Imprensa da Europa descreve Brasil “em curto-circuito” com greve dos caminhoneiros

Manifestação contra os preços abusivos, no escritório da PETROBRAS na Avenida Paulista.
Manifestação contra os preços abusivos, no escritório da PETROBRAS na Avenida Paulista.
Manifestação contra os preços abusivos, no escritório da PETROBRAS na Avenida Paulista.
Manifestação contra os preços abusivos, no escritório da PETROBRAS na Avenida Paulista.

Os principais jornais europeus continuam falando da greve dos caminhoneiros brasileiros nesta quarta-feira (30/05/218), décimo dia do movimento. A imprensa lembra que a mobilização ganha apoio dos petroleiros, que paralisam por 72 horas.

Em matéria publicada nesta manhã em seu site, o diário El Pais diz que se for fazer um resumo, o Brasil se tornou nos últimos dias “um país de 209 milhões de pessoas em curto-circuito devido à greve dos caminhoneiros”, furioso com a alta dos combustíveis e que conseguiram parar o país bloqueando as estradas e as entregas de mercadorias.

Segundo El Pais, a pressão foi tamanha que o presidente Michel Temer foi obrigado a aceitar as exigências da categoria – reduzindo o preço do litro do diesel em 46 centavos durante 60 dias e eliminando a cobrança dos pedágios nos eixos bloqueados pelos caminhões. As concessões não foram suficientes – reitera o jornal – e os caminhoneiros continuam a greve, apoiados agora pelo petroleiros, um movimento “fermentado por disputas políticas”, a cinco meses da eleição presidencial, lembra El Pais.

O site do jornal português Público se surpreende com os pedidos dos caminheiros por uma intervenção militar. Enquanto isso, “o governo acusa movimentos políticos infiltrados de fomentar os protestos e nas ruas há cada vez mais manifestantes que pedem a queda de Temer”, ressalta o diário. Neste estado da mobilização, muitas das ações são consideradas espontâneas e autônomas, além da participação de três movimentos políticos distintos, intitulados de “Intervenção militar já”, “Fora Temer” e “Lula Livre”, destaca o site do jornal Público.

Prejuízos para a economia

Também em sua versão online, uma matéria do diário britânico The Guardian escreve que 70 milhões de aves tiveram que ser sacrificadas desde o início da greve dos caminhoneiros no Brasil, “o maior exportador mundial de frango”. O motivo é que, com a paralisação dos transportes nas estradas, os criadores não têm mais comida para alimentar os animais, temendo que os bichos tenham que recorrer ao canibalismo, explica o jornal.

The Guardian salienta que, com a greve, os produtores rurais calculam perdas de R$ 6 bilhões. Além disso, destaca que 4 mil caminhões que transportam carne estão bloqueados nas estradas e a mercadoria deve apodrecer em breve, impedindo a exportação de 120 mil toneladas de carne.

Já o jornal Les Echos avalia que é a Petrobras “a principal vítima” da greve dos caminhoneiros. A gigante registrou uma queda de 14% de suas ações na Bolsa de São Paulo, e uma perda de 126 bilhões de reais.

Como se não bastasse, escreve Les Echos, os sindicatos do setor aumentam ainda mais a pressão, unindo-se aos caminhoneiros e paralisando durante 72 horas a partir desta quarta-feira. Eles exigem a renúncia do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que já respondeu por comunicado, que não pretende deixar a liderança da gigante do petróleo no Brasil.

*Por Daniella Franco,da RFI.

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