Presidente Michel Temer entrega camisa com dedicatória em inglês para líder chinês; fenômeno da aculturação explicita servilismo do governo despótico aos interesses estadunidenses

Presidente entregue pelo presidente Michel Temer, ao presidente Xi Jinping, evidência processo de aculturação das elites e subordinação ao interesse estadunidense.
Presidente entregue pelo presidente Michel Temer, ao presidente Xi Jinping, evidência processo de aculturação das elites e subordinação ao interesse estadunidense.
Presidente entregue pelo presidente Michel Temer, ao presidente Xi Jinping, evidência processo de aculturação das elites e subordinação ao interesse estadunidense.
Presidente entregue pelo presidente Michel Temer, ao presidente Xi Jinping, evidência processo de aculturação das elites e subordinação ao interesse estadunidense.

O fenômeno da aculturação é inerente a formação dos povos e ocorre em todas as épocas e em todos os lugares. A aculturação designa mudanças que ocorrem na identidade de um povo por influência de elementos culturais externos, através da opressão, subordinação ou dominação política, econômica, militar e territorial.

O presidente Michel Temer (PMDB/SP), cuja assunção ao poder está associada ao movimento despótico e antidemocrático imposto pela elite reacionária do país, entregou nesta sexta-feira (01/09/2017) ao presidente da República Popular da China, Xi Jinping, uma camisa da Seleção de Futebol do Brasil, com dedicatória — “To pres. Xi Jinping good luck, Pelé” — foi escrita em inglês e assinada pelo ex-jogador Edson Arantes do Nascimento (Pelé). O gesto representa uma síntese do fenômeno da aculturação pela qual passa o país, principalmente, a aculturação verificada na elite despótica que tomou o poder da República.

Observa-se que a troca de presentes entre governantes de países evidência o desejo da aproximação cultural e econômica, estabelecida através das relações de trocas. Notadamente, os presentes simbolizam valores de uma nação e cada elemento do presente concedido deve reificar a identidade nacional e a aproximação cultural.

Observando o aspecto da reificação da identidade nacional é que se verifica que apenas uma mente intelectualmente tosca, sobejamente aculturada, daria um presente em um idioma que não fosse originário da própria nação, neste caso o português, ou que fosse do representante da nação à qual se destina, neste caso, mandarim (chinês tradicional).

Observa-se que ao entregar a camisa com a dedicatória em inglês, o presidente Michel Temer expressou o quanto somos um povo aculturado, que se envergonha da identidade própria, além de evidenciar a fragilidade intelectual de quem entrega o presente.

Infere-se que para felicidade geral da nação é um déspota que o faz, ou seja, talvez, o presidente chinês possa fazer um julgamento melhor do povo brasileiro, do que o aculturado presidente Michel Temer expressa.

Observa-se, por fim, que embora 52 países utilizem o inglês como idioma oficial, a influência dos Estados Unidos da América no processo de tomada do poder da República foi reiterada por parlamentares. Na sequência, sob o Governo Temer, o Brasil adotou uma postura de subordinação aos interesses do capitalismo imperial, que tem nos Estados Unidos um dos centros do poder.

O conceito de capitalismo imperial utilizado é o mesmo expresso na obra ‘Império’, de autoria de Michael Hardt e Antonio Negri. A publicação científica analisa a nova ordem política da globalização e o processo de dominação, inferindo que o capitalismo é o centro desta nova ordem, que se desenvolve na economias centrais em processo permanente de expansão, enquanto aplica em maior intensidade, a mais-valia, nos países periféricos, mantendo a ordem da permanente acumulação capitalista.

Sobre Carlos Augusto 9717 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).