Salvador: Teatro Gregório de Mattos, Espaço Cultural da Barroquinha e Casa do Benin seguem com exposições

Abertura da Exposição Aféto realizada na Casa do Benin, em Salvador.Abertura da Exposição Aféto realizada na Casa do Benin, em Salvador.
Abertura da Exposição Aféto realizada na Casa do Benin, em Salvador.

Abertura da Exposição Aféto realizada na Casa do Benin, em Salvador.

A Galeria da Cidade, do Teatro Gregório de Mattos (TGM), segue em cartaz até 31 de maio de 2018 com a exposição interativa ‘Gregórios’. Ambientada num circuito dinâmico e criativo, com diversas texturas, composta pela vasta obra creditada a Gregório de Mattos, a mostra cria uma atmosfera seiscentista da Salvador do poeta, por via da iluminação, dos sons, de imagens e objetos que certamente vão transportar os visitantes àqueles tempos em que a capital da Bahia já se fazia majestosa e a mais importante cidade das Américas. Além da vida e obra do ‘Boca de Brasa’, uma linha do tempo retrata a trajetória da Fundação que leva seu nome, a Fundação Gregório de Mattos, criada em 1986 e que, ao longo de três décadas, foi uma instituição importante para alavancar ações e projetos culturais em Salvador. Gregórios foi o último trabalho assinado pelo artista plástico e cenógrafo Joãozito, e, após seu falecimento, o projeto vem sendo tocado por sua esposa e artista plástica Lanussi Pasquali. A exposição ficará aberta ao público até 31 de maio, com visitação guiada de quarta a domingo, das 14 às 19 horas. Como legado, a Galeria da Cidade ganhará um Memorial com parte do acervo exposto.

A Galeria Juarez Paraíso, do Espaço Cultural da Barroquinha, segue até junho com a exposição Orixás da Bahia, e já recebeu quase duas mil visitas. Com estátuas criadas em 1973 por D. Elyette Magalhães (in memorian), mulher de personalidade forte, ideias e visão além de seu tempo, que em plena década de 70 exibia lindos e coloridos turbantes, causando estranhamento a muita gente que desconhecia a importância de tão poderoso adereço e reforçando sua ligação com a religiosidade de matriz africana. Dona Elyette foi mais longe: no ato de criação do Museu da Cidade, em 5 de julho de 1973, dedicou uma sala inteira aos orixás, criados pelo artista plástico Alecy Azevedo (in memorian) e acompanhado pela assessoria de Mãe Meninha do Gantois (in memorian). São 16 estátuas em tamanho real de divindades africanas, esculpidas em papel marchê. A curadoria atual tem assinatura do artista visual, cenógrafo, aderecista e figurinista Maurício Martins, com consultoria religiosa de alguns membros do Terreiro do Gantois. Martins projetou um cenário que promove um diálogo entre elementos da ancestralidade e da contemporaneidade. Para recuperar as roupas (figurinos) e os adereços que vestem as esculturas de Alecy, Martins conta com a coordenação da museóloga, Gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura (FGM) e filha do Gantois, Jane Palma e das costureiras Joselita França, Alzedite Santos, Clara Guedes e Regina Celia Santos. Aberta ao público de quarta a domingo, das 14 às 19 horas.

A Casa do Benin traz a exposição permanente com acervos da coleção de Pierre Verger com artefatos que ele trouxe da Costa do Benin e, até 3 de março, segue com ‘Aféto’, mostra fotográfica que vem percorrendo o país e chama atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de Candomblé, a partir do olhar do fotógrafo Roger Cipó, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo. Ao percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, e vivenciar as diferentes manifestações de fé afro-brasileira, Cipó apresenta raras e delicadas imagens revelando a interação dos fiéis entre si, como uma família ao redor de suas obrigações sagradas, e durante as cerimônias, quando os orixás manifestam seu afeto por meio de suas sacerdotisas e sacerdotes. Um novo olhar para as práticas pretas de fé, sob a ótica de um fotógrafo, que no candomblé, é Alabê (responsável pela orquestra dos atabaques). De acordo com o artista, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência da cultura afro-brasileira e fortalecimento da identidade do povo de axé, a partir da experiência de fé nos orixás, evidenciando o terreiro como espaço de acolhimento, em resposta a uma cultura de segregação e ódio fomentado pelo racismo. A mostra teve grande repercussão inicial ao ser exibida sobre o sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, e chegou a Salvador na semana do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data escolhida para relembrar a memória de Mãe Gilda de Ogum. Símbolo da luta pela liberdade religiosa dos povos de terreiro, a Ialorixá Gilda dos Santos faleceu em 21 de janeiro de 2000 em decorrência das diversas violências sofridas após ter seu rosto estampado em um jornal evangélico a acusando de charlatã. O crime de ódio seguiu de agressões físicas a seus filhos de santo, invasões ao seu terreiro, Abassa de Ogum, o que agravou o estado de saúde da sacerdotisa, provocando sua morte. Para o fotógrafo e as organizações responsáveis pela realização, Aféto traz uma mensagem de respeito a fé, por uma cultura de paz e liberdade de crença. A Casa funciona de segunda a sexta, das 9 às 17 horas, e as visitas são gratuitas.

Agenda

Gregórios – exposição interativa sobre vida e obra de Gregório de Mattos Guerra

Quando: até 31 de maio – de quarta-feira a domingo, das 14 às 19 horas

Onde: Galeria da Cidade – Teatro Gregório de Mattos

Exposição Orixás da Bahia

Quando: até 30 de junho – de quarta-feira a domingo, das 14 às 19 horas

Onde: Galeria Juarez Paraíso – Espaço Cultural da Barroquinha

Exposição Permanente com acervos de Pierre Verger

Quando: permanente – de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas

Onde: Casa do Benin

Exposição Itinerante Aféto – de Róger Cipó

Quando: até 3 de março – de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas

Onde: Casa do Benin

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Redação do Jornal Grande Bahia
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