na África subsaariana. Gâmbia saltou 35 posições no ranking, a melhoria mais chamativa do índice. Libéria, Burundi e Senegal também estão entre os cinco países que mais registraram mudanças positivas no ranking.

Neste ano, o IGP introduziu uma nova categoria: “paz positiva”. Essa categoria não caracteriza a paz meramente como a ausência de conflito e guerra. “Paz positiva” também examina as estruturas, os fatores sociais e as instituições que contribuem para sociedades pacíficas. E o que é bom para a paz também é bom para a economia, enfatiza Killelea.

“Cada ponto percentual de melhoria na paz positiva caminha lado a lado com um crescimento de 1,8% no PIB”, disse. Por outro lado, além de causarem sofrimento humano, os custos econômicos de um conflito, guerra ou da violência são gigantescos. Segundo o IGP, guerras e conflitos custaram no ano passado impressionantes 2 mil dólares por cada habitante do planeta.

*Com informações da Agência Brasil.

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