Eleições 2018 – Bahia: Desafio de José Ronaldo é unificar oposição fragmentada, em decorrência da desastrosa liderança do prefeito ACM Neto

José Ronaldo, pré-candidato a governador da Bahia pelo Democratas; ACM Neto, prefeito de Salvador e Bruno Reis, vice-prefeito de Salvador durante anúncio da desistência do alcaide de Salvador em concorrer ao governo do estado.
José Ronaldo, pré-candidato a governador da Bahia pelo Democratas; ACM Neto, prefeito de Salvador e Bruno Reis, vice-prefeito de Salvador durante anúncio da desistência do alcaide de Salvador em concorrer ao governo do estado.
José Ronaldo, pré-candidato a governador da Bahia pelo Democratas; ACM Neto, prefeito de Salvador e Bruno Reis, vice-prefeito de Salvador durante anúncio da desistência do alcaide de Salvador em concorrer ao governo do estado.
José Ronaldo, pré-candidato a governador da Bahia pelo Democratas; ACM Neto, prefeito de Salvador e Bruno Reis, vice-prefeito de Salvador durante anúncio da desistência do alcaide de Salvador em concorrer ao governo do estado.
José Ronaldo (DEM) discursa durante ato suprapartidário renunciando ao mandato de prefeito de Feira de Santana e anunciando pré-candidatura à governador da Bahia. Ao lado esquerdo Colbert Martins Filho e ao lado direito ACM Neto, prefeito de Salvador.
José Ronaldo (DEM) discursa durante ato suprapartidário renunciando ao mandato de prefeito de Feira de Santana e anunciando pré-candidatura à governador da Bahia. Ao lado esquerdo Colbert Martins Filho e ao lado direito ACM Neto, prefeito de Salvador.

A desastrosa liderança do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), aliada a vaidade pessoal exacerbada, além do culto ao personalismo conduziu o Bloco de Oposição à maior fragmentação da história política da Bahia. Três dos principais partidos de Oposição — Democratas, MDB e PSDB — pretendem lançar candidatos à governador, ampliando a debilidade do Bloco frente à consolidada liderança do petista Rui Costa.

Como se chegou a este momento?

Reeleito prefeito de Feira de Santana em 2016 pela quarta vez, sempre no primeiro turno, José Ronaldo (DEM) objetivava lançar candidatura ao Governo da Bahia, liderando o Bloco de Oposição. Cioso das pretensões de Ronaldo, ACM Neto pôs em curso ações que, no primeiro momento, levaram Ronaldo ao afastamento das discussões políticas do Bloco de Oposição, porque ACM Neto concentrava tudo em si mesmo, com o propósito de ser ele próprio a única liderança da oposição ao governo petista de Rui Costa.

Reagindo às ações de ACM Neto, José Ronaldo modificou o objetivo e passou a pleitear uma vaga de senador. Neste processo, se aproximou do grupo de Rui Costa e manteve encontros secretos com o governador. Segundo o próprio Ronaldo, os encontros foram uma iniciativa dos aliados do governador. Segundo os aliados de Rui Costa, o encontro foi uma iniciativa de José Ronaldo.

Independente de quem tenha partido a iniciativa, ela surtiu efeito para Ronaldo, observando que de forma paulatina e controlada, ACM Neto dava sinais de valorização da liderança do prefeito de Feira de Santana, atraindo aos poucos para o debate eleitoral de 2018 e sinalizando com a vaga de senador, na chapa liderada pelo próprio ACM Neto.

Observa-se que o prefeito de Salvador, buscando manter a liderança do embate com Rui Costa, utilizou artifícios condenáveis, do ponto de vista da moral, ética e do interesse social e público, ao adotar postura de confronto pessoal com o governador, apresentando declarações desastrosas, em conjunto com o uso do poder político do Democratas para, através do Governo Temer, boicotar o Estado da Bahia. Exemplo desta amoral atitude sãos os constantes bloqueios de verbas e programas desensinados ao desenvolvimento da população baiana.

Linguagem opressora e debilidade na capacidade de aglutinar forças

As medidas adotadas pelo alcaide soteropolitano, neto do deputado do Golpe Civil/Militar de 1964, apenas ampliaram o isolamento do Bloco de Oposição do apoio da população, dos prefeitos, parlamentares e partidos.

Neste contexto, indignado com a postura do alcaide soteropolitano, que agia em conluio como o Governo Temer, o ex-liderado do ex-senador ACM (1927 – 2007) senador Otto Alencar (PSD/BA) apresentou na tribuna do Senado da República contundente crítica, denunciando a perseguição ao Governo Rui Costa e afirmando que ACM Neto seria derrotado por ampla margem de votos nas eleições de 2018. Na sequência, revelou que 350 prefeitos dos 417 municípios baianos apoiavam a reeleição Rui Costa.

Outro cortejado por ACM Neto foi o vice-governador João Leão. Líder do PP na Bahia, João Leão aproveitou os seguidos convites do alcaide, que, segundo fontes, foram de ministério no Governo Temer, a malas de dinheiro, para valorizar a si próprio, garantindo a vaga de vice-governador, na chapa liderada por Rui Costa.

O Partido da República (PR) presidido na Bahia pelo deputado federal José Carlos Araújo aproveitou os convites de ACM Neto para valorizar e organizar o partido no Bloco Governista de Rui Costa.

Em síntese, o amador protagonismo de ACM Neto na liderança do Democratas na Bahia apenas unificou o Bloco Governista liderado por Rui Costa, ampliando o repúdio popular ao Golpe Jurídico-Político de 2016, em que foi usurpado o mandato popular da presidente Dilma Rousseff (PT/MG), além de manter a base social do governo unificada contra a lembrança reacionária do Magalhismo na Bahia.

Aliados insatisfeitos

Observa-se que os erros de ACM Neto na articulação política não ficaram restritos aos opositores que tentou seduzir e não conseguiu. A aliança com os principais partidos do Bloco de Oposição, protagonistas do Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 na Bahia foi desfeita.

Aos Vieira Lima, líderes do MDB na Bahia, ACM Neto disse que queria que eles abandonassem a legenda e entregassem o comando à Bruno Reis (MDB), vice-prefeito de Salvador, uma espécie de faz-tudo do prefeito ACM Neto. A exigência foi rechaçada pelo ex-ministro preso Geddel Vieira Lima, presidente do MDB na Bahia e pelo deputado federal Lúcio Vieira Lima, presidente do MDB em Salvador, que declarou que o partido vai lançar candidato ao governo do estado.

O PSDB é um caso à parte. O ex-ministro do governo da usurpação democrática deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB) está sempre disposto a bancar o fiel “político-vassalo” da família Magalhaes. Hábito adquirido quando o ex-senador ACM era vivo. Mas, observa-se que a débil liderança de Antônio Imbassahy no PSDB não foi suficiente para manter a legenda sob a influência de ACM Neto.

Neste contexto, observa-se que há décadas o PSDB da Bahia age em parceria e sob a liderança do Democratas. Liderança rompida com as declarações do deputado federal João Gualberto (PSDB). O parlamentar não aceitou bem o fato de ACM Neto ter desistido de se candidatar ao Governo da Bahia e afirmou que o candidato, não sendo o alcaide de Salvador, deveria ser indicado pelo PSDB. Ao estilo ACM Neto, a recusa em aceitar uma candidatura do PSDB foi colocada e a aliança desfeita.

Desafio

Durante discurso ocorrido neste sábado (07/04/2018) em que renunciou ao quarto mandato de prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo revelou que foi ACM Neto que o convidou a ser candidato a governador, convite que ele aceitava, mas que também sabia que estava fazendo em um difícil momento político do grupo.

Observa-se que José Ronaldo assume uma candidatura com frágil base parlamentar, partidária e social, aliada a fragmentação do Bloco de Oposição ao Governo Rui Costa. Segundo o próprio Ronaldo, ele pretende superar a dificuldade e aglutinar forças políticas com trabalho, conquistando aliados nos próximos seis meses.

Infere-se que além da desastrosa liderança do prefeito ACM Neto, Ronaldo enfrenta um quadro adverso nacional, observando que o grupo a que pertence defendeu a usurpação do mandato popular de Dilma Rousseff, colocando no comando da República um dos mais rejeitados políticos da história do Brasil, o presidente Michel Temer (PMDB/SP). Em conjunção com esses fatores negativos, parte imensa da população baiana sente que, com a mudança antidemocrática do comando da União, ocorreu grave retrocesso social. Essa significativa parte da população pretende responder eleitoralmente aos artífices do Golpe.

Sobre Carlos Augusto 9706 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).