Operação Skala: PF prende aliados do presidente Michel Temer: advogado José Yunes, coronel João Batista, ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e o empresário Antônio Celso Grecco

Edição online da revista Veja registra prisão de José Yunes, coronel João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), além do empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar.
Edição online da revista Veja registra prisão de José Yunes, coronel João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), além do empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar.
Edição online da revista Veja registra prisão de José Yunes, coronel João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), além do empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar.
Edição online da revista Veja registra prisão de José Yunes, coronel João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), além do empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (29/03/2018), às 6 horas, o empresário e advogado José Yunes (80 anos), amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer (MDB/SP). Foram presos, também, o coronel João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), além do empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos. Ele estava em Monte Alegre do Sul (SP).

A detenção foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federa (STF) Luis Roberto Barroso, relator do inquérito que investiga o presidente Michel Temer por suposto recebimento de propina em troca de benefícios a empresas do setor portuário via decreto. A prisão é temporária, de cinco dias e poderá ser revista pelo STF ao longo do dia após o cumprimento dos mandados.

Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, o advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Yunes, disse ser “inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar”.

“Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.”

Segundo a assessoria da Rodrimar, a prisão de Grecco também é temporária, de cinco dias. Grecco foi levado para a Polícia Federal em São Paulo. Também estão sendo feitas ações de busca e apreensão na sede da Rodrimar e na casa do Grecco, em Santos.

A PF disse, em nota, que “por determinação do STF, não se manifestará a respeito das diligências realizadas na presente data”.

Yunes é citado em inquérito sobre o decreto dos portos que investiga Temer, o ex-deputado e ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) e um sócio e um diretor da empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos (SP).

Também é mencionado o coronel João Baptista Lima Filho, aposentado da Polícia Militar de São Paulo e próximo do presidente desde os anos 1980.

A investigação apura se Temer praticou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Editado em maio do ano passado, o decreto suspeito ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessão e arrendamento de empresas que atuam em portos e permitiu que eles possam ser prorrogados até o limite de 70 anos.

Amizade

José Yunes é amigo do presidente Michel Temer (MDB) há mais de 50 anos. O empresário foi assessor de Temer da Presidência. José Yunes pediu demissão do cargo após a revelação do conteúdo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho.

O empresário também foi citado na delação do doleiro Lucio Funaro. O delator afirmou que José Yunes era um dos operadores de Michel Temer.

A Polícia Federal informou que por determinação do STF ‘não se manifestará a respeito das diligências realizadas na presente data’.

Filha do presidente é investigada

A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira atinge suspeitas de pagamentos indevidos ao presidente Michel Temer (PMDB) por meio da reforma da casa de sua filha, feita pela arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel João Baptista Lima, suspeito de receber propina em nome do peemedebista. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou a intimação da arquiteta, além de ter mandado prender o coronel Lima e outros aliados do presidente.

A PF afirmou ao ministro Luís Roberto Barroso que há suspeitas envolvendo Maria Rita Fratezi, mulher do coronel João Baptista Lima, e a empresa na qual ambos são sócios, a PDA Projeção e Direção Arquitetônico.

Justificativa

O ministro Luís Roberto Barroso apontou a possibilidade de estar em andamento, desde há mais de 20 anos até os dias autias, um esquema de concessão de benefícios públicos no setor dos portos em troca de recursos privados para fins pessoais e eleitorais.

Essa é uma das principais justificativas para a Operação Skala, realizada nesta quinta-feira, apontadas pelo ministro relator do inquérito que investiga o Decreto dos Portos, assinado por Michel Temer em 2017. Essa avaliação vem de informações que faziam parte de um inquérito já arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, que foi resgatado para a investigação atual.

O ministro apontou que, de acordo com o que foi apurado até agora na investigação policial, há “indícios que demonstram a possibilidade de se estar diante de um esquema contínuo de concessão de benefícios públicos em troca de recursos privados, para fins pessoais e eleitorais, que persistiria por mais de vinte anos no setor de portos, vindo até os dias ele hoje”.

Planilha MT

No despacho em que pediu a prisão temporária de amigos de Michel Temer, o ministro Luis Roberto Barroso destacou uma planilha contábil no inquérito 3105/STF com a sigla MT.

De acordo com o texto do ministro, a sigla ‘MT’ permite supor que recursos das empresas Libra, Rodrimar e Multicargo eram entregues ao ‘excelentíssimo senhor presidente da República, Michel Temer’.

Barroso diz também que esses recursos foram distribuídos a Marcelo Azeredo, presidente da Codesp entre 1995 e 1998 e ao amigo pessoal de Temer, coronel Lima.

*Com informações dos jornais Folha de São Paulo, Estadão e O Globo e da Revista Veja.

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