Sessão solene na Câmara Municipal de Feira de Santana debate sobre luta pela igualdade racial

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Sessão solene em comemoração ao Dia da Beleza Negra na Câmara Municipal de Feira de Santana.
Sessão solene em comemoração ao Dia da Beleza Negra na Câmara Municipal de Feira de Santana.
Sessão solene em comemoração ao Dia da Beleza Negra na Câmara Municipal de Feira de Santana.
Sessão solene em comemoração ao Dia da Beleza Negra na Câmara Municipal de Feira de Santana.

“Ou você está vivo e orgulhoso ou está morto”. Com a emblemática citação de Stephen Bantu Biko, ativista anti-apartheid da África do Sul entre os anos de 1960 e 1970, o professor, historiador e atualmente vereador de Salvador Silvio Humberto Passos conclamou a população afrodescendente a não parar de lutar pela igualdade, porque “o racismo não tira férias”. Ele foi um dos palestrantes da noite desta quinta-feira (28/09/2017), na sessão solene comemorativa ao Dia da Beleza Negra, na Câmara Municipal de Feira de Santana.

Muito mais do que reverenciar a beleza e homenagear personalidades de destaque no movimento negro em Feira de Santana, a sessão solene foi uma verdadeira aula de história, do Brasil e da África. Silvio Passos falou sobre a importância da potencialidade das pessoas para o desenvolvimento, mas afirmou que “o racismo impede que as pessoas sejam plenas”. Ele lamentou que em um país rico, belo de grande diversidade étnico-racial não se reconheça o outro. “O negro ainda é julgado de forma preconceituosa”, observou.

O palestrante destacou a forma pejorativa usada para definir o perfil do negro, como nariz de taboca, beiço (e não lábio) e cabelo duro. “Duro é o preconceito!”, enfatizou, citando ainda a expressão “a coisa tá preta”, para definir uma situação ruim. O negro é julgar pelo cabelo, pela boca, pelo nariz. Cabelo duro? Duro é o preconceito. Lábio é beiço, nariz de taboca. A coisa tá preta (tá ruim). Por conta dessas características, segundo ele, na hora de buscar emprego o negro vai ocupando sempre os andares baixos.

Genocídio, abolição, desigualdade intolerância foram citações recorrentes durante a noite, em que se discutiu ainda a as frequentes acusações de que o negro se vitimiza. “O negro não teve acesso a políticas públicas, foi marginalizado quando a escravidão foi abolida de forma camuflada e embora o último censo do IBGE aponte que 46% da população brasileira é afrodescendente, inda precisamos de um estatuto”, disse a assistente social Luize Arapiraca Amorim, também palestrante da sessão.

Luize Arapiraca alertou para o real sentido do evento realizado pela Câmara Municipal. “Quando falamos de beleza negra nos referimos à estética, mas vai muito além disso, é um momento de reflexão do contexto histórico em que nosso país foi construído. O Brasil está atrás apenas da Nigéria em população afrodescendente”, informou, ao criticar o Estado pela omissão e negligência na questão da igualdade racial. Foi por meio de muita luta que conseguimos leis para nos amparar e tentar reparar os danos causados ao longo da história”, ressaltou.

Para Lourdes Santana, presidente do Núcleo Cultural e Educacional Odungê e do Conselho Municipal das Comunidades Negra e Indígena, a sessão representou, ainda, um momento de reparação. Ela falou das leis criadas pela Casa da Cidadania, mas alertou: “Não adianta criar leis sem dialogar com o movimento negro, ser fantasioso”. A noite foi também de agradecimentos, não somente aos vereadores e deputados estaduais presentes, mas a todos que contribuíram para as conquistas do movimento ao longo da história, em especial a população do Campo Limpo, bairro onde vive.

A saudação aos convidados ficou a cargo do vereador Fabiano Nascimento de Souza (Fabiano da Van), que destacou a importância da Câmara Municipal não somente discutir assuntos de interesse público, mas “reconhecer, respeitar e valorizar ações de instituições e pessoas que prestam serviços à sociedade”. Ele criticou o que chamou de “noções engessadas” de beleza e da falta de referências na infância para a formação da identidade e da representatividade do negro.

Presentes no plenário, dentre outras autoridades, Pablo Roberto Gonçalves da Silva, vereador licenciado e secretário municipal de Prevenção à Violência; Paloma Pina Rebouças Ayres, defensora pública; Albertone Amorim, representante do Conselho da Igualdade Racial em Feira de Santana; Uiara Lopes, assessora técnica da Secretaria Estadual de Políticas Públicas para mulheres e ex-vereador Marialvo Barreto.

A sessão foi conduzida pelo presidente do Legislativo, vereador José Carneiro Rocha, que compôs a mesa ao lado dos palestrantes e da presidente do Odungê, mais o sociólogo Ildes Ferreira, secretário municipal de Desenvolvimento Social, representando o prefeito José Ronaldo na solenidade, e deputados estaduais Ângelo Almeida e Ubirajara da Silva Ramos Coroa (Bira Coroa). Durante a solenidade foram homenageadas 42 pessoas indicadas pelo Odungê.

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