Banco Central bloqueia R$ 864 mil em contas ligadas ao ex-ministro Delfim Netto

Ex-ministro Antônio Delfim Netto tem contra bancária bloqueada, no valor total de R$ 864.801,50, por ordem da justiça.
Ex-ministro Antônio Delfim Netto tem contra bancária bloqueada, no valor total de R$ 864.801,50, por ordem da justiça.
Ex-ministro Antônio Delfim Netto tem contra bancária bloqueada, no valor total de R$ 864.801,50, por ordem da justiça.
Ex-ministro Antônio Delfim Netto tem contra bancária bloqueada, no valor total de R$ 864.801,50, por ordem da justiça.

O Banco Central bloqueou nesta terça-feira (13/03/2018) quatro contas bancárias em nome do ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto e outras oito em nome de empresas de consultoria controladas pelo economista, após determinação do juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. No total, os saldos das contas somam R$ 864.801,50.

Delfim Netto é investigado na Operação Buona Fortuna, a 49ª fase da Lava Jato, como suspeito de receber 10% da propina paga por construtoras que atuaram na obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Na última sexta-feira (9), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Guarujá (SP), em Jundiaí (SP) e em Curitiba. A casa do ex-ministro foi um dos alvo dos mandados.

Delfim Netto teria recebido R$ 15 milhões do Consórcio Norte Energia (composto pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli), por meio de contratos fictícios de consultoria. Além dos 10% remetidos ao ex-ministro, o consórcio teria enviado propina aos partidos PMDB e PT. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), cada um dos partidos recebeu 45% dos valores.

Os procuradores pediram o bloqueio de valores e bens no exato montante da propina atribuída ao ex-ministro, mas o juiz Sergio Moro só autorizou o confisco de R$ 4,4 milhões. Após o rastreamento, o Banco Central informou ao magistrado a retenção de R$ 262.337,38 em contas em nome do próprio Delfim Netto, além de R$ 108.370,31 na conta da Aspen Assessoria, R$ 116.131,29 na conta da Buona Fortuna, R$ 334.231,54 na conta da Ideias Consultoria e R$ 43.730,98 na conta da Capres. Todas são empresas de consultoria ligadas a Delfim Netto. Também teve as contas bancárias bloqueadas o empresário Luiz Appolonio Neto, sobrinho de Delfim, com a retenção de R$ 102.551,83 em contas de pessoa física e outros R$ 1.093,03 em uma conta da LDM Assessoria, também uma empresa de consultoria.

Em uma petição ao juiz Sergio Moro, os advogados do ex-ministro Ricardo Tosto e Fernando Agrela informaram que o bloqueio atingiu todas as contas bancárias mantidas por Delfim Netto, extrapolando o limite estabelecido pela Justiça. Eles pediram que Moro determinasse o desbloqueio de três das contas do econimista, além da liberação das contas vinculadas a empresas. O juiz ainda não respondeu ao pedido.

MPF diz que Palocci pediu 10% de propina de empreiteiras para Delfim Netto

O procurador Athayde Ribeiro Costa, membro da força-tarefa da Operação Lava Jato, disse na sexta-feira (09/03/2018) que o ex-ministro da Fazenda e ex-deputado federal Antonio Palocci foi o porta-voz do governo federal no recebimento de propinas, destinadas ao PT e ao MDB, de construtoras que atuaram na obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, construída a partir de 2011.

De acordo com o procurador, Palocci foi quem direcionou ao ex-ministro da Fazenda e ex-deputado federal, Antônio Delfim Netto, 10% da propina, ou R$ 15 milhões, paga pelas empreiteiras. Segundo as investigações do Ministério Público Federal, Delfim chegou a receber R$ 4 milhões do montante.

“Antonio Palocci foi o porta-voz do governo federal, então deputado federal, para direcionar os pedidos de propina, parte ao PT e parte ao MDB [então PMDB]. Em um segundo momento, Palocci pediu para que 10% do valor de 1% do contrato fosse direcionado a Antônio Delfim Netto, que corresponderia a quantia aproximada de R$ 15 milhões”, disse Athayde em entrevista coletiva.

Saiba Mais
Polícia Federal faz operação para investigar contratos da Usina de Belo Monte
Delfim Netto foi alvo hoje da Operação Buona Fortuna, na 49ª fase da Lava Jato, que cumpriu dez mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo e Paraná. O empresário Luiz Appolonio Neto, sobrinho do ex-ministro, também foi alvo da ação. O MPF apontou que pagamentos também eram feitos em dinheiro vivo e em depósitos a empresas de Appolonio Neto.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Delfim Netto seria destinatário de R$ 15 milhões do Consórcio Norte Energia (formado pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli), por meio de contratos fictícios de consultoria. Além dos 10% remetidos a Delfim, o consórcio teria enviado propina aos partidos PMDB e PT. De acordo com o MPF, cada um dos partidos recebeu 45% dos valores.

O grupo de empresas pode ter sido favorecido no leilão de concessão de Belo Monte por agentes do governo federal. O Ministério Público usou informações obtidas pelos acordos de leniência firmados com a Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, além da quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. No caso da Odebrecht, os pagamentos direcionados a Delfim Netto vinham com o codinome professor.

A defesa de Delfim Netto, representada pelos advogados Ricardo Tosto e Jorge Nemr, sócios do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, informou em nota que o cliente não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo. “Os valores que [Delfim Netto] recebeu foram honorários por consultoria prestada”.

Já a defesa de Luiz Appolonio Neto, representada pelo advogado Fernando Araneo, do mesmo escritório que representa Delfim, refuta “veementemente” as acusações e esclarece que a vida profissional do cliente “sempre foi pautada pela legalidade”.

A defesa de Antonio Palocci foi procurada, mas não se manifestou até o momento.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 112703 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]