Morte da vereadora de Marielle Franco choca Justiça Eleitoral, diz presidente do TSE

Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.
Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.

Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, abriu hoje (15/03/2018) a sessão ordinária da Corte expressando “profundo pesar” da Justiça Eleitoral pelo assassinato da vereadora Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco (PSOL), Rio de Janeiro, 27 de julho de 1979 — Rio de Janeiro, 14 de março de 2018), que foi morta a tiros ontem à noite na capital fluminense.

Em nome da Justiça Eleitoral, Fux disse que todos “que velam pela higidez do processo democrático” ficaram “chocados que no mundo de hoje se tente calar a voz da política com uma atitude que demonstra um baixíssimo déficit civilizatório nesse campo”.

“Nesses momentos a sociedade sofre muito, mas a sociedade não se cala nem há de se calar. Nós aqui, em nome de todos os colegas [magistrados], das bancas [de advocacia] e dos eleitores, gostaríamos de manifestar profundo pesar pela trágica morte dessa vereadora”, disse.

Presente na sessão, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro disse, em nome do Movimento Mais Mulheres no Direito, que “hoje é dia em que nós mulheres estamos todas enlutadas pela morte de Marielle, uma vereadora combativa, defensora dos direitos humanos e feminista ativa que lutava pelos direitos de todos nós”.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, também divulgou nota na qual disse que o “assassinato da vereadora Marielle Franco é um crime contra toda a sociedade e ofende diretamente os valores do Estado Democrático de Direito. O Conselho Federal da OAB acompanha o caso e espera agilidade na apuração e punição exemplar para os grupos envolvidos”.

Assassinato

Marielle, de 38 anos, foi assassinada com quatro tiros na cabeça na noite de ontem (14), quando ia para sua casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, após participar de evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro quando os criminosos emparelharam com o veículo da vítima e atiraram nove vezes.

O motorista Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, que dirigia o carro da vereadora, também morreu na hora. Uma assessora da vereadora que estava no veículo sobreviveu ao ataque. Após passar por necropsia no Instituto Médico Legal, o corpo de Marielle será transportado para a Câmara de Vereadores do Rio, onde será velado.

Atuação política

Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016 no Rio de Janeiro, com 46.502 votos. Nascida no Complexo da Maré, era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo feito dissertação sobre o funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas favelas.

Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré. Também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio. No primeiro mandato, Marielle era presidente da Comissão Mulher da Câmara dos Vereadores do Rio.

Recentemente, Marielli assumiu a relatoria da comissão da Câmara de Vereadores do Rio responsável por monitorar a intervenção federal na Segurança Pública do estado. Ela, com frequência, fazia denúncias contra a violência policial em comunidades.

Ato homenageia vereadora Marielle Franco na Câmara Municipal do Rio

Amigos, ativistas e companheiros de política participaram hoje (15), à frente da Câmara Municipal, de um ato em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada na noite de ontem, no centro do Rio de Janeiro. Durante o ato, os manifestantes pediram punição aos responsáveis pela morte.

A estudante Fernanda Werner, de 16 anos, fez questão de ir até a Câmara Municipal do Rio para prestar sua homenagem à vereadora. “A melhor forma de homenagear a Marielle é continuar a luta dela. Está sendo muito difícil”.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que a morte de Marielle fere a democracia, os direitos humanos, a juventude e as mulheres. Ele disse esperar que a polícia apure o crime e descubra os responsáveis.

“Temos um mês de intervenção e um crime bárbaro desses, num local visível, cheio de unidades do poder público por ali, numa rua larga, iluminada. É insegurança total. Esses grupos mafiosos, grupos de extermínio, parece que quiseram dar uma demonstração de força”, disse o deputado, que é integrante da Comissão Externa da Intervenção Federal no Rio da Câmara dos Deputados.

Também deputado federal do mesmo partido de Marielle, Glauber Braga (RJ) disse que já foi solicitada uma reunião com o interventor federal na segurança do Rio, general Braga Netto, para tratar do assunto. A comissão já tinha uma reunião agendada com Braga Netto, para a próxima segunda-feira (19), mas há a possibilidade do encontro ser antecipado para amanhã (16).

Por meio de nota, o Gabinete da Intervenção informou que o general Braga Netto repudia as ações criminosas como a que culminou na morte da vereadora Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes, motorista da vereadora. “Ele se solidariza com as famílias e amigos. O interventor federal acompanha o caso em contato permanente com o Secretário de Estado de Segurança”, diz a nota do Gabinete de Intervenção.

Assassinato da vereadora é um atentado à democracia, diz Temer

O presidente Michel Temer disse hoje que o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes, é “inaceitável” e “inadmissível”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Temer ainda classificou o crime como um “atentado ao Estado de Direito e à democracia”.

Depois de lamentar o crime, o presidente voltou a se manifestar sobre o caso e reafirmou que o governo vai acompanhar as investigações e quer solucionar “no menor prazo possível”.

“O assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, é inaceitável, inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorreram no Rio de Janeiro. É um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e um atentado à democracia. No particular, no caso especial, que estamos aqui discutindo, trata-se de um assassinato de uma representante popular, que ao que sei, fazia manifestações, trabalhos, com vistas a preservar a paz e a tranquilidade na cidade do Rio de Janeiro”, declarou Temer.

Temer disse que a intervenção federal decretada pelo governo na segurança do Rio de Janeiro visa “acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou na cidade por força das organizações criminosas”. O presidente enfatizou que o governo quer acabar com o “banditismo” antes que ele “destrua nosso futuro”.

“Eu quero não só me solidarizar com a família da Marielle e do Anderson Gomes, o seu motorista, me solidarizar com todos aqueles que foram vítimas de violência no Rio de Janeiro, mas, salientar que essas quadrilhas organizadas, essas organizações criminosas não matarão o nosso futuro.

“Nós estamos ali no Rio de Janeiro para restabelecer a paz, para restabelecer a tranquilidade”, acrescentou.

Pela manhã, Temer se reuniu com ministros no Palácio do Planalto para discutir o caso. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, irão hoje à tarde ao Rio de Janeiro para acompanhar pessoalmente as investigações do assassinato.

Marielle foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes.Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

A vereadora era moradora do Complexo da Maré e defensora dos direitos humanos, autora de frequentes denúncias de violações cometidas contra negros, moradores de favela, mulheres e pessoas LGBT.

“Foi um ato covarde”, diz irmã de vereadora assassinada no Rio

A difícil tarefa de reconhecer o corpo da vereadora Marielle Franco, assassinada ontem (15) no Rio de Janeiro, coube à irmã, a professora Anielle Silva. Ela chegou por volta das 8h20 no Instituto Médico-Legal (IML) e levou mais de duas horas para concluir o processo de liberação do corpo da parlamentar.

Depois de ter reconhecido o corpo da irmã, Anielle falou com a imprensa. “Infelizmente, ela foi brutalmente assassinada. A gente mais uma vez sendo vítima da violência desse estado, sendo dessa ausência de segurança que a gente tem. Tentaram calar não só 46 mil votos [obtidos por Marielle na última eleição], mas também várias mulheres negras”, lamentou.

Segundo ela, o Complexo da Maré, onde Marielle nasceu e viveu parte de sua vida “chora”, assim como o Rio de Janeiro e o Brasil inteiro. “Ela só tinha um ano de mandato, não sei por que incomodava tanto. Não tinha necessidade de ser assim. Foi um ato covarde”, disse. “Marielle era uma pessoa do bem, guerreira, sorridente, que estava lutando muito pelas mulheres negras.”

Já o reconhecimento do corpo do motorista de Marielle, Anderson Pedro Soares, que também morreu baleado, ficou a cargo da viúva, Ágatha Arnaus Reis. “A gente já está imerso nisso [na violência]. A gente acaba se acostumando. No final de contas, é mais um. Não sou só eu, são várias pessoas. A revolta fica meio para trás, porque a dor é muito maior”, disse.

Anderson Soares trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais como motorista para Marielle. Segundo Ágatha, recentemente, os serviços eram frequentes, porque o marido estava substituindo o motorista oficial, que estava doente.

A vereadora e o motorista que conduzia o veículo em que ela estava com uma assessora foram assassinados a tiros na noite de ontem (14), no centro do Rio de Janeiro. Uma assessora de Marielle que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

Interventor federal repudia assassinato de vereadora do PSOL no Rio de Janeiro

O Gabinete da Intervenção divulgou nota sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, morta a tiros na noite de ontem (15), no centro do Rio de Janeiro. O gabinete informou que o general Braga Netto repudia as ações criminosas como a que culminou na morte da vereadora e de Anderson Pedro Gomes, motorista dela. “Ele se solidariza com as famílias e amigos. O interventor federal acompanha o caso em contato permanente com o Secretário de Estado de Segurança”, diz a nota do Gabinete de Intervenção.

Mais cedo, o secretário de estado de Segurança, general Richard Nunes, determinou à Divisão de Homicídios uma ampla investigação sobre os assassinatos e a tentativa de homicídio da assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque.

Os corpos da vereadora e do motorista aguardam liberação no Instituto Médico Legal. Marielle deve ser velada na Câmara de Vereadores, na Cinelândia.

Anistia pede investigação “imediata e rigorosa” de assassinato de vereadora

A organização não governamental Anistia Internacional pediu hoje (15) uma investigação imediata e rigorosa do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e defensora dos direitos humanos Marielle Franco, do PSOL.

A vereadora foi assassinada a tiros na noite de ontem (14), no centro do Rio de Janeiro. O motorista que conduzia o carro em que ela estava também foi morto pelos disparos.

“Marielle Franco é reconhecida por sua histórica luta por direitos humanos, especialmente em defesa dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias e na denúncia da violência policial”, afirma a nota da Anistia Internacional. “Não podem restar dúvidas a respeito do contexto, motivação e autoria do assassinato de Marielle Franco”, continua a nota.

A organização feminista Articulação de Mulheres Brasileiras também se manifestou pedindo “imediata apuração dos fatos, verdade e justiça”.”Este crime brutal não calará a causa e o legado de Marielle. Transformaremos dor em luta, e seguiremos ecoando a denúncia da violência contra a população negra e pobre do país”.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, lamentou o assassinato da vereadora em nota publicada em seu perfil no Twitter e disse estar acompanhando a investigação com as forças federais.

“Lamento profundamente esse ato de extrema covardia contra a vereadora Marielle Franco, uma mulher admirável, guerreira e atuante, de liderança inequívoca, que tanto lutou contra as desigualdades e violência da qual acabou sendo vítima”, disse. “Solidarizo-me com familiares e amigos, e acompanho, com as forças federais e integradas de Segurança, a apuração dos fatos para a punição dos autores desse crime hediondo que tanto nos entristece”.

O assassinato também causou indignação entre intelectuais e artistas. A cantora Elza Soares usou o Twitter para lamentar a morte de Marielle e se disse chocada e horrorizada: “Das poucas vezes que me falta a voz. Chocada. Horrorizada. Toda morte me mata um pouco. Dessa forma me mata mais. Mulher, negra, lésbica, ativista, defensora dos direitos humanos. Marielle Franco, sua voz ecoará em nós. Gritemos”.

A sambista Teresa Critina desejou conforto aos familiares da vereadora. “Que os familiares de Marielle Franco encontrem algum conforto diante de tamanha brutalidade”.

Corpos de Marielle e Anderson chegam à Câmara Municipal para velório

O corpo da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes chegaram, às 14h30, à Câmara Municipal, no centro do Rio, onde ocorre o velório. Uma multidão, ocupando toda a frente do prédio, na Cinelândia, se emocionou à passagem do caixão.

Com cartazes e faixas homenageando Marielle, os manifestantes pediam por justiça e gritavam o nome dela e, em seguida, respondiam: “presente!”.

A passagem do caixão com o corpo da vereadora, carregado por políticos do PSOL e lideranças sociais, foi intensamente aplaudida em todo o trajeto até o Salão Nobre da Câmara.

Assassinato

Marielle foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes.

Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

A vereadora era moradora do Complexo da Maré e defensora dos direitos humanos, autora de frequentes denúncias de violações cometidas contra negros, moradores de favela, mulheres e pessoas LGBT.

Homenagens a Marielle Franco mobilizam o Brasil e o exterior

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes na noite de quarta-feira (14) gerou uma onda de indignação e revolta em todo o país, e também no exterior, assim como manifestações de solidariedade e homenagem à atuação da parlamentar.

Ativista, militante dos direitos humanos, Marielle estava em seu primeiro mandato e vinha denunciando o abuso de policiais do Rio de Janeiro contra moradores de comunidades cariocas. A parlamentar também havia sido escolhida relatora da Comissão da Verdade, criada no estado desde a intervenção federal.

Atos em homenagem a Marielle e contra a impunidade e o assassinato de militantes progressistas no país serão realizados em dezenas de cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, desde a manhã desta quinta-feira (15), uma vigília está sendo realizada em frente à Câmara Municipal, na Ceilândia.

Em São Paulo, o PSOL e movimentos sociais convocaram um ato a partir das 17h no vão livre do MASP, na Avenida Paulista.

Em Londres, um grupo de manifestantes realizou uma manifestação em frente ao Parlamentou Europeu, onde eurodeputados também homenagearam a vereadora e o Podemos, partido espanhol, entregou uma carta pedindo que as negociações entre a União Europeia e o Mercosul sejam suspensas até resolução do caso.

Demora na elucidação do assassinato no Rio será a desmoralização da intervenção militar, afirma ex-governador Jaques Wagner

“O assassinato da vereadora do Psol Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes precisa ser elucidado com a máxima urgência. Do contrário, estará configurada a desmoralização da intervenção militar no Rio de Janeiro”, disse hoje o ex-governador Jaques Wagner. “Se a presença do Exército nas ruas foi a forma encontrada pelo governo federal para combater a violência na capital fluminense, é hora de comprovar a eficiência da ação”. De acordo com ele, o recado dos criminosos foi claro: com intervenção ou sem intervenção, nós damos as cartas no Rio.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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