Professores da rede estadual da Bahia participam de formação para atender estudantes em domicílio e em hospitais

Professores da rede estadual da Bahia participaram de formação para educação inclusiva.
Professores da rede estadual da Bahia participaram de formação para educação inclusiva.
Professores da rede estadual da Bahia participaram de formação para educação inclusiva.
Professores da rede estadual da Bahia participaram de formação para educação inclusiva.

Com o objetivo de formar os professores da rede estadual para o atendimento escolar a estudantes gravemente enfermos e/ou impossibilitados de frequentar o colégio regularmente, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia deu início, nesta segunda-feira (23/04/2018) ao primeiro módulo da Formação Continuada em Classe Hospitalar/ Atendimento Domiciliar. Na abertura do evento, o Serviço de Atendimento à Rede em Ambiências Hospitalares e Domiciliares (Sarahdo), da Secretaria da Educação, foi oficialmente inaugurado. Atualmente, são atendidos em domicílio cinco jovens gravemente enfermos, assegurando-lhes escolaridade, atendimento educacional especializado e tratamento personalizado e humanizado para estudantes e familiares.

A formação, que prossegue até sexta (27), no Instituto dos Cegos da Bahia, em Salvador, reúne 40 educadores a cada módulo (serão três no total), que serão capacitados dentro da perspectiva de buscar novos conhecimentos que favoreçam a participação social ativa do público-alvo da Educação Inclusiva. O serviço de atendimento escolar aos estudantes gravemente enfermos se estenderá à rede estadual hospitalar tão logo os professores forem formados.

O superintendente de Políticas para a Educação Básica da Educação do Estado, Ney Campello, falou sobre a importância do programa de Educação Inclusiva. “Trata-se de uma das ações estruturantes da política educacional do Estado, que se confirma com a publicação das Diretrizes de Educação Inclusiva e, dentro disso, o atendimento hospitalar é emblemático para assegurar a oportunidade educacional para todos. Não temos que pensar a escola como um prédio físico. Escola é um ambiente onde o estudante está. Se esse ambiente é um hospital, a escola vai onde ele está. Se é na casa, atendemos em domicílio. É a garantia de que o Estado assegure como dever constitucional o direito de aprendizagem para todos”, afirmou.

A coordenadora de Educação Inclusiva da Secretaria da Educação, Patrícia Braille, destacou que o Sarahdo é um serviço novo no Estado, mas que já vinha sendo realizado, não oficialmente, por meio de atendimento escolar a estudantes gravemente enfermos, em suas residências. “O objetivo do serviço é que esse atendimento seja realizado para além do domicílio. Ou seja, vamos implantar uma classe hospitalar e, para isso, estamos formando e sensibilizando os professores que atuarão na área por meio deste curso que será ministrado pelas professoras Veruska Poltronieri e Irami Lopes”.

Psicopedagoga e especialista em Classe Hospitalar, Veruska Poltronier explicou que a formação na área é um campo ainda desconhecido por muitos profissionais da Educação, mas que vem crescendo.  “A formação tem o objetivo de falar um pouco sobre o que é a classe hospitalar, tanto do aspecto legal e até do ponto de vista epistemológico; o que é o atendimento domiciliar, como surgiu. A gente precisa ter não só os multiplicadores, mas que os colegas professores possam se sensibilizar com uma realidade que nos traz um número alto – cerca de seis mil – de jovens com patologias crônicas, como oncologia, nefrologia e cardiopatia, entre outras. São pessoas que vivem praticamente no hospital, então é naquele ambiente que eles vão ter acesso à Educação, enquanto, por exemplo, se submetem à uma hemodiálise”.

Atuação do Sarahdo – É o que acontece com o estudante Mateus Silva, 15, 1º ano do Colégio Estadual Sete de Setembro, em Paripe. Ele sofre de epidermólise bolhosa, doença rara e sem cura causadas por um defeito genético da fixação da camada da epiderme na derme. A professora Ariana Santana, responsável pelo atendimento em domicílio ao aluno conta que ele tem o seu cognitivo preservado, mas nem sempre pode ir à escola por conta da sua imunidade. “Dou aula a ele na garagem de sua casa, que é iluminada e ventilada. Ele é muito interessado inteligente e hoje ele se sente uma outra pessoa porque, como é o objetivo do nosso projeto, a gente traz um olhar para além da enfermidade e, com isso, o estudante se sente estimulado a estudar”, afirmou a educadora.

A prova de que o Sarahdo tem resultados positivos foi testemunhada pelo estudante de Arquitetura e Urbanismo, Tato Gomes, 25, que já foi atendido pelo serviço. “A escola foi muito importante para mim porque me incentivou a continuar estudando e me servia de alento para a rotina a que tinha que me submeter por conta da osteosarcoma (tumor nos ossos). Com esse projeto, a gente tira a doença de foco e coloca os estudos. Tanto que hoje faço faculdade e me sinto realizado”, declarou durante o evento.

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