Muito bambu para uma flecha | Por Luiz Holanda

Artigo analisa atuação de Rodrigo Janot ao fim do mandato de procurador-geral da República.
Artigo analisa atuação de Rodrigo Janot ao fim do mandato de procurador-geral da República.
Artigo analisa atuação de Rodrigo Janot ao fim do mandato de procurador-geral da República.
Artigo analisa atuação de Rodrigo Janot ao fim do mandato de procurador-geral da República.

Mesmo não tendo perdido totalmente o trabalho até então realizado, o Ministério Público Federal (leia-se Rodrigo Janot), sai desgastado diante do desmonte da delação premiada da JBS e das aparições midiáticas do procurador geral, tentando expor suas bravatas com flechas cada vez mais escassas.

Prestes a deixar o cargo e na ânsia de ser considerado a “esperança do Brasil”, estava preparando o terreno para uma futura candidatura em seu estado natal, Minas Gerais, quando foi desmistificado pela própria ambição.

Ao permitir todo tipo de arranjos para obter delações premiadas contra altas figuras da República (que todo mundo sabe que jamais foram honestas), demonstrou que tinha conhecimento das diatribes do seu pupilo, Marcelo Miller, acusado de ser o mentor intelectual de toda essa confusão.

Amador e deslumbrado, Janot mexeu num vespeiro de corruptos altamente preparados para o crime, gente capacitada e articulada para administrar a corrupção instalada no país desde o governo Sarney, agravada com Fernando Collor e institucionalizada nos governos Lula e Dilma.

Pensar que iriam ficar sem reação diante das malas de dinheiro flagradas e gravadas pela Polícia Federal é desconhecer o poder da Máfia com que estava lidando.

Sua incompetência e sua voraz ambição em aparecer mostraram que não tem mais flecha para atirar em ninguém, embora o bambu continue demasiadamente abundante. Diante de tanta vaidade e imperícia, o resultado não podia ser outro: a caríssima festa de comemoração dos envolvidos na Lava Jato, aqui e na China.

Prontos para argüirem a suspeição do procurador geral e negar tudo que possa comprometê-los nas investigações influenciadas pelo seu braço direito, Marcelo Miller, os acusados contam com a indignação de uns poucos ministros do STF e a proteção dos demais, conhecidos como os garantistas da impunidade.

Diante desse fracasso, Janot, na melhor das hipóteses, deixará o cargo como um ingênuo, mergulhado na própria vaidade. O clima é de tristeza, enquanto no Supremo é de fingida indignação, face as afirmações contra alguns dos seus ministros sem a devida comprovação.

Sua última flechada contra Temer com certeza não dará em nada. Se a delação premiada de Lúcio Funaro não contiver algo substancioso, a flecha pode mudar de direção e atingir seu próprio peito. Além disso, sua inabilidade forneceu munição ao seu mais ferrenho adversário, Gilmar Mendes, que o adjetivou com palavras jamais proferidas contra um Procurador-Geral da República.

Dentro de poucos dias entra em cena sua substituta, Raquel Dodge, que, mesmo sendo, aparentemente, afeita aos holofotes, perdeu a imparcialidade quando visitou o presidente, um dos investigados na Lava Jato, na calada da noite. Não é sem razão, pois, que, diante de tanta inabilidade e comprometimento, Temer já esteja pensando em reeleição.

Janot vive o momento em que se despede do cargo melancolicamente, deixando para trás um trabalho mal feio e incompleto, pondo em risco o combate à corrupção e parecendo confirmar a crença popular de que, em matéria de roubalheira, tudo neste país termina em pizza.

Tudo em Janot é superficial. De nada adianta chorar ante tanta incompetência. Como dizia Saadi, água profunda dificilmente se perturba com a pedra que lhe arremessam, e que o tolo, quando pensa que é sábio, é porque é realmente um tolo.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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