Lideranças políticas emitem nota de pesar em memória da vereadora Marielle Francisco da Silva

Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.
Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.
Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.
Homenagem à vereadora Marielle Francisco da Silva (PSOL/RJ). Líder feminista foi assassina.

Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco, Rio de Janeiro, 27 de julho de 1979 — Rio de Janeiro, 14 de março de 2018) nasceu no Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, era socióloga, graduada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2007), com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo feito dissertação sobre o funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas favelas. Acumulou experiência acadêmica e profissional nas áreas de Sociologia e Administração, com ênfase em Administração Pública, Segurança Pública e Ação coletiva.

Ela foi assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), vinculada ao mandato do deputado estadual Marcelo Freixo, colega de partido no PSOL. Em 2016, foi eleita vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro sendo a quinta mais votada, com 46.502 votos. Na Câmara Municipal, presidia a Comissão de Defesa da Mulher.

Ela trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio.

Recentemente, Marielle Francisco havia assumido a relatoria da comissão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo responsável por monitorar a intervenção federal na Segurança Pública do estado. Com frequência, ela fazia denúncias contra a violência policial em comunidades.

Assassinato

Quatro dias antes de se tornar vítima de assassinato, Marielle Franco fez denúncias contra o Batalhão de Irajá (41º BPM) no perfil nas redes sociais da internet dizendo que a unidade estava “aterrorizando e violentando moradores de Acari”, comunidade na zona norte do Rio de Janeiro.

No início da noite de quarta-feira (14/03/2018), Marielle Franco havia participado de um evento de apoio a mulheres negras chamado ‘Jovens Negras Movendo as Estruturas’ na rua dos Inválidos, na Lapa, centro do Rio.

Na noite de quarta-feira (14), Marielle Francisco foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando ia para a residência no Bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, após participar de evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro quando os criminosos emparelharam com o veículo da vítima e atiraram nove vezes.

O motorista Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, que dirigia o carro da vereadora, também morreu na hora. Uma assessora da vereadora que estava no veículo sobreviveu ao ataque. Após passar por necropsia no Instituto Médico Legal, o corpo de Marielle está sendo velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

PGR abre procedimento que pode federalizar caso sobre morte de vereadora

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinou a abertura de um procedimento instrutório para a possível federalização das investigações sobre a morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada na noite de ontem (15) no Rio de Janeiro.

O procedimento instrutório é uma fase preliminar do processo que pode levar à instauração de um Incidente de Deslocamento de Competência, instrumento pelo meio do qual o Ministério Público Federal (MPF) solicita à Justiça a federalização de algumas investigações.

Por meio de nota, Dodge também informou ter feito solicitação formal à Polícia Federal (PF) para que adote providências para investigar o assassinato.

Apesar da providência, Dodge disse prestar total apoio ao procurador de Justiça Eduardo Gussen, que comanda o Ministério Público do Rio de Janeiro, na apuração do caso. “O Ministério Público está unido e mobilizado em torno do assunto”, diz o texto.

O secretário de Direitos Humanos da Procuradoria-Geral da República (PGR), André de Carvalho Ramos, foi enviado ao Rio de Janeiro para acompanhar o início das investigações feitas pelo Ministério Público do estado, informou Dodge.

Confira notas

Dilma Rousseff: “Tristes dias para o país onde uma defensora dos direitos humanos é brutalmente assassinada”

 “Lamento e repudio a morte da ativista Marielle Franco, vereadora pelo PSOL, e de Anderson Pedro Gomes, seu motorista. Um ato covarde praticado contra uma lutadora social incansável. As circunstâncias dessas mortes –  baleados dentro do carro, no Centro do Rio –, são absolutamente chocantes e podem indicar que foram executados. Estou profundamente chocada, estarrecida e indignada. Espero que as investigações apontem os responsáveis por este crime abominável. As mortes violentas de Marielle e de Anderson precisam ser apuradas com o rigor da lei. Tristes dias para o país onde uma defensora dos direitos humanos é brutalmente assassinada. Ela lutava por tempos melhores, como todos nós que acreditamos no Brasil. Devemos persistir e resistir nesse caminho. Minha solidariedade e votos de pesar às famílias de Marielle e Anderson, seus companheiros e amigos, também aos militantes do PSOL. Suas mortes não serão em vão”.

Dilma Rousseff, presidenta eleita do Brasil

Senadora Lídice da Mata (PSB-BA)

Indignada e chocada com o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, quero registrar que estaremos acompanhando de perto todas as investigações. Este crime só demonstra o estágio de violência a que chegou o Brasil, num momento em que o Rio de Janeiro está justamente em estado de intervenção federal.

Fui presidente da CPI do Senado que investigou o assassinato de jovens no Brasil e, infelizmente, o assassinato de Marielle e Anderson só reforçam as estatísticas que a Comissão constatou de de que nossos jovens, principalmente moradores de periferia e negros – e também as mulheres – são as principais vítimas desse estado de violência extrema e de racismo institucionalizado a que chegamos, agravado por repressões à liberdade política, de manifestação e expressão.

É preciso reagir. É preciso uma ação unida e organizada de todos aqueles que lutam pela paz, pelos direitos humanos e pela afirmação da cidadania e que não aceitam a discriminação da pobreza. Quero dizer que sua voz, Marielle, será permanente e continuará sendo ouvida com nossa participação. Vamos lutar para impedir que o Brasil se transforme no apartheid que a elite e também a bandidagem querem transformar.

Luiza Maia lembra que vereadora era defensora dos direitos sociais

Presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Assembleia Legislativa da Bahia, a deputada Luiza Maia (PT) apresentou moção de pesar na Secretaria geral da Mesa ALBA pelo assassinato covarde e brutal da vereadora do PSOL carioca, Marielle Franco.

Durante o Encontro Internacional Parlamentar do Fórum Social Mundial, na manhã de quinta-feira, dia 15, a parlamentar disse que a execução da edil no Rio de Janeiro reflete o estado de exceção e de ódio instalados no Brasil.

“Foi uma coisa horrorosa. Dói dentro de nós, mulheres, sabermos desse crime brutal contra nossa companheira Marielle. Ela que lutava exatamente contra o extermínio do povo negro no Rio. Infelizmente a mataram, mas não conseguirão calar a voz dela, pois o mundo se uniu para ecoar sua luta”, disse a parlamentar.

A vereadora do PSOL foi assassinada na noite de quarta-feira dia 14, no bairro do Estácio de Sá, atingida com pelo menos quatro tiros na cabeça. Três dias antes do crime, Marielle havia denunciado a violência de policiais em comunidades cariocas e a morte de jovens inocentes. Ele também era ativa no movimento negro e criticava a atuação policial nas favelas da cidade. Os bandidos fugiram do local do crime sem levar nada. O motorista Anderson Pedro Gomes também foi morto.

“Ela continua conosco”, diz ministra Cármen Lúcia sobre Marielle Franco

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, manifestou na tarde de hoje (15) pesar pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros na noite de quarta-feira (14), no Rio de Janeiro.

“Morre uma mulher. No caso de Marielle, morre um pouco cada uma de nós. Fica viva sua luta por Justiça e igualdade. E o nosso compromisso de continuar com ela. Assim, ela continua conosco. Para sempre Marielle!”, disse a ministra por meio da conta oficial do STF no Twitter.

Durante a sessão plenária desta quinta-feira (15), na qual é julgada a constitucionalidade de cotas para financiamento à candidatura de mulheres nas eleições, outros ministros também prestaram homenagens a Marielle.

“A vereadora foi vítima da mais cruel e covarde forma de discriminação, que é a eliminação física. Não bastasse toda uma série de discriminações, o ápice da violência com a eliminação física”, disse o ministro Alexandre de Moraes.

“Não há palavras para reagir a altura do assassinato da vereadora Marielle Franco”, disse o ministro Luís Roberto Barroso. “Aliás, tem faltado palavras para descrever o que está acontecendo no Rio de Janeiro neste exato momento, uma combinação medonha de desigualdade, corrupção e mediocridade. Um círculo vicioso difícil de se romper e que tem conduzido à extrema violência que nós estamos enfrentando”, acrescentou.

“A única homenagem que a gente pode prestar a quem luta por justiça e por igualdade é continuar a luta por justiça e por igualdade”, afirmou Barroso. Os ministros Rosa Weber e Luiz Fux também fizeram breves homenagens.

Reitoria da UFRB manifesta pesar e indignação pelo assassinato de Marielle Franco

A Reitoria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) manifesta pesar e indignação pelo assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, ocorrido na noite da última quarta-feira, 14 de março.

Marielle lutava contra o genocídio da juventude pobre e negra, e foi mais uma vítima desse crime bárbaro. A Reitoria demonstra sua preocupação com a crescente onda de violência que se abate sobre lideranças sociais, do campo e da cidade, que lutam em defesa dos direitos humanos, dos direitos sociais e civis, na defesa do direito a vida e a dignidade dos brasileiros e brasileiras que vivem em situação de risco e opressão.

Marielle, mulher negra, tinha 38 anos e se apresentava como “cria da Maré”. Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), teve dissertação de mestrado com o tema “UPP: a redução da favela a três letras”.

A Reitoria da UFRB se coloca ao lado de todas as pessoas e instituições do Brasil e do mundo que exigem apuração rigorosa dos crimes. A morte dessa liderança liberou um sentimento de indignação, de saturação e de esperança na capacidade do povo de tomar a história nas mãos e fazer o seu destino. Que ela seja o símbolo de um tempo novo em que estejamos unidos pelo bem maior que é a democracia e o direito de todas as pessoas viverem com dignidade, respeito, segurança e liberdade.

Ao registrarmos nossas condolências, manifestamos apoio e solidariedade aos amigos e familiares.

Câmara homenageia a Marielle Franco

O Plenário da Câmara dos Deputados realizou nesta quinta-feira (15/03/2018) sessão solene em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, de 38 anos, assassinada na noite de quarta-feira (14) na rua Joaquim Palhares, no Estácio, região central do Rio.

Sobre Carlos Augusto 9455 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).