Planeta Terra está a caminho do terceiro ano mais quente desde que há registos

Mudança climática promove aumento da temperatura no planeta Terra.
Mudança climática promove aumento da temperatura no planeta Terra.
Mudança climática promove aumento da temperatura no planeta Terra.
Mudança climática promove aumento da temperatura no planeta Terra.

É muito provável que 2017 seja o terceiro ano mais quente desde que há registos meteorológicos sistemáticos: a temperatura média global da Terra entre Janeiro e Setembro de 2017 foi de aproximadamente 1,1 graus Celsius acima da era pré-industrial, divulgou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) esta segunda-feira na abertura da conferência das Nações Unidas sobre o clima, em Bona, na Alemanha.

Na 23.ª Conferência do Clima da ONU (COP23), que decorre até 17 de Novembro de 2017, é a primeira vez que os representantes de quase 200 países se reúnem depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado, em Junho último, que os Estados Unidos iam sair do Acordo de Paris. Conseguido em Dezembro de 2015, o acordo entrou em vigor em Novembro do ano passado, como um esforço global para reduzir as emissões atmosféricas de dióxido de carbono e limitar a subida da temperatura do planeta aos dois graus Celsius ou, de preferência, aos 1,5 graus.

Embora ainda não seja o balanço final para 2017, a OMM sublinha que estamos a caminho do terceiro ano mais quente desde o início dos registos meteorológicos sistemáticos (por volta de 1880), uma vez que é isso que aponta um conjunto alargado de informações recolhidas por agências da ONU. Houve inundações e furacões catastróficos, ondas de calor e seca, recorda a OMM.

Este balanço provisório surge uma semana depois de a OMM ter divulgado a concentração do principal gás com efeito de estufa relativa a 2016. A curva de Keeling, gráfico que mostra a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, atingiu um recorde: alcançaram-se as 403,3 partes por milhão (por cada milhão de moléculas há 403 de dióxido de carbono), um valor que a Terra já não conhecia entre há três e cinco milhões de anos.

E, desde o ano passado, dados em tempo real de uma série de locais específicos indicam que os níveis de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso continuaram a aumentar durante 2017, refere o comunicado desta segunda-feira da OMM, acrescentando que os indicadores a longo prazo para as mudanças climáticas – como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos – continuam de forma preocupante sem grandes alterações. Por outro lado, a extensão do gelo do mar da Antárctida está perto de atingir um recorde mínimo e a cobertura de gelo do mar do Árctico está abaixo da média.Portugal, os furacões e os incêndios

Muito provavelmente, 2016 permanecerá como o mais quente, com 2015 logo a seguir, cujas temperaturas foram potenciadas por um El Niño forte, um fenómeno que provoca alterações significativas na distribuição da temperatura da superfície da água do oceano Pacífico e que afecta o clima global. O ano de 2017 fará parte do top 3.

“Os últimos três anos estiveram todos no top 3 em termos de recordes de temperatura. É parte de uma tendência de aquecimento a longo prazo”, alertou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, citado no comunicado. “Tivemos testemunho de condições climáticas extraordinárias, incluindo de temperaturas superiores a 50 graus Celsius na Ásia, um número recorde de furacões em pouco tempo nas Caraíbas e no Atlântico até à Irlanda, inundações devastadoras provocadas pelas monções que afectaram muitos milhões de pessoas e uma seca implacável na África Oriental.”

Petteri Taalas sublinha ainda que muitos desses fenómenos – “e estudos científicos detalhados determinarão exactamente quantos” – confirma o sinal de alerta das mudanças climáticas causadas pelas actividades humanas que contribuem para o aumento das concentrações de gases de efeito de estufa.

Portugal é mesmo mencionado no comunicado como tendo sofrido a influência de um dos furacões: “Em meados de Outubro, o Ophelia tornou-se um grande furacão (categoria 3), tendo ido mais de mil quilómetros para nordeste do que qualquer furacão do Norte Atlântico foi antes. Provocou danos substanciais na Irlanda, enquanto os ventos associados à sua circulação contribuíram para graves incêndios florestais em Portugal e no Noroeste de Espanha.” A OMM refere ainda que muitas partes do Mediterrâneo foram afectadas pela seca, incluindo Portugal e Espanha.

“Essas descobertas sublinham os riscos crescentes para as pessoas, as economias e o próprio tecido da vida na Terra, se não conseguimos seguir os objectivos e as ambições do Acordo de Paris”, acrescentou Patricia Espinosa, secretária executiva da ONU para as Alterações Climáticas, também citada no comunicado. “[A conferência de] Bona precisa de ser a rampa de lançamento para um nível mais alto de ambição entre todas as nações e todos os sectores da sociedade para reduzir o risco e maximizar as oportunidades para um caminho de desenvolvimento sustentável.”

Na conferência em Bona vai estar em discussão um roteiro para avaliar o que cada país está a fazer para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, para que seja possível alcançar os objectivos do Acordo de Paris, em vigor faz um ano. A conferência deverá reunir 20 mil participantes, refere a agência Lusa, incluindo uma delegação de associações e técnicos portugueses, além do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, e do secretário de Estado adjunto do Ambiente, José Mendes.

*Com informações do Jornal Público de Portugal.

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