Dívida pública da Itália é a maior da zona do euro | Por Zeitgeist

Em 22 de abril de 2018, ministro Vinicius Lummertz participa da Cerimônia de inauguração do busto do Marechal Mascarenhas de Moraes , comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB ), em Porreta Terme, Itália.
Em 22 de abril de 2018, ministro Vinicius Lummertz participa da Cerimônia de inauguração do busto do Marechal Mascarenhas de Moraes , comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB ), em Porreta Terme, Itália.
Plenário do Parlamento Europeu. Crise da dívida pública da Itália coloca em risco economia da Zona da Euro.
Plenário do Parlamento Europeu. Crise da dívida pública da Itália coloca em risco economia da Zona da Euro.

O endividamento da Itália alcança 2,3 trilhões de euros e é maior do que o da Alemanha ou da França. Na comparação com o PIB chega a 132%. Se o país quebrar, um resgate como o da Grécia seria impossível.

A Itália é, depois da Alemanha e da França, a terceira maior economia da zona do euro, com um Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8 trilhão de euros. Porém, quando o parâmetro é dívida pública, os italianos passam para a primeira posição na área da moeda comum.

São 2,3 trilhões de euros em dívidas, mais do que a Alemanha, que deve 2 trilhões, mas tem um Produto Interno Bruto (PIB) que é o dobro do italiano, de 3,5 trilhões de euros. Além disso, os juros dos títulos alemães estão em queda, quando não chegam a ser negativos, ao passo que os italianos estão aumentando. E, com eles, sobe também a dívida total.

Percentualmente, a Itália deve o equivalente a 132% do seu PIB. Isso significa que tudo o que o país produz em um ano não bastaria para pagar o que o governo deve, se fosse o caso de pagar tudo de uma vez.

Na zona do euro, esse percentual só fica abaixo do endividamento da Grécia, que equivale a 177% do PIB. Outros países também têm altos endividamentos, como Portugal, com 132%, Espanha, com 103%, e França, com 96%. A dívida da Alemanha corresponde a 71% do PIB do país.

Pelas regras que a União Europeia criou para si mesma com o Tratado de Maastricht, a dívida pública dos países-membros não poderia passar de 60% do PIB. Ou seja, não só a Itália, mas todas as grandes economias desrespeitam essa regra, e já há anos.

Economistas apontam o descumprimento contínuo dessas regras como um dos principais riscos para o euro. A outra regra de Maastricht diz que o déficit público anual (na prática as dívidas contraídas no ano) não pode passar de 3% do PIB. Também essa regra costuma ser frequentemente desrespeitada por vários países.

Efeito cascata

Por colocar o euro em risco, a enorme dívida pública da Itália é um problema para todos os países que adotam a moeda europeia. Um outro risco inerente à dívida italiana é que muitos bancos europeus são credores da Itália. Instituições francesas, por exemplo, são credoras de 310 bilhões de euros (incluindo empréstimos ao Estado e a empresas italianas). Bancos italianos também emprestaram muito dinheiro ao Estado. Só no caso do Generali são 63 bilhões de euros.

Todos os economistas concordam que, se a Itália tiver problemas semelhantes aos da Grécia, não poderá ser resgatada pelos demais países da UE por ter uma economia quase dez vezes maior do que a da Grécia.

E o problema é que, como os últimos dias mostraram, o risco de uma insolvência da Itália existe e se torna bem concreto se, por exemplo, os juros subirem rapidamente. Esta semana, títulos de cinco anos somente conseguiram ser negociados com juros de 2,3%, bem mais do que os 0,6% de alguns dias atrás.

Se essa tendência se mantiver, a Itália logo não conseguirá mais obter dinheiro nos mercados internacionais, a exemplo do que aconteceu com a Grécia, que em 2010 foi obrigada a recorrer a um pacote de resgate porque investidores apenas aceitavam comprar títulos gregos se o retorno em juros fosse muito alto.

Só que, no caso da Itália, os demais países não teriam os recursos necessários para ajudar. O PIB italiano é de 1,8 trilhão de euros. O da Grécia é de meros 195 bilhões. O Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), criado durante a crise grega, dispõe de 400 bilhões de euros. Isso dá para ajudar a Grécia, mas fica bem aquém do que seria um resgate para a Itália.

Sinais positivos na economia

A situação da dívida pública italiana, porém, não é nova. Já no início do euro, em 1998, o endividamento do governo italiano era visto como um problema para o país adotar a moeda. Na época, o Instituto Monetário Europeu, antecessor do Banco Central Europeu, já reclamava que a dívida pública, então em 121% do PIB, estava bem acima dos 60% determinados.

Nos últimos anos, o que ajudou a Itália – e também outros países europeus – a manter suas dívidas sob controle foi a polêmica decisão do Banco Central Europeu de comprar títulos da dívida pública de países do euro. Desde que passou a ser adotada, em 2015, a medida ajudou a reduzir os juros pagos por esses títulos, o que vale também para os papéis italianos.

Porém, como os italianos gostam de ressaltar, apesar da dívida pública constantemente elevada, o país nunca esteve perto de quebrar. Muitos economistas concordam com essa observação e lembram que a atual performance da economia italiana é boa. O PIB deverá crescer 1,5% este ano, e o déficit público de 2017 foi de 2,3%. Uma nova reforma no mercado de trabalho e também uma reforma no sistema de impostos poderiam ajudar o país a estabilizar suas finanças, afirmam.

A coluna Zeitgeist é publicada pelo Deutsche Welle (DW). Ela oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

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