Brasil em liquidação: venda da ELETROBRAS vai provocar reajuste de até 30% nas tarifas de energia

Presidente Michel Temer persiste na liquidação do patrimônio nacional.
Presidente Michel Temer persiste na liquidação do patrimônio nacional.
Presidente Michel Temer persiste na liquidação do patrimônio nacional.

A privatização da Eletrobras e de suas subsidiárias vai encarecer em até 30% as tarifas de energia elétrica, além de demitir milhares de funcionários e precarizar a qualidade dos serviços. O cálculo é de Emanuel Torres, presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado do Rio de Janeiro e da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel)

Em entrevista, Emanoel Torres diz que a Medida Provisória, assinada no dia 28 de dezembro de 2017 pelo presidente Michel Temer, retirando a proibição de venda da Eletrobras e suas subsidiárias, pegou a todos de surpresa.

“Fomos pegos de surpresa com essa medida provisória, porque estávamos entendendo que o governo iria fazer isso através de um projeto de lei. O presidente Lula tirou a Eletrobras do Programa Nacionall de Desestatização à época (2004), porque entendia que a Eletrobras poderia se transformar na Petrobras do setor elétrico. Agora esse governo, que não tem compromisso com o Brasil, coloca a Eletrobras no processo de privatização, e isso simplesmente para diminuir o rombo do governo para 2018, não tem um projeto de futuro para a empresa”, diz o dirigente.

Nem nos números, as avaliações batem. O Ministério das Minas e Energia afirma que o valor patrimonial da Eletrobras é de R$ 46,2 bilhões e o valor de ativos chega a R$ 10,5 bilhões. Já a ANEEL calcula que o valor patrimonial do grupo é de R$ 370 bilhões e o preço de venda será R$ 12 bilhões. Na visão de Torres, é um número muito alto para se deixar na mão de acionistas.

“Quem vai ganhar com a venda da ELETROBRAS será meia dúzia de acionistas. O povo mesmo não terá nada. A tarifa vai aumentar, os trabalhadores vão ser demitidos, vão terceirizar e precarizar o serviço, hoje de excelência. Raramente falta energia por conta das usinas da Eletrobras”, diz o sindicalista.

Segundo Torres, quem vai pagar essa conta é a sociedade brasileira. Nos seus cálculos, já existe uma perspectiva de reajuste de tarifa de energia életrica de 9% para 2018, contra uma previsão de inflação em torno de 4%, segundo o mercado financeiro e o próprio Banco Central.

“Com a venda da Eletrobras, estamos estimando entre 20% e 30% de reajuste na tarifa, porque você vai descotizar a energia daquelas 14 usinas que a Eletrobras vende hoje na faixa de R$ 20 a R$ 30 o Megawatt/hora (Mw/h). Se o governo descotizar essas usinas, isso vai ser vendido no mercado a R$ 200 o mw/h”, alerta o sindicalista.

O diretor da Aeel lembra que pesquisas recentes de opinião pública, como a realizada pelo Instituto Data Folha no final de dezembro, revelam que 70% da população são contrários à privatização. Torres dz que o sindicato e a associação estão trabalhando no Congresso junto a parlamentares e também na questão jurídica para barrar a venda. “O presidente não pode achar que um decreto pode passar por cima da lei de criação da própria Eletrobras. Estamos indo para Brasília assim que acabar o recesso para discutir com aqueles parlamentares que dê para conversar.”

Torres também discorda da avaliação do governo que defende a privatização do grupo sob a alegação que ele é deficitário.

“A Eletrobras, quando a presidente Dilma fez aquela Medida Provisória 579, tirou quase 80% do caixa das empresas. A presidente, ao mesmo tempo em que reduziu em 20% a tarifa para o consumidor — que acabou não sentido devido à inflação — as empresas do grupo perderam 80% de sua capacidade de caixa. A gente prorrogou a concessão de nossas usinas e em contrapartida reduzia as tarifas. Ficamos por isso dando prejuízo por três anos (de 2014 a 2016). Quando chegou em 2017, a Eletrobras começou a se recuperar e a dar lucro, e esse ano vai dar um lucro altíssimo. A Eletrobras está executando um plano de corte de gastos, já realizou três incentivos à aposentadoria, e mais de 5 mil trabalhadores aderiram. A empresa está enxuta. Os números apresentados pelo governo são sempre os anteriores”, garante o dirigente.

*Com informações da Sputnik Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
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