Tesouro Perdido: MPF cita empregada doméstica do deputado Lúcio Vieira e associação entre Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz

Associação entre Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz aproxima investigação da administração do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).Associação entre Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz aproxima investigação da administração do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
Associação entre Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz aproxima investigação da administração do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

Associação entre Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz aproxima investigação da administração do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

Na fundamentação do pedido de prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima e de Gustavo Ferraz, coordenador-geral da Defesa Civil de Salvador, decorrente da 4º fase da Operação Cui Bono?, realizada nesta sexta-feira (08/09/2017) pela Polícia Federal (PF) foi citado que — um recibo em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, empregada doméstica do deputado Lúcio Vieira Lima; impressões digitais de Geddel e Ferraz em sacos do dinheiro apreendidos durante a Operação Tesouro Perdido, realizada nesta terça-feira (05); além do relato de Silvio Antônio da Silveira de que o aparamento foi emprestado ao deputado Lúcio Vieira — formam elo entre os fatos que fundamentam os pedidos de prisão, além de revelar vínculo entre os personagens e fatos investigados.

Observa-se que a prisão de Gustavo Ferraz, servidor da Prefeitura de Salvador, aproxima as investigações do Caso ‘Cui Bono?’ da administração do prefeito ACM Neto (DEM). Infere-se que Gddel Vieira Lima indicou o vice-prefeito Bruno Reis (PMDB) a compor a chapa majoritária de ACM Neto. Além do fato de terem anunciado aliança majoritária para disputa estadual de 2018, revela fonte do Jornal Grande Bahia (JGB).

Confira trechos dos fundamentos dos pedidos de prisão formulados pelo MPF

— Com a deflagração da Operação Tesouro Perdido, foram ainda colhidos mais elementos que confirmam a utilização do imóvel por GEDDEL VIEIRA LIMA, como uma fatura em nome de MARINALVA TEIXEIRA DE JESUS, empregada doméstica do Deputado Federal LUCIO VIEIRA LIMA, irmão de GEDDEL VIEIRA LIMA.

— Ouvido, SILVIO ANTÔNIO CABRAL DA SILVEIRA, um dos proprietários do imóvel, confirmou ter emprestado o apartamento para LUCIO VIEIRA LIMA, em nome da amizade que possuía com ele, embora não conhecesse GEDDEL VIEIRA LIMA.

— Corroborando as informações, PATRÍCIA SANTOS QUEIROS, administradora do Condomínio José da Silva Azi, declarou que o dono do empreendimento, Sr. SILVIO SILVEIRA, conhecia os irmãos LUCIO e GEDDEL e que soube que eles (GEDDEL e LUCIO) teriam recebido autorização de SILVIO para usar o local para guarda de material do pai falecido AFRISIO VIEIRA LIMA.

— Ademais, foi realizado exame papiloscópico no material apreendido, cujo resultado apontou a existência de fragmentos de impressões digitais de GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA e GUSTAVO PEDREIRA DO COUTO FERRAZ na superfície de sacos plásticos com notas em dinheiro apreendidas.

— GUSTAVO FERRAZ foi identificado pela polícia como sendo pessoa que vem ocupando cargos de confiança vinculados aparentemente ao PMDB/BA e, ainda conforme consta na representação policial, é ligado politicamente a GEDDEL, vez que foi localizada uma foto em rede social em que se encontram, lado a lado, GEDDEL e GUSTAVO, com os seguintes dizeres: “Festa de Yemanjá com o próximo governador da Bahia”.

— Adicionalmente, GUSTAVO aparece como sendo pessoa que representa e representava (em diversas ocasiões) GEDDEL junto a EDUARDO CUNHA e a ALTAIR (operador de CUNHA).

Tesouro Perdido

A Polícia Federal (PF) concluiu no fim da noite desta terça-feira (05/09/2017) a contagem do dinheiro apreendido em um apartamento na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça em Salvador, que, segundo a PF, “seria supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima [ex-ministro] como bunker para armazenagem de dinheiro em espécie”. Foram contabilizados R$ 42.643.500 e US$ 2.688 milhões, totalizando, em reais, R$ 51.030.866,40.

Operação Cui Bono

A primeira fase da Operação Cui Bono? foi deflagrada pela PF em 13 de janeiro deste ano e investigou esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal no período entre 2011 e 2013. De acordo com a investigação,  entre março de 2011 e dezembro de 2013, a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição era ocupada por Geddel Vieira Lima. A Operação Cui Bono? é decorrente das investigações do Caso Lava Jato.

A investigação da Operação Cui Bono? – expressão latina que em português significa “a quem beneficia?” – é um desdobramento da Operação Catilinárias, deflagrada em dezembro de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, quando policiais federais encontraram um telefone celular na residência do então presidente da Câmara dos Deputados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que revelou intensa troca de mensagens eletrônicas entre Cunha e Geddel. A operação tinha a finalidade de evitar que provas importantes fossem destruídas por investigados da Lava Jato.

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Pedido de prisão de Geddel Vieira Lima e Gustavo Pedreira Couto Ferraz

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).