Procurador-geral da República pede prisão dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud e do ex-procurador Marcello Miller; ataque de criminosos ao STF não ficará impune

Joesley Mendonça Batista é um dos executivos do Grupo J&F que firmou acordo de delação sobre o Caso Lava Jato.

Joesley Mendonça Batista é um dos executivos do Grupo J&F que firmou acordo de delação sobre o Caso Lava Jato.

A República reage aos ataques. Com a suspeição decorrente do diálogo registrado entre os delatores do Grupo J&F, Joesley Batista e Ricardo Saud, em que é citado possível envolvimento de ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF) e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em supostos esquemas ilícitos que beneficiariam envolvidos no Caso Lava Jato, membros da corte de justiça reagiram, determinando rigorosa apuração do caso e revisão do acordo de delação, fundamentado em severo ataque à dignidade do Poder Judiciário, promovido por criminosos confessos.

A reação dos ministros do STF surtiu efeito. Após abrir processo investigatório de revisão de acordo de delação em que foram ouvidos os citados, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou pedido ao ministro Edson Fachin requerendo a prisão dos delatores e do ex-procurador da República André Miller, por ter, supostamente, atuado de forma ilegítima para celebração do acordo de delação dos executivos do Grupo J&F.

Gravação reveladora

A inflexão da PGR e do STF ocorreu a partir das revelações contidas no áudio em que dialogam Joesley Batista e Ricardo Saud. O áudio foi entregue pela defesa dos executivos à Procuradoria-geral da República (PGR), como parte do acordo de delação. Nele consta diálogo sobre a suposta interferência do advogado André Miller para facilitar a celebração do acordo de delação premiada. Ocorre que o diálogo registra que a interferência de André Miller foi efetivada em fevereiro de 2017, neste período ele ainda ocupava o cargo de procurador da República, por tanto, o conflito de interesse estava estabelecido. Observa-se que a exoneração do cargo de procurador da República ocorre apenas em abril de 2017.

Envolvimento

A conclusão de que os delatores omitiram informações passou a ser investigada pela PGR na segunda-feira (04/09/2017) a partir de gravações entregues pelos próprios delatores como forma de complementação do acordo, firmado também com Ricardo Saud, ex-executivo da empresa, e Francisco e Assis e Silva, advogado do grupo empresarial.

A PGR também suspeita que o ex-procurador da República Marcelo Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação. Ele estava na procuradoria no período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da J&F.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).