Brasil sumiu do cenário internacional após golpe | Por Celso Amorim

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Celso Amorim: eu ouvi de pessoas importantes do mundo de pensamento político francês, inclusive de ex-ministros, que o Brasil faz muita falta dentro desse processo de busca da multipolaridade.
Celso Amorim: eu ouvi de pessoas importantes do mundo de pensamento político francês, inclusive de ex-ministros, que o Brasil faz muita falta dentro desse processo de busca da multipolaridade.
Celso Amorim: eu ouvi de pessoas importantes do mundo de pensamento político francês, inclusive de ex-ministros, que o Brasil faz muita falta dentro desse processo de busca da multipolaridade.
Celso Amorim: eu ouvi de pessoas importantes do mundo de pensamento político francês, inclusive de ex-ministros, que o Brasil faz muita falta dentro desse processo de busca da multipolaridade.

Queria hoje falar de dois aspectos da realidade brasileira: um mais ligado à parte internacional, porque eu acabei de chegar da França, onde eu pude sentir a angústia de muita gente. E essas pessoas não são nem necessariamente simpatizantes do PT, do presidente Lula, nem são de esquerda.

Mas há preocupação com o verdadeiro sumiço do Brasil do cenário internacional, quando não é ainda pior do que isso e tem uma posição negativa. Eu ouvi de pessoas importantes do mundo de pensamento político francês, inclusive de ex-ministros, que o Brasil faz muita falta dentro desse processo de busca da multipolaridade.

Inclusive nesse momento crítico que vivemos, com as atitudes inesperadas do presidente dos EUA, algumas depois ele volta atrás, e isso atinge também a nossa região, como é o caso da Venezuela. E todo esse desenvolvimento, eles sentem falta de uma força moderadora do Brasil justamente através desse poder brando que o Brasil tinha e introduzia na condução da multipolaridade.

Eu ouvi esse comentário de várias pessoas, inclusive do ex-ministro de Relações Exteriores francês, o Dominique De Villepin, que ficou muito famoso pela sua ação muito forte e firme contra a invasão do Iraque pelos EUA em 2003.

Eu sinto que há uma crescente perplexidade e angústia com essa situação do Brasil, porque todos reconhecem também que essa inação, essa passividade decorre da ausência de legitimidade do governo. Portanto, tem a ver com a necessidade de restaurar a democracia no Brasil – o que passa necessariamente pela libertação de Lula e pela garantia de seu direito de ser candidato. É algo essencial para que o Brasil possa ter o tipo de ação que teve no passado e da qual o mundo sente falta.

Mas voltando aqui à realidade brasileira, teve recentemente um fato muito positivo, que foi a absolvição da presidenta do PT, a senadora Gleisi Hoffmann. Isso me leva a uma reflexão, que aliás não é originalmente minha, tenho conversado bastante com as pessoas, mas quem levantou essa ideia foi um jornalista chamado Edmundo Oliveira, que trabalha atualmente na assessoria do PT aqui em São Paulo.

Na realidade essa absolvição da senadora Gleisi nos leva a refletir sobre todos os procedimentos da Lava Jato, a maneira de agir, o tipo de prova, o uso da delação, e agora essa questão do dia 26, que é mais um recurso da libertação do presidente Lula enquanto não se julga o mérito.

Era uma oportunidade para que o nosso Supremo Tribunal Federal, já que ele tem inovado, as vezes de maneira não tão positiva, mas nesse caso, já que ele tem inovado, inove positivamente, ao invés de se limitar a questões formais de procedimento, se houve ou não tal aspecto, que ele entre na matéria, que ele atenda a esse apelo que tem sido feito pelo presidente Lula, ele quer uma prova, a prova real de um ilícito cometido. Ou não há?

Eu acho que o Supremo deve isso ao Brasil. Em um caso como esse você não pode ficar nos procedimentos jurídicos, um caso de tanta importância para o futuro do Brasil. Essa é uma chance do Supremo entrar no conteúdo da matéria, examinar e, à luz do que ele tem resolvido em outras situações, em relação à condução coercitiva, mas muito especialmente em relação à senadora Gleisi, que ele possa, quem sabe, tomar uma decisão que permita o que todos nós desejamos, que é uma reconciliação entre os brasileiros, reconciliação essa que só concretará com eleições livres e irrestritas.

*Celso Amorim é diplomata de carreira e serviu como ministro das Relações Exteriores nos governos Itamar Franco (1993–1994) e Lula (2003–2010) e como ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff (2011–2014). Em 2009, foi eleito pela revista Foreign Policy como “melhor ministro das Relações Exteriores do mundo”.

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