As cartas de Renata Tourinho | Por Luiz Holanda

Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.
Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.
Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.
Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.

Carioca, linda, mãe, esposa, poeta e escritura, Renata S. Tourinho narra, no livro Vinte e duas cartas, as aventuras de Tilda em uma viagem pela Europa acompanhada de Vicent, seu amigo, tentando desvendar um mistério do seu passado.

Para desvendá-lo, Tilda mergulha numa verdadeira viagem interior, magnificamente descrita no livro, que nos faz mergulhar nas incertezas que a própria vida oferece, ensejando muitas interpretações e entendimentos vários. O enigma permite-nos decifrá-lo tanto pelos lugares percorridos por Tilda como nos vinte e dois arcanjos das cartas de tarô que ela carrega consigo.

Cada carta demonstra que Renata virou escritora para discorrer sobre o amor, que, ao final, parece ser mais do que uma enciclopédia de sentimentos, mas a própria vida em um conto de fadas, adulto, contemporâneo, bem-humorado e provocante.

O livro permite muitas interpretações e entendimentos vários. Entretanto, prefiro vê-lo como um conto da autora em viagem pelo mundo dos sonhos, cheio de recordações.

Tilda viajou para a Europa em busca de lembranças. Preferiu encontrá-las nas cartas de tarô, tentando decifrar em cada uma o enigma da vida. A primeira carta é o Louco andarilho, que caminha levando nas costas uma pequena trouxa, sem olhar para o que está à sua frente. Em seguida vem o Mago, que põe alguns objetos na mesa sem saber o que quer mostrar. Depois, vem a Papisa, que parece guardar segredos e mistérios do universo.

Outros personagens vão se apresentando nas cartas, a exemplo da Imperatriz que abraça seu escudo onde se encontra uma águia que a faz lembrar o que procura. Em seguida vem o Imperador, que olha para a Imperatriz e mostra seu magnífico porte de dono do reino, que é a sua casa.

O Hieronfonte guarda a chave de todos os mistérios, fazendo a ponte entre o mundo físico e o espiritual, enquanto o Enamorado, coitado, não percebe a flecha do Cupido pairando sobre a sua cabeça.

O Viajante, à frente de uma carruagem sem rumo, não sabe ao certo qual o seu destino. Já a Justiça, segurando uma balança e uma espada, olha para a frente impassível, sem deixar escapar nada.

O Eremita, apoiado em seu cajado, vai percorrendo o seu caminho iluminado por uma lanterna. Logo após aparece a Roda da Fortuna, com dois animais presos a si e girando sem parar, enquanto é observado por uma figura diabólica.

Uma mulher, bastante forte, representando a Força, abre a boca de um animal com as próprias mãos, sem maltratá-lo. Seu destino, representado no símbolo da lemniscata, a faz lembrar que nada tem fim, pois tudo que vai, retorna.

Em outra carta está o Enforcado, pendurado de cabeça para baixo em um dos seus pés, esperando o fim, de braços cruzados. E este é a Morte, inimiga assustadora que extingue uma vida enquanto outra renasce das próprias mãos.

A Temperança busca demonstrar o equilíbrio jorrando líquido de um jarro para outro, enquanto o Diabo, do seu pedestal, observa duas crianças acorrentadas e prontas para lhe obedecer.

Um raio está destruindo uma Torre, onde duas pessoas, dela prisioneiras, imaginam que ficar ali ainda é a melhor coisa do mundo, pois podem ver os passantes de cima, circulando no andar de baixo.

De lá também dava para ver uma grande Estrela, que era a imagem de uma mulher nua sob outras estrelas menores, vertendo água em dois jarros. Também dava para ver a Lua, uma carta cheia de mistérios.

O Sol aparece na carta simbolizado por duas crianças, coroadas pelo amor. Finalmente, com a carta do Julgamento, as pessoas fazem uma prece sob um anjo que desce do céu, tocando uma trombeta.

Depois de ver as cartas, Tilda as guardou, colocando, distraidamente, uma delas no bolso da calça. Em seguida chama seu irmão Thadeu para irem a um hotel que guardara na memória, e que talvez pudesse lembrar-lhe algo. Luciana a acompanha. No caminho, Tilda é arrebatada por um acontecimento que a leva para a Praia dos Anjos, onde ela se encontra com o Amor, que a deixa, após um diálogo filosófico e espiritual , retornar para o lugar onde ela teria um encontro consigo mesma. Esse lugar está descrito em em sua última carta de tarô, que é o Mundo, onde ela preferiu morar até o dia em que puder, novamente, se encontrar com o Amor.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

Luiz Holanda
Sobre Luiz Holanda 339 Artigos
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]