Salvador: Lia Lordelo e Maria Marighella estreiam solos teatrais no Espaço Cultural da Barroquinha

Cartaz anuncia Maria Marighella e Lia Lordelo em SOLAS.
Cartaz anuncia Maria Marighella e Lia Lordelo em SOLAS.
Cartaz anuncia Maria Marighella e Lia Lordelo em SOLAS.
Cartaz anuncia Maria Marighella e Lia Lordelo em SOLAS.

De 20 a 22 de abril de 2018, sempre às 19 horas, o Espaço Cultural da Barroquinha recebe a grande estreia de SOLAS, que reúne dois solos teatrais realizados pelas atrizes baianas Lia Lordelo e Maria Marighella, com direção de Jorge Alencar e Neto Machado. As peças, que refletem sobre relações entre arte e ciência, tecnologia e obsolescência, passado e futuro, sucesso e fracasso, sob a perspectiva de duas personagens femininas, cumprirá circulação conjunta em mais três espaços alternativos de Salvador: Espaço Cultural Alagados (26 e 27 de abril), JACA – Juventude Ativista de Cajazeiras (4 e 5 de maio) e Casa Preta (11 e 12 de maio), com ingressos a preços populares. O projeto de montagem e temporada de estreia foi contemplado pelo edital Arte Todo Dia da Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador.

Em ‘As transparências enganam’, Lia Lordelo, com texto de sua própria autoria, é uma palestrante que se perde em suas palavras e já não identifica os contornos entre forma e conteúdo, meio e mensagem, signo e significado. A origem deste solo está em ‘Uma Carta’, do austríaco Hugo von Hofmannsthal, que, já em 1902, alertava sobre o esgotamento da linguagem escrita e falada. “É a partir do mundo da ciência e da razão, feito de muitas palavras que traduzem pensamentos e inventam mundos”, introduz Lia sobre o trabalho. “Sendo mulher, sendo artista e cientista, é um exercício abdicar da capacidade de falar coerentemente sobre qualquer coisa. É propor outras sensibilidades, novas lógicas de sentido no mundo de hoje”, completa ela.

Já em ‘A Ovelha Dolly’, escrito por Fernando Carvalho (do Grupo Liquidificador, Brasília), Maria Marighella encarna a grande estrela da ciência dos anos 1990, decadente e esquecida pelo público, tornando-se mais uma ovelha-massa-de-manobra do rebanho. “Quando a realidade se torna insuportável, o que pode a ficção? O que pode a ficção quando a realidade nos exige arte?”, pergunta Maria sobre esta obra. “Os absurdos berrados pela ovelha clonada que virou celebridade ecoaram e fizeram algum sentido. Será que não seria o caso de ouvi-la? Do laboratório de sua criação às manchetes, Dolly projetou cientistas, produziu promessas de futuro, aproximou o homem da miragem da criação. Então Dolly foi abatida, sem que ninguém tivesse ouvido falar numa existência tão intensa quanto instantânea”, resume Marighella.

Respondendo pela direção dos dois solos, Jorge Alencar e Neto Machado – dupla de artistas integrantes do Dimenti, coletivo baiano de criação e produção – buscam potencializar as escolhas das duas potentes atrizes. Sobre o processo criativo, Jorge explica: “Da escolha do texto à nossa presença no projeto, Lia e Maria pautam as diretrizes criativas dos dois solos, descentralizando a ideia que confere à posição do diretor a responsabilidade de responder pelo trabalho. Esse encontro se dá por uma vontade de trabalhar juntos em tempos de desmantelamento da arte”, afirma ele.

As personas criadas são duas entidades cênicas que vasculham funções da palavra, da ciência, da arte e da mulher no mundo contemporâneo. As duas estão amalgamadas aos objetos que usam em cena: a palestrante projeta suas transparências com um antigo retroprojetor; Dolly anda sobre uma esteira elétrica de academia. Artefatos que encarnam uma imagem já cansada de tecnologia, que andam sem sair do lugar, que projetam um futuro de modo retroativo.

Sinopse

SOLAS reúne a estreia de dois solos teatrais das atrizes baianas Lia Lordelo e Maria Marighella, com direção de Jorge Alencar e Neto Machado. Em ‘As transparências enganam’, Lia Lordelo, com texto de sua própria autoria, é uma palestrante que se perde em suas palavras e já não identifica os contornos entre forma e conteúdo, meio e mensagem, signo e significado. Em ‘A Ovelha Dolly’, escrito por Fernando Carvalho, Maria Marighella encarna a grande estrela da ciência dos anos 1990, decadente e esquecida pelo público, tornando-se mais uma ovelha-massa-de-manobra do rebanho.

Agenda

Quando: de 20 a 22 de abril

Onde: Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador

Classificação indicativa: 14 anos

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