A reeleição de Temer | Por Luiz Holanda

Artigo analisa atuação do presidente Michel Temer (PMDB/SP).
Artigo analisa atuação do presidente Michel Temer (PMDB/SP).
Artigo analisa atuação do presidente Michel Temer (PMDB/SP).
Artigo analisa atuação do presidente Michel Temer (PMDB/SP).

A troca de prioridades do governo encerrou de vez o projeto de reforma da Previdência. Agora o foco é a segurança pública, que, segundo os analistas, pode ensejar a possibilidade de o presidente tentar a reeleição. Como não há espaço para outras candidaturas no campo governista, nem alguém com capacidade para captar a simpatia do eleitorado, Temer mudou de foco: deixou a reforma da Previdência de lado e partiu para a intervenção na segurança pública, começando pelo Rio de Janeiro.

A medida foi uma decisão política. O governo se achava diante da impossibilidade de aprovar a reforma da Previdência. Com o descontrole na segurança pública e o apoio explícito do governador do Rio, Temer partiu para o tudo ou nada. Se tiver sucesso, a medida poderá beneficiá-lo. Os demais auxiliares do presidente também pensam da mesma maneira.

O ministro Eliseu Padilha afirmou que existe a possibilidade de o presidente tentar a reeleição, pois “não tem ninguém que defenda melhor o governo Temer do que o presidente”. Este tem dito que o candidato do PMDB será anunciado entre o final de maio e o começo de junho, sem esconder a possibilidade de ser ele próprio o escolhido. A depender de como evoluirá a articulação em curso, o PMDB poderá fazer uma aliança com o DEM visando as eleições de outubro, pouco importando se alguns próceres desses partidos estejam envolvidos em escândalos de corrupção.

O presidente parece esquecer que contra si pesam alguns indícios de culpabilidade diante das acusações que sofre. A corrupção em seu governo continua solta, protegida pelas decisões de alguns dos ministros de nossa Suprema Corte. Esse fato e sua alta rejeição deveriam servir de empecilho para uma provável candidatura à reeleição, principalmente levando-se em conta seu desgaste político e moral. Não é fácil se manter o respeito diante de tanta corrupção, mesmo oficializada e institucionalizada.

As candidaturas de Lula, Bolsonaro e do próprio Temer permitem o aparecimento de figuras exóticas, como a do Datena, da Band e a do incrível Huck, da Globo, com apoio, inclusive, de FHC, que até agora tem se livrado de investigações e que, quando fala, não diz nada que se aproveite.

As agruras de Lula e o desempenho do candidato da direita ensejaram a apresentação dessas candidaturas folclóricas, a demonstrar o nível a que chegamos, principalmente depois do espetáculo circense entre os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, do STF. O tucano Geraldo Alckmin até agora não conquistou, sequer, a confiança de seu partido. Lula, que tudo indica ficará fora do páreo, poderá apresentar um substituto, mesmo não petista. Marina e Ciro estacionaram. Só restou Temer, que o ministro Gilmar pretende seja inimputável.

O marqueteiro do presidente, Elsinho Mouco, não está -apesar do nome-, surdo aos anseios presidenciais. Declarou que o planalto pode usar a intervenção no Rio para aumentar a popularidade do presidente e alavancar a sua candidatura. De acordo com ele, a intervenção é uma grande chance para o presidente aspirar a um novo mandato, haja vista a grande popularidade que a medida poderá obter. O argumento é que, apesar da crise, parte considerável da população acredita que o Brasil está mudando, e que, a despeito de tudo, o otimismo em relação ao futuro tende a melhorar.

A redução da inflação, da taxa de juros e do desemprego (mesmo que de forma tímida) estariam mudando o estado de espírito dos brasileiros, segundo o governo, de modo que a intervenção poderá aumentar a confiança em um futuro melhor.. Muita gente vem defendendo a presença militar no Rio e em outros estados como uma forma de evitar o caos na segurança. O golpe de 1964 começou com esse discurso. Os militares atenderam ao apelo, tomaram o poder e o devolveram 30 (trinta) anos depois para os mesmos políticos que haviam defenestrados.

Estes, como vingança, institucionalizaram, paulatinamente, a corrupção em todos os órgãos e poderes da República, assaltando, impunemente, bilhões dos cofres públicos, com expressa garantia de alguns dos ministros de nossa Suprema Corte. Alguns dos corruptos têm o desplante de manifestar, publicamente, suas preferências pelos ministros que devem julgá-los. Paulo Preto, por exemplo, teria se manifestado por Gilmar Gilmar Mendes para relatar o seu habeas corpus. Diante desse descalabro, não se pode criticar Michel Temer por pleitear a reeleição.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

Sobre Luiz Holanda 354 Artigos
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]