A candidatura de Lula é a única capaz de oferecer uma liderança nacional | Por Sérgio Jones

Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel participa de protesto em defesa de ‘Lula Livre’.
Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel participa de protesto em defesa de ‘Lula Livre’.
Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel participa de protesto em defesa de ‘Lula Livre’.
Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel participa de protesto em defesa de ‘Lula Livre’.

Diante da incapacidade real dos partidos de coordenarem o jogo político tornará o cenário das eleições de 2018 igual ao de 1989, ou seja, bastante fragmentado. A avaliação é do cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Vitor Marchetti.  De acordo com a sua visão o candidato que receber 25% ou 30% de votos pode ter muitas chances de disputar segundo turno.

Para o cientista político, no que se refere o contexto do PSDB, a situação   não é nada confortável há um considerável excesso de disputa internas. Destaque para a luta autofágica existente em São Paulo, entre João Doria, Geraldo Alckmin, José Serra. Embora, conte com uma agenda liberal das reformas, que eles sempre defenderam, como a da Previdência, destituição de direitos trabalhistas, esbarram no fato de que estão abraçados a um governo com rejeição altíssima, comprometido com escândalos de corrupção.

O PSDB foi protagonista no processo de golpe parlamentar e o grande temor desses atores é não conseguir capitalizar-se eleitoralmente, lá na frente. Acredita ele, que o cenário político já esteja configurado e que se assemelhe em muito o que ocorreu em 1989. O que significa dizer que os partidos perderam a capacidade de coordenar o jogo político. O que significa que este ano teremos um número grande de candidatos à presidência da República.

No tocante ao campo da esquerda, reconhece ser a candidatura de Lula a única capaz de oferecer uma liderança nacional, seja de esquerda ou de direita. Entretanto alerta que o grande risco desta estratégia se deve a esquerda se reunir em torno de uma única liderança e a direita se fragmentar o que imporá um cenário de incerteza e instabilidade em relação ao petista. “Está claro que a candidatura dele não chegará em 2018 com tranquilidade legal e institucional, ainda há muitos movimentos que serão feitos para inviabilizá-lo”, garante.

Há hipótese que, por mais que a candidatura de Lula possa reunir o campo da esquerda também tem que enfrentar com a rejeição ao nome dele. Embora se saiba que tal rejeição foi construída, as imagens da grande imprensa. Também não descarta que o movimento do PCdoB reflete um diagnóstico de que talvez a esquerda tenha que oferecer um leque maior de opções na disputa eleitoral.

No campo da direita, tem Bolsonaro, Doria, Alckmin, vários partidos como o Novo, a Rede, que irá dialogar com o centro político do país. Haverá muita novidade em torno de nomes de candidatos e em um ambiente de ultra fragmentação um número menor de votos pode ser capaz de impulsionar uma candidatura.

Importante destacar que Lula mesmo condenado na segunda instância o assunto só vai se esgotar em setembro de 2018, quando o candidato estará em plena campanha. Caso seja impedido e não deseje colocar em risco todos os votos, ele poderá pedir a substituição às vésperas do primeiro turno. “Ainda que as decepções continuem a acontecer, jamais irei desistir dos meus ideais e convicções”, sentencia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

*Sérgio Jones é jornalista (sergiojones@live.com).

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Sérgio Jones 158 Artigos
Sérgio Jones, jornalista formado na Universidade Federal da Bahia (UFBA).