A ordem é engavetar | Por Luiz Holanda

"O novo diretor-geral da Policia Federal (PF), que responde pelo nome de Fernando Segóvia, é o presente de natal dos acusados de corrupção". (Imagem da posse de Fernando Segóvia)

“O novo diretor-geral da Policia Federal (PF), que responde pelo nome de Fernando Segóvia, é o presente de natal dos acusados de corrupção”. (Imagem da posse de Fernando Segóvia)

Ligado a José Sarney, indicado por Eliseu Padilha, aplaudido por todos os políticos investigados nas operações da Policia Federal e ansioso por um mandato parlamentar, o novo diretor-geral da Policia Federal (PF), que responde pelo nome de Fernando Segóvia, é o presente de natal dos acusados de corrupção.

Colocado no cargo para cumprir a tarefa que, segundo a imprensa, parece ter-lhe sido designada, o novo titular é o resultado da pressão do PMDB na substituição do antigo superintendente do órgão, Leandro Daiello. Segundo a Folha de S. Paulo, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (um dos investigados) defendeu a escolha desde quando acharam os R$ 51 milhões no bunker que se afirma pertencer ao ex-ministro Geddel Vieiria Lima, amigo íntimo do presidente Temer. O episódio foi considerado a gota d’água para a mudança do comando da PF.

Além disso, Temer culpava a instituição pelo vazamento do relatório que o colocava como um dos sócios do crime organizado, objeto da segunda denúncia promovida por Rodrigo Janot e arquivada definitivamente pela Câmara dos Deputados.

Para estancar essa sangria, o investigado senador, Romero Jucá, afirmava que o governo necessitava de uma pessoa de confiança, capaz de paralizar de vez as investigações. Nada mais justo, portanto, a nomeação de Fernando Segóvia, notadamente por ele ter sido superintendente da Polícia Federal no Maranhão, em agosto de 2008, época em que se tornou amigo de Sarney, também investigado, e um dos que mais defenderam sua indicação.

Um policial federal de Curitiba, que integrou a força-tarefa da Lava Jato, disse que “é preciso avaliar com mais calma uma escolha que não contou com a indicação do ministro da Justiça e que não traz experiência ao órgão”. A questão crucial é: as investigações em curso correm algum risco com Segóvia no comando?

Outros interlocutores avaliam que a troca de Leandro Daiello por Segóvia seguiu o roteiro esperado após a segunda denúncia contra Temer ter sido rejeitada pela Câmara dos Deputados. A escolha surge, justamente, num momento em que avançam as investigações contra pessoas com prerrogativas de foro. Tanto as investigações como os inquéritos que tramitam no STF e no STJ precisam ser estancados.

O depoimento do doleiro Lúcio Funaro afirmando que Temer defendeu interesses de grupos privados durante a tramitação da Medida Provisória dos Portos, amedrontou o presidente, principalmente porque teria sido feita através de Eliseu Padilha, Moreira Franco, Rocha Loures e Geddel Vieira Lima.

As supostas vantagens recebidas por Temer na primeira fase das investigações atingem R$ 31,5 milhões, mas a soma total, até agora apurada, chegaria a R$ 81 milhões. Os tentáculos do grupo recaiam, segundo o inquérito, sobre diferentes órgãos e níveis de governo: Caixa Econômica Federal, Secretaria de Aviação Civil, Petrobras e Ministério da Agricultura.

A conclusão da PF é que o grupo montou uma estrutura com o objetivo de obter vantagens utilizando a corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraude em licitações. Os inquéritos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, que deverá arquivá-los “por falta de prova”.

As suspeitas contra o novo superintendente é que sua escolha foi obra de políticos envolvidos em investigações no próprio órgão, além de não ter contado com o apoio do Ministro da Justiça, a quem está, legalmente, subordinado.

A isso se acrescente que tudo o que Janot fez está sendo reexaminado pela equipe de Raquel Dodge, sob a justificativa de que os inquéritos e decisões do ex-procurador geral passam por uma revisão “técnica”, muito embora o propósito seja o mesmo da indicação de Segóvia.

Os corruptos são fortes; têm dinheiro e poder. Ao contrário da empregada doméstica Maria Aparecida, que ficou quatro anos presa no “Caldeirão de Pinheiros” por ter roubado um xampu e saiu de lá cega de um olho, face as torturas sofridas, os corruptos vão terminar pedindo ao governo indenização por danos morais.

O povo sabe que quando os garantistas da impunidade entram em cena, é apenas uma questão de tempo a libertação dos corruptos. Daí a surpresa do governo quando Segóvia defendeu a continuidade das investigações. Se isso for verdade, ele terminará o mandato com o devido respeito da nação. Caso contrário, seu fim será o de engavetador-mor da Policia Federal.

*Luiz Holanda è advogado e professor universitário.

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