Eleições 2018: Prefeito José Ronaldo emerge como alternativa do DEM ao governo da Bahia

Prefeitos ACM Neto e José Ronaldo, durante convenção nacional do Democratas.Prefeitos ACM Neto e José Ronaldo, durante convenção nacional do Democratas.
Prefeitos ACM Neto e José Ronaldo, durante convenção nacional do Democratas.

Prefeitos ACM Neto e José Ronaldo, durante convenção nacional do Democratas.

A desistência do prefeito ACM Neto (DEM) de candidatar-se ao cargo de governador da Bahia, nas eleições de 2018, é dada como quase certa, avaliou reportagem de Igor Gadelha, veiculada no Jornal Estadão, em 20 de fevereiro de 2018.

Segundo a reportagem, o DEM começou a discutir um “plano B” para as eleições ao governo da Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, com 10,7 milhões de eleitores. Nome mais forte do partido para a disputa, o atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, de 39 anos, sinalizou que pode não concorrer e, por isso, a legenda e o próprio chefe do executivo municipal passaram a articular nomes alternativos.

Uma das opções pensadas é José Ronaldo (DEM), que cumpre o segundo mandato consecutivo e o quarto mandato como prefeito de Feira de Santana, município com o segundo maior número de eleitores da Bahia. Outra alternativa é lançar como candidato a governador o atual vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, que deve trocar o MDB pelo DEM e que assumirá o comando da capital baiana, caso Neto saia do cargo para disputar o governo, dia a reportagem.

Aliados de ACM Neto dizem que ele teme deixar a Prefeitura de Salvador, perder a eleição ao governo do estado e não eleger o sucessor, ao governo municipal, em 2020. O temor é decorrente da reconhecida gestão do governador Rui Costa (PT), que realiza investimentos na capital e em cidades do interior, além de manter as contas do governo em ordem, com pagamento de servidores e transferências obrigatórias de forma regular.

Cenário

ACM Neto, José Ronaldo e Bruno Reis tem até do dia 7 de abril para definir se são candidatos no pleito de 2018. A indefinição dos políticos revela a fragilidade da base eleitoral do Democratas, em âmbito estadual.

O MDB, partido em que Colbert Martins Filho é vice-prefeito de Feira de Santana e Bruno Reis é vice-prefeito em Salvador, encontra-se em grave crise. A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima e o processo federal por possível envolvimento no Caso Lava Jato, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), contra o deputado Lúcio Vieira Lima empurrou a legenda para o limbo eleitoral.

A presidência estadual interina de Pedro Tavares é questionada pelos demais quatro deputados estaduais da legenda, que ameaçam deixar o MDB, caso a executiva estadual não seja reformulada.

Além de problemas no MDB, a liderança de ACM Neto não foi capaz de atrair o PSD, presidido pelo senador Otto Alencar e o PP, cuja maior liderança estadual é o vice-governador João Leão. Nos bastidores da política, comenta-se que malas de dinheiro, ministérios e até mesmo uma candidatura à prefeitura de Salvador foram oferecidas aos apoiadores do governo Rui Costa e rejeitadas.

Observa-se que a oferta do comando da capital de Salvador, transforma, para os Magalhães, o município em capitania hereditária.

Observa-se, também, que Otto Alencar e João Leão comandam partidos que tem representatividade em dezenas de prefeituras da Bahia e sabem que a candidatura de Rui Costa é quase imbatível no cenário estadual, portanto, não vão mudar de lado, aparecer como oportunistas e vendilhões, em troca do projeto político do prefeito ACM Neto, projeto que aparenta poucas chances de prosperar, em decorrência da fragilidade política, reconhecida, inclusive, quando o prefeito apresenta sinais de desistência do pleito.

Neste aspecto, de forma taxativa, Otto Alencar e João Leão reiteraram o apoio à reeleição de Rui Costa e ao ex-governador Jaques Wagner como candidato ao senado federal e manifestam o desejo de derrotar ACM Neto.

Enquanto sobra coesão política e base parlamentar ao governador Rui Costa, o projeto de ACM Neto esbarra na falta de apoio de prefeitos, parlamentares e da população, que rejeita o Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 contra a presidente Dilma Rousseff e associa a troika, ACM Neto, DEM; Geddel Vieira Lima, PMDB e Antonio Imbassahy, PSDB como responsáveis pelo retrocesso em programas sociais implementos pelos governos de Lula e Rousseff, quando presidentes da República. Programas que contribuíram para superação de parte da desigualdade social que afeta o povo brasileiro.

Não obstante, o deputado Rodrigo Maia, pré-candidato a presidente da República pelo Democratas, manifestou ser contra programas sociais, a exemplo do Bolsa Família. Enquanto ACM Neto, quando deputado federal, é lembrado por ter ameaçado agredir fisicamente o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ameaça física de ACM Neto à Lula demarca um perfil político com elementos da arrogância, prepotência e violência, típicos de governantes que conduzem autocracias, despóticas e autoritárias.

Convenção Nacional

Durante Convenção Nacional do Democratas realizada nesta quinta-feira (08/03/2018) em Brasília, ACM Neto (BA) foi eleito presidente da legenda e Rodrigo Maia foi indicado pré-candidato à presidência da República.

Observa-se que ao assumir o cargo burocrático do partido, ACM Neto deve dividir as atenções entre organizar nacionalmente a legenda, dirigir a prefeitura de Salvador e coordenar a liderança do grupo para construir uma candidatura em oposição ao governador Rui Costa.

Observa-se, também, que no cenário nacional a pré-candidatura do deputado Rodrio Maia não é avaliada com seriedade se quer pelo pai do parlamentar, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia.

Infere-se que o Democratas tenta, com o lançamento de Rodrigo Maia, conquistar espaço político para viabilizar a indicação de um nome na chapa majoritária liderada por Geraldo Alckmin, governador de São Paulo pelo PSDB e pré-candidato à presidente da República.

Neste cenário, Geraldo Alckmin deve aglutinar as forças políticas de centro-direita, contra o campo de centro-esquerda, cuja principal liderança é o ex-presidente Lula.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).