Em decorrência de escândalos sexuais, bispos chilenos perdem perdão ao Papa Francisco e à Igreja

Papa Francisco durante encontro com bispos chilenos.
Papa Francisco durante encontro com bispos chilenos.
Papa Francisco durante encontro com bispos chilenos.
Papa Francisco durante encontro com bispos chilenos.

Os membros da Conferência Episcopal Chilena divulgaram nesta sexta-feira (18/05/2018) um comunicado ao final dos colóquios com o Papa Francisco, colocando os cargos à disposição do Papa.

Depois de três dias de encontros com o Santo Padre e muitas horas dedicadas à meditação e à oração, seguindo as indicações do Papa Francisco, os bispos da Conferência Episcopal Chilena divulgaram a seguinte declaração:

“Antes de tudo, agradecemos ao Papa Francisco pela sua escuta paterna e a sua correção fraterna. Mas, sobretudo, queremos pedir perdão pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao Povo de Deus e ao nosso país pelos graves erros e omissões cometidos por nós.

Agradecemos também a Dom Scicluna e ao Rev. Jordi Bertomeu por sua dedicação pastoral e pessoal, e pelo esforço investido nas últimas semanas para tentar sanar as feridas da sociedade e da Igreja no nosso país.

Agradecemos às vítimas por sua perseverança e sua coragem, não obstante as enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram que enfrentar, unidas com frequência à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial. Mais uma vez imploramos o seu perdão e sua ajuda para continuar a avançar no caminho do tratamento das feridas para que possam ser sanadas.

Em segundo lugar, queremos comunicar que todos nós presentes em Roma, por escrito, colocamos os nossos cargos nas mãos do Santo Padre, para que Ele decida livremente por cada um de nós.

Nós nos colocamos em caminho, sabendo que esses dias de diálogo honesto representam uma pedra angular de um profundo processo de transformação guiado pelo Papa Francisco. Em comunhão com ele, queremos restabelecer a justiça e contribuir para a reparação do dano causado, para dar novo impulso à missão profética da Igreja no Chile, cujo centro sempre deveria ter sido em Cristo.

Desejamos que a face do Senhor volte a resplandecer na nossa Igreja e nos empenhemos para isso. Com humildade e esperança, pedimos a todos que nos ajudem a percorrer esta estrada.

Seguindo as recomendações do Santo Padre, imploramos a Deus que nessas horas difíceis, mas repletas de esperança, a Igreja seja protegida pelo Senhor e por Nossa Senhora do Carmo.

Os bispos da Conferência Episcopal Chilena”

Cidade do Vaticano, 18 de maio de 2018.

Carta de Francisco aos prelados

Na missiva, o Papa lhes agradece por terem acolhido o convite para que, juntos, se fizesse “um discernimento franco face aos graves fatos que prejudicaram a comunhão eclesial e debilitaram o trabalho da Igreja do Chile nos últimos anos”.

Encerrou-se às 18:40 locais desta quinta-feira (17/05/2018), na Cidade do Vaticano, o último dos quatro encontros que o Santo Padre teve no Vaticano com os 34 bispos chilenos. É o que informa numa declaração o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke. Ao concluir este período de discernimento e encontro fraterno, o Papa Francisco entregou a cada um de seus irmãos no episcopado a carta que, na íntegra, repropomos a seguir:

Discernimento franco sobre graves fatos de abusos

Queridos irmãos no episcopado,

Quero agradecer-lhes por terem acolhido o convite para que, juntos, fizéssemos um discernimento franco face aos graves fatos que prejudicaram a comunhão eclesial e debilitaram o trabalho da Igreja do Chile nos últimos anos.

À luz dos acontecimentos dolorosos concernentes aos abusos – de menores, de poder e de consciência –, temos aprofundado a gravidade dos mesmos, bem como as trágicas consequências que tiveram particularmente para as vítimas. A algumas delas eu mesmo pedi perdão de coração, a cujo pedido vocês se uniram numa só vontade e com o firme propósito de reparar os danos causados.

Agradeço a plena disponibilidade que cada um manifestou a aderir e colaborar em todas aquelas mudanças e resoluções que teremos que tomar a curto, médio e longo prazos, necessárias para restabelecer a justiça e a comunhão eclesial.

Depois destes dias de oração e reflexão os convido a seguir construindo uma Igreja profética, que sabe colocar no centro o importante: o serviço a seu Senhor no faminto, no preso, no migrante, na vítima de abuso.

Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Que Jesus os abençoe e a Virgem Santa os proteja.

Fraternalmente,

Francisco

Cidade do Vaticano, 17 de maio de 2018.

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