Tesouro Perdido: Após notícia de que “bunker” de Geddel fica no prédio que pertence a família do deputado Paulo Azi, dirigente nacional do PT cobra explicações de ACM Neto

Paulo Azi, Geddel Vieira Lima, ACM Neto e Gustavo Ferraz, vínculos políticos e coincidências materiais convergem para o ‘Tesouro Perdido’ de R$ 51 milhões.
Paulo Azi, Geddel Vieira Lima, ACM Neto e Gustavo Ferraz, vínculos políticos e coincidências materiais convergem para o ‘Tesouro Perdido’ de R$ 51 milhões.

“Qual é a explicação de ACM Neto sobre seus parceiros?”. Esse foi o questionamento do dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) Jones Carvalho diante da notícia, divulgada neste sábado (09/11/2017), de que o prédio onde foram encontrados os R$ 51 milhões, relativos a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) pertence à família do deputado federal Paulo Azi (DEM), aliado e correligionário de ACM Neto.

Segundo a Jones Carvalho, além de ser a proprietária do prédio, a empresa JP Patrimonial, pertencente à família Pasulo Azi, ainda é administradora do prédio onde ficava o “bunker” de Geddel. Inclusive, o edifício leva o nome de um dos parentes de Paulo Azi: Residencial José da Silva Azi, tio do deputado. José da Silva Azi, que foi prefeito de Alagoinhas, morreu em 2014.

“São R$51 milhões com impressões digitais de Geddel, aliado de ACM Neto, e de Gustavo Ferraz, candidato a vice-prefeito na chapa perdedora em Lauro de Freitas, em 2016, com apoio direto de Neto. E todos são ligados ao governo de Michel Temer, que vem tirando os direitos dos trabalhadores e que é reconhecidamente corrupto”, diz Carvalho.

O dirigente ainda mencionou a relação entre o governo de ACM, o neto, e ACM, o avô, morto em 2007. “Antigamente, a política carlista se valia do ‘rouba mas faz’. Agora, com todos esse fatos, mudou para ‘rouba e desfaz direitos”, afirma Jones Carvalho.

Ao cobrar um posicionamento de ACM Neto, Jones ainda lembrou que o prefeito é um dos donos do maior conglomerado de comunicação do Nordeste – que incluía afiliada da Rede Globo no estado. “Se a TV Bahia não fosse dele qual seria a manchete?”, interpelou.

A investigação federal

Na terça-feira (05/09/2017), durante o transcurso da Operação Tesouro Perdido, ao cumprir mandado de busca e apreensão, emitido pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara Federal de Brasília, a Polícia Federal (PF) encontrou caixas e malas com dinheiro em apartamento do edifício residencial José da Silva Azi, localizado na Rua Barão de Loreto, nº 360, Bairro da Graça, Salvador. Foram contabilizados R$ 42.643.500 e US$ 2.688 milhões, totalizando, em reais, R$ 51.030.866,40.

Segundo a PF, o imóvel seria, supostamente, utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, como ‘bunker’ para armazenagem de dinheiro em espécie”.

Proprietário do imóvel, Silvio Silveira, ao ser intimado a depor, revelou que o apartamento foi emprestado ao deputado federal Lúcio Vieira Lima, com a finalidade de armazenar pertences do falecido pai Afrísio Vieira Lima (1929 – 2016).

Nesta sexta-feira (08), ao deflagrar a 4º fase da Operação ‘Cui Bono?’, o Ministério Público Federal (MPF) informou que foram encontradas em sacos plásticos, que acondicionava o dinheiro recolhido, impressões digitais do ex-ministro Geddel Vieira Lima e de Gustavo Ferraz, Superintendente de Defesa Civil de Salvador, filiado ao PMDB e indicado por Geddel para o cargo na administração de ACM Neto (DEM). Ambos, Geddel e Ferraz, foram presos e levados para tutela da Justiça Federal de Brasília.

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