Donald Trump prejudica confiança na ordem internacional, diz chancelar da Alemanha Angela Merkel

Angela Merkel discursou a 4 mil pessoas em evento católico na cidade de Münster.
Angela Merkel discursou a 4 mil pessoas em evento católico na cidade de Münster.
Angela Merkel discursou a 4 mil pessoas em evento católico na cidade de Münster.
Angela Merkel discursou a 4 mil pessoas em evento católico na cidade de Münster.

Chanceler federal alemã condena decisão do presidente dos EUA de abandonar acordo nuclear com o Irã. “O multilateralismo vive uma crise real, e a Alemanha optou por fortalecê-lo também em tempos difíceis”, afirma.

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta sexta-feira (11/05/2018) que a decisão dos Estados Unidos de se retirarem do acordo nuclear iraniano, firmado em 2015 entre Teerã e seis potências mundiais, enfraquece a confiança na cooperação da comunidade internacional.

Em discurso num evento católico na cidade de Münster, no oeste alemão, a líder reconheceu que o pacto está “longe de ser perfeito” e que, em muitas áreas, as políticas iranianas são fonte de “grande preocupação”, citando o conflito com Israel e seu programa de mísseis balísticos.

Mesmo assim, Merkel disse não achar justo que um dos países implicados no acordo nuclear – que, lembra, custou 12 anos de trabalho para ser firmado – simplesmente o abandone.

“Não acho correto cancelar de forma unilateral um pacto que foi acordado, submetido a votação no Conselho de Segurança da ONU e aprovado por unanimidade. Isso prejudica a confiança na ordem internacional”, destacou a chanceler federal.

Merkel lembrou ainda a decisão anterior do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos de outro tratado internacional, o Acordo de Paris sobre o clima, este assinado por quase 200 países, e afirmou: “Se nós não gostamos das coisas e não conseguirmos atingir uma nova ordem mundial, todo mundo vai fazer o que quiser – e isso é uma má notícia para o mundo.”

Segundo a chefe de governo, “o multilateralismo passa por uma crise real”, um fato que disse observar com “preocupação”. “Nós da Alemanha optamos por fortalecer o multilateralismo, também em tempos difíceis”, afirmou ela a uma plateia de 4 mil pessoas. “Essa é a tarefa que está agora diante de nós, mais urgente do que nunca.”

Merkel se pronunciou três dias após Donald Trump anunciar a saída dos EUA do acordo nuclear, apesar dos esforços internacionais para impedir tal movimento. A ofensiva incluiu viagens de Merkel e do presidente francês, Emmanuel Macron, a Washington nas últimas semanas.

O acordo nuclear foi firmado em 2015, antes de Trump assumir o cargo, entre Irã, Estados Unidos, Alemanha, França, China, Reino Unido e Rússia, visando restringir o programa nuclear iraniano em troca do alívio de uma série de pesadas sanções internacionais ao país.

“Europeus não devem agir como vassalos de Washington”

Desde o anúncio do presidente americano, na terça-feira, os países remanescentes no acordo vêm defendendo a importância de que ele seja preservado, mesmo sem Washington, e apelam para que Teerã continue cumprindo suas obrigações no âmbito do pacto.

Em conversa por telefone com Merkel nesta sexta-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou preocupação com a saída dos EUA e se disse favorável à manutenção do acordo nuclear.

Segundo um comunicado do Kremlin, os dois líderes concordaram que preservar o pacto internacional é importante tanto para a segurança regional como internacional.

Em tom mais agressivo, o ministro francês das Finanças, Bruno le Maire, disse também nesta sexta-feira que os países europeus deveriam pressionar o governo Trump em vez de agir como “vassalos” de Washington.

O político ainda opinou que a Europa não deveria aceitar os Estados Unidos como “polícia econômica do mundo”. Le Maire defendeu que empresas europeias possam continuar fazendo negócios com o Irã apesar da decisão de Trump de reinstaurar sanções ao país.

A Casa Branca antecipou que o presidente pretende impor mais sanções a Teerã, provavelmente na próxima semana, mas sem dar mais detalhes. O governo alemão informou estar sondando com os EUA quais seriam essas medidas.

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