Feira de Santana: advogado vê tentativa de descaracterizar capoeira, “reduzindo-a a condição de esporte”

Albertone Amorim: a nossa força é a resistência do nosso povo.

Albertone Amorim: a nossa força é a resistência do nosso povo.

A capoeira é “nossa expressão de cultura”, afirmou o advogado Albertone Amorim, em discurso durante sessão especial realizada nesta quinta-feira (23/11/2017), pela Câmara Municipal de Feira de Santana. O evento foi comemorativo pelo Dia Municipal da Capoeira, como parte da programação do Novembro Negro na cidade.

Em seu discurso, Amorim lamentou o fato de “tentarem descaracterizar a capoeira enquanto manifestação cultural, reduzindo-a apenas à condição de esporte”. “A nossa força é a resistência do nosso povo”, assinalou.

O presidente da Câmara Municipal, vereador José Carneiro, apresentou um histórico da capoeira no Brasil, desde o período da colonização portuguesa. “Durante boa parte da história da nação, esta expressão cultural criada por africanos escravizados no Brasil Colônia, foi vítima dos meios de repressão do Estado”, afirmou, ao relatar as modificações sofridas por esta atividade de resistência ao longo de sua história. “É importante entender que a capoeira – como um todo – reage aos acontecimentos políticos e econômicos de cada época, os que acontecem no Brasil e no mundo também”, frisou.

O vereador Cadmiel Pereira lembrou que em nível nacional a capoeira é comemorada no dia 3 de agosto. E informou sobre a sanção do prefeito a uma lei de sua autoria, a de número 3,668, que estabelece a Semana Municipal da Capoeira, na segunda semana do mês de agosto, devendo ser comemorada em órgãos públicos municipais através de palestras e outras atividades.

Durante a sessão solene, presidida pelo vereador João dos Santos (João Bililiu), a assistente social e palestrante Geovana Ferreira da Silva relatou o papel do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento das Comunidades Negras e Indígenas (Comdecni). Ressaltou que dentre outras funções, tem o propósito de avaliar as políticas das igualdades raciais para combater a discriminação. “Temos como missão propor políticas de igualdade racial com ênfase na população negra”.

 É “reserva cultural”, diz Mestre Bendengó

A importância da capoeira enquanto reserva cultural do povo afrodescendente também foi defendida durante a sessão especial através do relato dos aspectos históricos pelo palestrante Antônio Carlos das Neves, o Mestre Bendengó.

A história da capoeira foi cantada e contada por Mestre Bendengó, que falou do sofrimento do povo negro no trabalho escravo, especialmente na lavoura. Segundo ele, a partir deste sofrimento nasce na capoeira a ânsia pela liberdade. Tornou-se, com o passar dos anos, “uma forte cultura do povo brasileiro”.

Núcleo Odungê e vereadores homenageiam grandes nomes da capoeira

A presidente do Núcleo Odungê e do Comdecni (entidade coordenadora do evento), Lurdes Santana, ressaltou a importância da iniciativa e prestou homenagens a alguns mestres de capoeira que mantêm esta cultura viva na Bahia. Com destaque ao mestre Raimundo Nonato Santana, um dos mais antigos na Bahia, que recebeu certificado de homenagem.

Também foram homenageados pelo vereador Cadmiel Pereira o capoeirista Antônio Alves de Almeida; pelo vereador João Bililiu o capoeirista e mestre Antônio Carlos de Jesus Amorim; enquanto Albertone entregou o certificado para Ingredi Santana Souza Santana; Lurdes Santana entregou a Joselito da Conceição; Mestre Paraná entregou a Luciene de Lima; o vereador Isaías  dos Santos (Isaías de Diogo) entregou o certificado a Robson da Silva; o vereador Fabiano Nascimento de Souza (Fabiano da Van) entregou a  homenagem ao Mestre Bendengó; e o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Edson Borges, entregou a homenagem a palestrante Geovana Ferreira.

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