Espanha: Catalunha tem greve geral em protesto pela atuação policial em referendo

Centro de Barcelona, Espanha.
Centro de Barcelona, Espanha.
Centro de Barcelona, Espanha.
Centro de Barcelona, Espanha.

A região espanhola da Catalunha enfrenta nesta terça-feira (03/10/2017) uma greve geral, com o apoio dos principais sindicatos e organizações pró-independência, em protesto pela atuação policial do último domingo (1º)  contra o referendo de independência. A informação é da Agência EFE.

A convocação tem repercussão “elevada” em setores como o transporte, comércio e a agricultura, segundo os sindicatos minoritários, que estimulam a mobilização, a que chamam de “greve geral”. Os sindicatos majoritários, como a UGT e CC.OO, que têm caráter estatal e se somaram ao protesto, a denominam “greve no país”.

Um total de 24 manifestações fecharam o tráfego em várias vias da Catalunha, provocando retenções, em alguns casos, de mais de 10 quilômetros, segundo o Serviço Catalão de Transporte.

O governo da Catalunha realizou no último domingo um referendo separatista, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional. Participaram da consulta, de acordo com o executivo catalão, 2,2 milhões de pessoas.

Durante o dia, foram registradas ações policiais e despejos de colégios eleitorais por ordem judicial para evitar a votação. Essas ações deixaram mais de 800 feridos, dois deles em estado grave, informou o governo.

Inicialmente, o protesto foi convocado para mostrar a rejeição pelas prisões e os registros policiais da semana passada a fim de evitar o referendo, mas a ação da polícia no último domingo levou à mudança do sentido do protesto.

O governo regional da Catalunha, que já tinha estabelecido serviços mínimos para a greve inicial, os rebaixou, de modo que em setores importantes como ferrovia, metrô e ônibus de Barcelona ficam sensivelmente reduzidos, da 50% para 25%.

A greve deve ter impacto no transporte público, na administração pública, educação e saúde.

A UGT e CC.OO da Catalunha preveem que a greve tenha repercussão menor na indústria. A principal empresa industrial da Catalunha, a automobilística Seat, planeja manter suas atividades normalmente.

Catalunha: Comissão Europeia diz que violência não pode ser instrumento político

O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, afirmou nesta segunda-feira (02) que o referendo da Catalunha foi ilegal. Acrescentou, no entanto, em comunicado de imprensa feito em Bruxelas, na Bélgica, que a violência não pode ser nunca um instrumento político.

“Na Constituição espanhola, o voto de ontem na Catalunha não era legal. Para a Comissão Europeia, como o presidente Jean-Claude Juncker reiterou repetidamente, esse é um assunto interno da Espanha, que deve ser tratado em linha com a ordem constitucional espanhola”, disse Schinas.

De acordo com o porta-voz, a Comissão Europeia solicita que os atores envolvidos possam dialogar e acredita na liderança do presidente espanhol, Mariano Rajoy, na mediação desse difícil processo.

O comunicado foi feito um dia depois da polêmica votação do referendo na Catalunha, em que 90% dos eleitores votaram “sim” pela independência da região e 7,8% votaram “não”. De acordo com o governo catalão, mais de 2 milhões de pessoas votaram ontem (1º). A população da Catalunha é de 7,5 milhões de pessoas.

Em uma declaração institucional, o presidente catalão Carles Puigdemont defendeu que a Catalunha ganhou “o direito de ser um Estado independente” após o referendo desse domingo. Já o presidente do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, declarou que “não houve um referendo” e que todos os espanhóis constataram que o Estado de Direito se mantém “forte e vigente”.

Mais de 800 pessoas ficaram feridas nos confrontos com a polícia, segundo dados do Ministério da Saúde da Catalunha.

O referendo foi monitorado por forte aparato policial. A polícia destruiu as portas e forçou a entrada em colégios eleitorais, enquanto catalães gritavam: fora com as forças de ocupação.

“Criaremos uma comissão especial para a violação dos direitos fundamentais e tomaremos ações legais até as últimas consequências. Exigimos a retirada das forças policiais do Estado que foram implantadas em um país que sempre atuou pacificamente”, afirmou Carles Puigdemont, chefe do governo catalão.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 109982 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]