ABI saúda a volta do Jornal do Brasil impresso

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Capa da edição do Jornal do Brasil de 25 de fevereiro de 2018.
Capa da edição do Jornal do Brasil de 25 de fevereiro de 2018.

O Jornal do Brasil voltou a circular nas bancas neste domingo (25/02/2018). Segundo informações publicadas no site do JB, por volta das 11 horas todos os 40 mil exemplares já estavam esgotados. A partir de agora a tiragem será de 20 mil diários. O preço de banca é R$ 5.

Para o presidente da ABI Domingos Meirelles 25 de fevereiro tornou-se“um grande dia para todos nós”.

A edição especial, com quatro cadernos, trouxe depoimentos de antigos jornalistas, de personalidades e autoridades, relembrou artigos, reportagens e fotografias históricas e premiadas do JB, e apresentou a nova equipe de editores e colunistas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina um dos artigos.

A capa do Jornal do Brasil também fez sucesso na internet e nas redes sociais. Com a imagem do Cristo Redentor assinada por Ziraldo, o jornal estampava em sua primeira página um artigo sobre a sua volta às bancas, a situação econômica do Rio e também a crise de violência que a cidade enfrenta.

A primeira edição que marcou a volta do Jornal do Brasil está disponível no formato digital e pode ser acessada aqui

Negócios

Depois de oito anos sem edição impressa, no domingo (25) o “Jornal do Brasil” volta a circular com um plano de negócios inesperado. “Vamos focar as bancas”, diz o empresário à frente do relançamento, Omar Resende Peres, 60.

Ele diz que a tiragem será de 50 mil exemplares no primeiro dia e, ao longo do mês seguinte, para testar a recepção dos leitores, de 20 mil exemplares diários, sete dias por semana. O preço de capa será de R$ 5, em formato standard.

Publicidade e assinaturas não serão prioridade. “O nosso plano de negócios foi todo realizado para a venda de bancas”, diz, citando uma pesquisa que levantou “um potencial de 50 mil a 100 mil leitores por dia” no Rio.

Assinaturas, inclusive para a versão digital, podem ser implementadas no futuro. E o jornal já tem um departamento de publicidade, com seis profissionais, mas o eventual retorno “será lucro”.

“O mercado no Rio está muito machucado, em decorrência da crise que estamos vivendo”, diz Peres. “Agora, nós temos que viver de banca.”Ele reconhece que parece estar “na contramão da história”, mas lembra que não é “um neófito”, tendo sido proprietário de uma afiliada da Globo e de um jornal em Juiz de Fora (MG).

“E eu estou relançando o ‘Jornal do Brasil’, que é uma marca icônica no Rio e ainda tem um mercado relevante”, diz. “O ‘Jornal do Brasil’ ainda está vivo nas pessoas do Rio. Eu acredito nisso, nesse patrimônio.”

Fundado em 1891, o “JB” marcou a modernização do jornalismo brasileiro a partir de 1959, quando Janio de Freitas, hoje colunista da Folha, comandou sua reforma gráfica. Peres assumiu a marca em 2017.

Custo

No entender do empresário, “o que vai viabilizar” o projeto é seu baixo custo operacional. Ele se nega a dar números sobre o investimento feito, mas enfatiza que a estrutura “é muito pequena”, inclusive Redação.

Segundo o diretor de Redação, Gilberto Menezes Côrtes, serão cerca de 30 jornalistas. Contando colunistas e outros, o “time total” chega a 50, “jornalistas muito experientes, que abraçaram a causa”, diz Peres.

Eles vão responder por reportagens especiais, artigos e colunas, que se somarão à edição, “para dar a cara do ‘Jornal do Brasil’”, do material fornecido por agências como Estado e France Presse e o jornal esportivo “Lance”.

Mais do que na produção de conteúdo, o jornal vai economizar com impressão e distribuição, que ficarão a cargo da Infoglobo no Rio e do “Jornal de Brasília” para a pequena tiragem na capital federal (2.000). Em São Paulo, só estará disponível nos aeroportos.

O site do “Jornal do Brasil”, mantido nestes oito anos por outra Redação, também estreia novo formato no domingo. Peres decidiu deixar o portal Terra, onde está abrigado, mas ainda definiu novo destino.

O que está mais adiantado é o lançamento da JB-TV, que “é um outro produto, não tem nada a ver com o jornal impresso, nada a ver”, diz. “É outro time, vai ser feito por jovens que são hoje linkados à internet.”

O empresário, que tem hoje investimentos em fazenda e restaurantes no Rio, vai se dedicar ao jornal diariamente, “como membro do estafe”. Mas só escreverá eventualmente, como na edição do próximo domingo.

Seu texto, adianta ele, será uma mensagem aos leitores, afirmando acreditar na marca do jornal, porque “o que mora na alma não morre”, e no Rio de Janeiro. Em suma: “Nós vamos sair desse imbróglio em que a gente está”.

Ciro

Tanto Peres como o diretor Côrtes, veterano do primeiro “JB” e mais recentemente em veículos como GloboNews, afirmam que o jornal será pluralista, sem favorecer políticos ou grupos.

“Eu sou brizolista”, diz o empresário. “Continuo sendo brizolista. Tenho proximidade com Ciro [Gomes, presidenciável do PDT]. Mas aqui na Redação eu tenho pessoas que vão torcer por alguém do PT, por alguém do PSDB.”

E conclui: “Não pedi atestado ideológico para ninguém. E a minha convicção pessoal, de que Ciro é o melhor candidato hoje, não vai ter a menor influência. O jornal vai fazer jornalismo”.

HABEMUS JB

No momento em que os grandes veículos de comunicação perdem musculatura no confronto desigual com as mídias digitais, é importante celebrar a abertura de um novo espaço no conturbado território do jornalismo impresso. Ángelus Dómini à assunção do velho e bom Jornal do Brasil ao universo da informação.

Ao se despir nos anos 60 da imagem de preferido das empregadas domésticas, pelo volume de classificados que exibia na primeira página, o JB não trocara apenas de roupa. O audacioso projeto gráfico e editorial acabaria revolucionando também a imprensa contemporânea. Como no passado o JB precisa reinventar-se outra vez para enfrentar os desafios dos novos tempos.

A velocidade vertiginosa das transformações tecnológicas colocaram em xeque os modelos tradicionais de acesso e produção de notícias em todo o mundo. Navega-se nos dias de hoje enlouquecidamente pela superficialidade das alamedas digitais. Nos deixamos contaminar pela falsa sensação de liberdade que as plataformas virtuais oferecem ao nos convencerem de que somos livres para preparar nossa própria ração de informações de cada dia.

O advento desse carrossel digital não veio, entretanto, acompanhado do selo de garantia que o público encontrava na mídia impressa. Talvez o maior compromisso do JB seja justamente resgatar a magia do jornalismo impresso num terreno infestado de fake news e outras pragas que proliferam sem controle por esse oceano líquido. Não podemos continuar consumindo reportagens produzidas entre quatro paredes. Não é aceitável que se ofereça ao público textos burocráticos, inodoros, despojados de sentimentos. Lugar de repórter é na rua, ensina Ricardo Kostcho, um dos profissionais mais exuberantes da sua geração.

As reportagens dos dias de hoje não têm mais “cheiro de asfalto”, como observa Carlos Alberto de Franco, um estudioso do mundo da comunicação. Como a mesma fulguração das pinturas impressionistas do século XIX é preciso produzir textos capazes de capturar atmosferas, aromas e afetos como no passado. O leitor gosta de boas histórias e o Jornal do Brasil tem a obrigação de voltar a conta-las com a velha e a boa receita que só o verdadeiro jornalismo possui.

*Com informações da ABI.

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Edição do Jornal do Brasil de 25 de fevereiro de 2018

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