ONU: senadora Lídice da Mata anuncia que ministro garante R$ 800 milhões para revitalização do rio São Francisco

Senadora Lídice da Mata participa da Conferência do Clima da ONU (COP 23).

Senadora Lídice da Mata participa da Conferência do Clima da ONU (COP 23).

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), que integra missão de parlamentares na 23ª Conferência do Clima da ONU (COP 23), em Bonn, na Alemanha, esteve reunida nesta segunda-feira (13/11/11/2017) com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e ouviu dele a garantia de que serão mantidos R$ 800 milhões para ações de revitalização do rio São Francisco. De acordo com a parlamentar, o ministro informou que o valor será aplicado na recomposição das matas ciliares do rio, a partir de recursos que serão arrecadados com as multas ambientais. “Esses valores são poucos para as nossas necessidades, mas é melhor do que não investir nada, como está acontecendo hoje”.

Lídice informou, ainda, que aproveitou a oportunidade para tratar de outros dois assuntos com o ministro: a criação do corredor ecológico do São Francisco – tema que a senadora já havia levado ao Ministério em outra ocasião – e a situação de disputa pela água no interior da Bahia, como está ocorrendo em Correntina. Segundo a senadora, “a população está mobilizada pois, em plena seca, a região está desabastecida de água enquanto grandes empreendimentos agrícolas estão utilizando esse recurso tão precioso acima de sua cota”.

Segundo Lídice, em relação à pauta ambiental como um todo, o encontro com o ministro também permitiu abrir as portas para uma agenda unificada entre o Parlamento e o Poder Executivo para garantir os itens fundamentais do compromisso assumido pelo Brasil de participar da Agenda de Paris, a partir da definição de prioridades.

Indústrias químicas – Durante a COP 23, a delegação de parlamentares conheceu experiências de indústrias químicas que estão investindo na captação e transformação do carbono. Lídice destacou que esta iniciativa reduz em até 20% o uso de petróleo e que é uma tecnologia a ser compartilhada. A senadora baiana também destacou contatos com especialistas sobre novas tecnologias de reuso da água. “Este é um tema muito importante para o Brasil, em especial para meu Estado, a Bahia. Discutimos, por exemplo, os custos de processos de reuso. A dessalinização é um deles e como a água é o bem mais precioso do futuro de todo o mundo vale a pena investir neste e em outros métodos para reaproveitamento da água”.

Medida provisória – Durante a COP 23, a delegação brasileira criticou a Medida Provisória (MP) 795/2017 que dá tratamento tributário favorecido para a indústria de exploração de petróleo e gás. O ministro do Meio Ambiente disse que não foi consultado sobre a edição da medida e que ela “vai na contramão da história ao desonerar o setor de gás e petróleo, incentivando combustível fóssil”. Segundo a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que também participa da missão, a MP vai fazer com que os cofres públicos deixem de arrecadar R$ 1 trilhão até 2025, além de ser “extremamente prejudicial para o meio ambiente porque incentiva a economia suja e o setor de petróleo e de gás”, condenou. A MP foi aprovada pela comissão mista e segue agora para exame do Plenário da Câmara dos Deputados.

Desafios ambientais – Em sua 23ª edição, a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP 23), apresenta debates sobre grandes desafios. Nas declarações de um dos secretários-gerais das Nações Unidas, Peteeri Taalas, 2017 pode ser considerado um dos anos mais quentes da história, marcado também por secas como as do Brasil e furacões nos Estados Unidos. O Brasil, apesar de protagonista nas negociações internacionais quando o assunto é meio ambiente, leva para a COP uma redução do desmatamento de 16%, mas ainda registra altos índices de derrubada de matas nativas: mais de seis mil quilômetros quadrados. Somando-se a isso, o País viu seu índice de poluição aumentar e as emissões de gases de efeito estufa crescerem em 9%. É o sétimo país que mais polui a camada de ozônio. E o primeiro da América Latina.

Para o presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, senador Jorge Viana (PT-AC), a diminuição do desmatamento é positiva, mas ainda há grandes desafios a serem vencidos pelo País: “Foi muito importante a gente parar um ciclo de desmatamento que vinha ocorrendo há quatro anos. Essa redução de 16% foi importante. Teve o esforço dos estados e, claro, é inaceitável que a gente tenha o crescimento do desmatamento na Amazônia brasileira. Mas os desafios do Brasil são enormes: tem redução no orçamento para combate ao desmatamento e também para suporte às políticas de ciência e tecnologia nas universidades. Isso é um verdadeiro desastre”, disse.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) diz que é preciso recompor o orçamento do Brasil na área de preservação ambiental: “Eu citaria a principal [causa] de todas a aprovação, no final de 2016, da emenda constitucional que limita os gastos públicos ao que foi aplicado no ano anterior apenas acrescido da inflação. Isso vai limitar muito a ação do Estado brasileiro na área ambiental”, alertou. Já a senadora Lídice da Mata ressaltou que a consciência do cidadão e os investimentos no setor são essenciais, sobretudo na área de recursos hídricos: “É preciso formar uma consciência cidadã no Brasil inteiro a respeito das dificuldades e das limitações dos recursos hídricos. Mas, acima de tudo, é preciso investir na conservação dos nossos recursos hídricos. O rio São Francisco está morrendo e, com isso, atinge diversas outras bacias de afluentes”, alerta.

Este ano, a COP é presidida por Fiji, um país insular da Oceania, que corre o risco de sumir do mapa caso o nível do mar aumente com o aquecimento global.

Com informações da Rádio Senado.

Redes sociais do JGB

Compartilhe e Comente

Publicidade

Publicidade

Manchete

Colunistas e Artigos

+ Publicações >>>>>>>>>

Sobre o autor

Redação

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]