Relatório do MPF aponta que deputado José Carlos Aleulia recebeu R$ 300 mil em propina do Grupo Odebrecht para pagamento da campanha eleitoral de 2010

Deputado José Carlos Aleluia teria recebido R$ 300 mil em propina, segundo MPF.
Deputado José Carlos Aleluia teria recebido R$ 300 mil em propina, segundo MPF.

Reportagem de Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura, publicada nesta sexta-feira (27/04/2018) no Jornal Estadão, com título ‘Procuradoria revela evidências de repasse de R$ 300 mil a Aleluia pelo ‘MyWebDay’ do Grupo Odebrecht’, revela que relatórios com dados extraídos do sistema de controle do fluxo de pagamentos de propinas da Odebrecht apontam suposto pagamento ao deputado federal José Carlos Aleulia (DEM/BA).

Segundo a reportagem do Estadão, relatórios com dados extraídos do sistema do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que registram a contabilidade paralela da empreiteira, revelam evidências do suposto pagamento de R$ 300 mil ao deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), aponta relatório produzido pelo Ministério Público Federal (MPF). O suposto repasse já havia sido relatado na delação da Odebrecht.

Anexado ao inquérito que investiga o parlamentar no Supremo Tribunal Federal (STF), o documento mostra que o pagamento ocorreu no dia 17 de setembro de 2010, em favor do codinome “Missa”, que, segundo executivos da empreiteira, identifica Aleluia.

 “Os registros identificados no ‘MyWebDay B’ indicam que os R$ 300 mil foram pagos pela Odebrecht em espécie, na cidade de Salvador, diretamente ao destinatário José Carlos Aleluia, em razão da Campanha Eleitoral do ano 2010 e o executivo responsável foi Cláudio Melo Filho. O dinheiro foi viabilizado a partir da conta de controle da Odebrecht denominada CXSSAR – CAIXA UVRE SALVADOR – REAL, operacionalizada por Maria Lúcia Tavares, funcionária do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira”, registra o relatório do MPF, produzido pela Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise – SPPEA/PGR.

A reportagem do Estadão informa que o MPF afirma que no relatório Lançamentos Diário de Saída constam importantes informações, tais como “O codinome beneficiário (MISSA) que identifica José Carlos Aleluia; o local de pagamento (DIRETOS), indicando que a entrega do dinheiro se deu em espécie diretamente ao beneficiário; e por fim o valor do pagamento (R$ 300.000,00)”.

O documento foi juntado ao processo pela Procuradoria-geral da República, que enviou à Corte no dia 18 de abril um pedido de prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito, por 30 dias. O relator do inquérito é o ministro Luiz Fux. A manifestação, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, relembra que o inquérito no STF foi aberto após ex-executivos da Odebrecht relatarem pagamentos ao deputado no valor de R$ 300 mil no ano de 2010.

Ainda foi narrado que, no contexto das eleições de 2014, Aleluia teria recebido doação oficial no importe de R$ 280 mil, “tendo, como contrapartida, no exercício do mandato e mediante solicitação expressa, assumido posições favoráveis aos interesses do Grupo Odebrecht”.

O documento do MPF ressalta que nos relatórios extraídos do sistema “MyWebday B” constam registros de pagamentos apenas até o mês de junho de 2012, “portanto, não há registros referentes ao segundo semestre de 2012 e aos anos de 2013 e 2014”.

Deputado comenta

À reportagem do Jornal Estadão, o deputado José Carlos Aleluia negou que tenha recebido qualquer pagamento. “Não houve absolutamente nenhum pagamento. As evidências que têm são de que o dinheiro teve outro destino, porque inclusive a época é incompatível, eu estava com a eleição perdida.”.

Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).