Segunda edição do espetáculo Espelho para Cegos estreia no Teatro Vila Velha, em Salvador

Cena do espetaculo 'Espelho Para Cegos'.Cena do espetaculo 'Espelho Para Cegos'.
Cena do espetaculo 'Espelho Para Cegos'.

Cena do espetaculo ‘Espelho Para Cegos’.

Na interseção entre a linguagem audiovisual, teatral e a música original de João Meirelles, a segunda edição de ‘Espelho para Cegos’ continua dissecando o mecanismo que faz a lavagem cerebral, manipula, silencia, corrói, isola, devora e tiram vidas de cena para combater quaisquer ameaças aos sistemas. Da boca de suas personagens escorrem narrativas de seres e máquinas aparentemente irreais e surreais, como o animal-chuva, o homem-lixo, as borboletas carnívoras, os caracóis pestilentos, a louca lúcida e toda a sorte de anomalias, que são metáforas para uma engrenagem que encontra suas representações sociais numa humanidade oca, apática, doentia, entorpecida e carcomida por seus próprios hábitos, consumos e crenças.

“O que está no palco é o que vivemos: a cidade vazia, fechada em círculos, pessoas fugindo para outros lugares. Um sistema de forças em decomposição, que leva ao marasmo indolente e à permanência de tudo como está”, reflete Márcio Meirelles.

Repor. Pôr novamente esse espetáculo. Repostá-lo. Transpor essas questões para um outro momento histórico reconfigura tudo o que foi debatido nele desde a sua criação. Trazer esse discurso em novos corpos e sujeitos reinstala outras possibilidades de leitura e reedita a encenação de Márcio Meirelles de múltiplas formas, através de uma montagem que tem origem e continuidade no cruzamento entre diferentes gerações de artistas: Chica Carelli e o Teatro dos Novos (1959), egressos da universidade LIVRE de Teatro Vila Velha (2013) e o ator Will Brandão, que formam agora um mesmo corpo de ideias, diálogos, signos e significados. Simplesmente Teatro dos Novos. De 5 a 15 de abril de 2018. De quinta-feira a sábado, às 20 horas, e domingo às 19 horas.

“A originalidade da montagem e a coragem de propor outra coisa, de propor um lado interessante que provoque a imaginação do espectador, que o faz embarcar na história. Porque nessa montagem o ator se sente quase ator, se sente implicado na história, ele é testemunha. Mais do que espetador.

Marcio Meirelles é um grande artista e professor. Concordo plenamente com a sua abordagem e acredito, como ele, que o teatro pode ser um meio de educação popular, uma terapia social, uma forma de entender o mundo, a complexidade da alma humana, as contradições da sociedade e também a nossa personalidade”, analisa o jornalista, escritor e dramaturgo Matéi Visniec.

A reciprocidade e alteridade entre Matéi Visniec e Márcio Meirelles diluem quaisquer fronteiras culturais que possam haver no encontro de um artista brasileiro com um artista romeno (radicado na França). Há um compartilhamento de visões de mundo que convergem e se materializam nas muitas encenações de Meirelles para a obra do dramaturgo: além de ‘Espelho para Cegos’, ‘Por Que Hécuba’, ‘A História dos Ursos Pandas’, ‘A Mulher como Campo de Batalha’, ‘As Palavras de Jó’, ‘Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias’ e ‘O Último Godot’, na Bahia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Portugal.

“Esse programa de reposição de espetáculos que foram bem sucedidos e bem recebidos pelo público faz parte da proposta O Vila se reinventa”, conclui Meirelles.

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